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Estrada Real

© Diego Gazola Itambé do Mato Dentro - Trecho entre Itambé do M. Dentro e Morro do Pilar - Diego Gazola Trecho entre Itambé do M. Dentro e Morro do Pilar

O termo Estrada Real se refere aos caminhos trilhados pelos colonizadores desde a descoberta do ouro em Minas Gerais até o período de sua exaustão. Um passeio nessa estrada é um retorno a história, é voltar no tempo dos tropeiros que chegavam em seus cavalos e adultos e crianças faziam festa com a chegada da tropeirada. Quem vive por essas bandas guarda na lembrança o tempo em que o ouro 'brotava no chão' e acolhe como ninguém quem chega a essas paragens.

 

São muitos os trechos que podem ser percorridos na Estrada Real e cada roteiro esconde tesouros históricos, culturais e de belezas naturais. Nessas trilhas, homens e mulheres de variada ordem buscaram espaços de sobrevivência e de produção de bens e na busca, construíram vida, memória e história.

 

Ir por esses caminhos é desbravar e penetrar no interior num percurso de prazer e de fuga do cotidiano. A Estrada Real, antes era um lugar que o ouro habitava, hoje é uma mina de ouro para o turismo. Tem atrações para o ecoturista, para os interessados em história, para amantes de cavalgadas e caminhadas.

 

O turismo constrói um sistema de significados para as coisas que legam prazer ao viajante. E nessa construção, estabelece relações entre a vida material do passado, a paisagem e os costumes e a realidade de quem busca diversão, conhecimento, fuga do cotidiano.

 

Reconhecer um espaço como 'turístico' é elaborar uma construção cultural. É dar sentido e significado a coisas e a costumes de tempos diversos e de pessoas diferentes do turista. Esse processo dá forma a uma narrativa que orienta a busca de cada viajante e que antecipa os prazeres que podem ser buscados e alcançados. Nessa narrativa, visualizam-se alguns pontos, aspectos ou lugares e lançam-se à sombra outros que não se quer ressaltar ou que não foram entendidos pelo narrador.

 

Ao turista/viajante cabe verificar o que foi iluminado e o que foi deixado à sombra. E tirar de ambos os prazeres que seus sentidos captarem. Nenhum roteiro, portanto, antecipa o prazer e nenhuma narrativa indicadora satisfaz a necessidade de conhecer. Assim, nenhum mapa ou guia tem a pretensão de esgotar as informações ou de informar sobre tudo o que se viverá na viagem.

 

A alegria de ver um chafariz centenário em Glaura, de conversar entre duas igrejas de Acuruí, de participar de uma festa religiosa no Serro, de admirar a paisagem de Milho Verde, de perceber a paz de Itapanhoacanga, de aproveitar a hospitalidade de Córregos, de banhar-se em cachoeira de São Gonçalo do Rio das Pedras, de comer um pastel de angu em Conceição do Mato Dentro, de ouvir uma seresta em Diamantina, de admirar a lua em Catas Altas, de cochilar em um banco de varanda de fazenda dos arredores de Barão de Cocais, de tomar uma pinga em Sabará ou de ouvir os casos de tropeiros que (incrível) ainda existem pelas lindas trilhas da Serra do Cipó, tudo isso e muito mais é reservado ao turista/aventureiro que se dispõe a abrir seu coração para a percepção de outros cotidianos, muito distintos do seu.

 

A experiência turística, mesmo que permeada de informações prévias, é única e é surpreendentemente construída na viagem. Não se deve abrir mão dessa surpresa. Não se deve deixar que a sedução das imagens fáceis da vida comum supere a claridade do dia, o som da noite, o odor da terra, a beleza das matas, a brisa fria dos morros, a vivacidade das pedras.

 

A Estrada Real deve ser construída culturalmente. Deve-se dar a ela significados históricos e preservar-lhe a memória. E grandes esforços devem ser investidos por nossas instituições para que isso ocorra. Deve-se propiciar ao turista informações e estrutura para que seja possível a experiência turística. Espera-se do turista um desmedido amor ao ambiente natural, à vida material e aos costumes de homens e mulheres que vivem na região visitada.

 

Abra o coração ... e pé na Estrada!

 

Texto de José Newton Coelho Menezes

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