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Ipoema - Distrito de Itabira

A Tropa

Tenho uma besta de guia.

Ruana da crina branca.

Tem um pêlo que alumia

com três palmos de anca,

não tem fardo na empresa

      que essa tropa não arranca.

 

     
      A arriata desta tropa.

      Mandou vir lá da Bahia,

      cabeçada aniquilada, isto é,

      do coice na guia,

      pelo gosto do tropeiro,

      o resto vocês desconfia.

  


O tocador desta roupa,

Veio lá do centro da mata

      passa uma lata de caol

      todo dia na arriata,

      sua caixa de cozinha, até

      parece uma farmácia.

 


A fama desta tropa,

      já está de revolução,

quando entra na cidade,

as moças largam a obrigação

e dizendo um pra outra,

que já está de informação.

 


O tropeiro passa sério,

na sua mula marchadeira,

seu revólver na cintura e a

até as mulheres casadas,

choram a vida de solteiras.

 


A sua mula de cela,

quatro conto foi injeitado,

socadinho paulista

do peitoral argolado,

pelego de cinco quilos e porta-capa de  babado.

 


Tem rico desesperado,

pra fazer economia,

vale mais um pobre de gosto,

porque vive com alegria,

assim com um tropeiro de gosto.

 

 

Geni de Oliveira Dias

Tropeiro de 86 anos

 

 

 

 

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