Destinos

Araxá

A Lenda de Catuíra

Uma mata virgem com caça abundante e água excelente. Assim era o sertão dos Araxás, tribo descendente dos Cataguás, famosa por defender ferozmente o seu cobiçado território. Durante mais de um século, entre os rios das Velhas e o Quebra Anzol, esses índios imperaram como senhores absolutos da terra, evitados pelos capitães do mato. Consta até que, por sua causa, mudou de rota, desviando-se para a direita, a primeira estrada que levava, em 1733, da Capitania de Minas às recém-descobertas minas de ouro de "Villa Boa de Goyás".


A valentia dos Araxás era reforçada, contra o acesso de intrusos às suas ricas terras, pela presença próxima de um grande quilombo, o Quilombo de Ambrósio. Ambrósio, que entrou para a história da região como um escravo que escapou à sanha de um senhor perverso, liderava 200 fugitivos de São João del-Rei e Vila Rica, funcionando seu quilombo, segundo os historiadores, como uma espécie de posto avançado da tribo dos Araxás.


Conta a lenda que esses índios só foram dizimados por causa de um traidor. Este, chamado Iboapi, apaixonara-se por Catuíra filha do cacique Andaia que, por sua vez, dera a filha como prêmio a Maú, chefe dos guerreiros, depois de uma luta vitoriosa. Iboapi, no dia do casamento, fugira, encontrando-se com Pamplona e seus soldados, responsáveis diretos pela chacina. Aí então, já o Quilombo de Ambrósio tinha sido vencido com a morte de 80 dos 200 ex-escravos.


Iboapi, diz a lenda, despeitado, teria indicado a Pamplona o caminho da aldeia. Os índios, surpreendidos no auge da festa de casamento, foram derrotados. Escaparam alguns guerreiros, entre eles, Maú e Catuíra. O velho Andaia, depois de preso, teve restituída sua liberdade em respeito à sua bravura. Iboapi teria seguido Pamplona até Vila Rica, onde - conta à lenda - morreu cheio de saudade e remorsos pela destruição de sua valente tribo.


In: Roteiro Araxá

 

Enviar link