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Ouro Preto

Antologia de Ouro Preto

Ouro Preto
                      Olavo Bilac


O ouro fulvo do ocaso, as velhas casas cobre;
Sangram, em laivos de ouro, as minas, que a ambição,
Na torturada entranha, abriu da terra nobre;
E cada  cicatriz, brilha como um brazão.


O Angelus, plange ao longe em doloroso dobre;
O último ouro do sol, morre na cerração;
E, austero, amortalhando a urbe gloriosa e pobre,
O crepúsculo cái, como uma extrema unção.


Agora, para além do cerro, o céu parece
Feito de um ouro ancião, que o tempo enegreceu...
A neblina, roçando o chão, cicia, em prece,


Como uma procissão espectral que se move...
Dobra o sino...Soluça um verso de Dirceu...
Sôbre a triste Ouro Preto, o ouro dos astros chove!

 

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