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São João del-Rei

A Linguagem dos Sinos

São João del-Rei sempre foi conhecida como a terra onde os sinos falam. Com seus toques ou dobrados, os sinos mantém uma linguagem peculiar de grande riqueza no que se refere às modalidades e significados, ainda conhecida de muitos sanjoanenses. Pequenos, médios e grandes, com sons e timbre variados, os sinos estão sempre transmitindo mensagens. Pelo repique, dobre ou toques, sabe-se qual solenidade irá acontecer, local, se haverá procissão, hora de missa, e quem será o celebrante.


Nos dobres fúnebres fica-se sabendo se a pessoa falecida era homem ou mulher e até mesmo o horário do funeral. A linguagem dos sinos de São João del-Rei possui as modalidades de toque: dobre simples (quando o sino cai pelo lado em que está encostado o badalo, ocasionando uma só pancada em cada movimento);dobre duplo (quando o sino cai pelo lado contrário em que está encostado o badalo, ocasionando duas pancadas em cada movimento);repiques (quando o movimento é feito somente pelo bater do badalo, com o sino parado).


Os toques registram:


Avisos de missas: meia hora e quinze minutos antes da hora marcada para a celebração é dado o sinal no sino pequeno, em pancadas seguidas. No final de cada toque de entrada, as pancadas espaçadas indicam quem será o celebrante; se for missa festiva, repique depois da entrada e no final, a indicação de quem vai celebrar.


Se houver sermão em missa cantada, há dobre do sino grande, na hora da consagração uma pancada em cada sino, na hora da elevação, repique ligeiro, havendo benção do Santíssimo, em qualquer situação, haverá repique no meio do 'Tantum-Ergo' e repique ligeiro e baixo durante a benção.


Novenas e mês de maio - repique às 12h, 15h e 18h. Terminando o ato repique, e depois o toque de 'almas' no sino grande, nove pancadas espaçadas.


Chamadas de irmãos - para enterros ou procissões, dezoito ou mais, no sino grande, para eleições ou definitórios, nove pancadas no sino grande, uma hora, trinta minutos e quinze minutos antes do horário estabelecido.


Festa em homenagem aos santos - na véspera da festa de um santo que vai ser homenageado, repique às 20h, na hora da missa e do liberta-me, dobre.


Enterro de irmãos - homens, três dobres de uma pancada, mulheres, dois dobres de uma pancada; crianças de menos de sete anos, repique festivo na hora do enterro.


Se o homem foi mesário, dobre na hora em que se tomou conhecimento do falecimento e na hora do enterro; três dobres de duas pancadas; se a mulher foi mesária, dois dobres duas pancadas; se o irmão prestou grandes serviços à ordem ou irmandade, dobres de uma em uma hora, a critério da mesa; falecimento do Papa, dobre de hora em hora; falecimento do Bispo, dobres de três em três horas, falecimento do vigário, dobre de quatro em quatro horas, falecimento do padre, cinco dobres comuns. Os dobres para Papa, Bispo e Vigário, são feitos em sentido contrário, isto é: começam pelo sino grande, prosseguindo pelo médio e terminando no pequeno.


Agonia - no sino da Ordem ou Irmandade onde o moribundo é irmão, nove pancadas no sino médio bem espaçadas de quinze em quinze minutos.


Incêndio - rebate pancadas no sino grande, seguido do médio com pequenos intervalos.


Natal - no dia 24, às 22h dobres, às 23h e 23h30 entrada. Finda a missa, repique.


Passagem de ano - havendo missa, obedece-se às mesmas disposições do dia de Natal.


Quaresma - na igreja onde houver via sacra, dobre às 15h e 18h, uma pancada no sino médio, durante a via sacra, uma pancada no sino médio cada vez que mudar de estação, na décima estação, três dobres indicando a morte de Cristo.


Festa de Passos - na sexta-feira das dores, às 5h15.


Matinas - nove pancadas nos sinos grandes dos Passos e do Carmo, seguidas de dobres; ao meio dia, 15h e 18h na hora da procissão, dobre. No momento em que a imagem sai da Igreja, o sino dobra mais rapidamente, no domingo do encontro, repetem-se novamente nas igrejas do Pilar, Carmo e São Francisco; ao meio dia, dobre nas três igrejas, às 16:30h, toque de chamada de irmãos para a procissão das 17h; na saída da procissão, dobres nas igrejas do Carmo e São Francisco.


Semana Santa - na quinta-feira santa, depois da glória da missa da instituição a Eucaristia até o glória da Ressurreição, nenhum sino toca, seja qual for o motivo, na Ressurreição tocam os de todas as igrejas  toques festivos.


Festa da Boa Morte - no final da última novena, 13 de agosto, toque de matinas de Nossa Senhora, repiques: Senhora é Morta. Esse repique é usado até o dia 15 de agosto, Assunção de Nossa Senhora, com repiques festivos em todos os sinos da Catedral.


Toque de Parto - nove pancadas no sino médio da Igreja de Nossa Senhora das Mercês, de meia em meia hora até a hora do nascimento.


Ângelus - nove pancadas no sino do sacramento às 18h, diariamente.


Almas - nove pancadas no sino das almas às 20h, diariamente.


Ave Maria - nove pancadas no sino das almas às 21h espaçadamente. Da ressurreição até Corpus Christi, os toques de Ângelus, almas e Ave Maria serão dados pelos sinos do sacramento, pequeno e grande, com dois badalos de uma só vez.


Chamada de Sineiro e Sacristão - três pancadas no sino pequeno, espaçadas, diversas vezes até ser atendido.


Relembrando a Morte do Senhor - um dos dobres que tem desafiado a ação do tempo e que faz lembrar a morte do Senhor. Todas as sextas-feiras às 15h, o sino dos Passos anuncia a hora da morte de Jesus. Ao ouvir o dobre, os sanjoanenses se benzem e em algumas casas ainda permanece o costume de se queimar incenso.

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