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Nova Lima

Mina do Morro Velho

A mineração do ouro em Minas Gerais no século 19 foi marcada pela presença das companhias inglesas que se estabeleceram em Minas a partir das décadas de 20 e 30. Em 1834, a Saint John del Rey Minning Company assumiu a administração da mina do Morro Velho. Considerada na época decadente, tornou-se o investimento inglês mais lucrativo na América Latina do século.


Em 1850, atingiu a produção de 1 tonelada e manteve essa produção até 1867. Em 1879, produziu 83% de todo o ouro explorado em Minas de propriedade de ingleses. Um historiador, recentemente, concluiu que o sucesso da exploração na Mina do Morro Velho se deve mais à organização racional dos recursos humanos do que a seu avanço tecnológico.


Embora os ingleses não estivessem na ponta da tecnologia da mineração do ouro no século 19
, com certeza estavam em um nível acima da mineração exercida pelos mineiros. O atraso era tão grande que as inovações trazidas por eles resultaram em ganhos de produtividade. As modificações técnicas que trouxeram para o setor foram: a pólvora, a amalgamação por mercúrio, a ventilação no interior das minas, o transporte do minério por vagonetes e caçambas movidas por roda d’água, a redução do minério por pilões movidos por força hidráulica.


A atividade mineradora contribuiu para movimentar a economia local, pois, para sustentar as atividades, eram necessários: madeira para escoramento, carvão, pólvora, tecido de algodão, óleo e velas para a iluminação, couro, tijolos, lenha, cal, sabão, alimentos e  instrumentos como ferragens, brocas, cravos, cabeças de pilão, fornecidos pela fundição dirigida por Jean Monlevade, que foi a mais bem-sucedida fábrica de ferro durante o período.


O Brasil foi o maior produtor mundial de ouro durante o século 18, com a soma de 60% do ouro minerado no mundo. No século 19, perde a posição pelas descobertas das minas na Califórnia, na Austrália, na África do Sul e no Alasca. De 1801 a 1850, a produção brasileira foi de 18,6% da produção mundial e, de 1851 a 1900, caiu para 1,6%.


Com as atividades da Morro Velho, várias inovações aconteceram: o ribeirão de Congonhas foi desviado para serviços de escoamento da mina; instalaram-se o Hotel Congonhense; o armazém Alexander & Filhos, que fabricava cerveja; o rancho Melo & Cia; o primeiro hospital do local; capelas anglicana e católica; uma biblioteca com 900 volumes e uma escola para os filhos dos europeus. A Casa Grande do padre Freitas foi transformada na sede administrativa da companhia inglesa.


Dois grandes acidentes aconteceram no século 19, ou seja, um incêndio no interior da mina em 1867 e o deslocamento de uma grande pedra em 1882, que soterrou operários e obstruiu galerias.


Após o segundo acidente, o engenheiro recém-formado George Chalmers assumiu a administração da mina. Chalmers realizou uma gestão modernizante com a reestruturação dos serviços, aquisição de novo maquinário, aprofundamento de poços, represamento do rio do Peixe para geração de energia elétrica, construção de linha para o trem elétrico e sistema de refrigeração.


Após a Abolição da Escravatura, chegaram novos trabalhadores para a Morro Velho – italianos e espanhóis –; iniciava-se a época da imigração estrangeira no Brasil.


Durante a Segunda Guerra Mundial, muitos ingleses retornaram para a Europa para se alistarem no exército britânico.


Em 1954, a empresa americana, The Hanna Company, assumiu o controle da Saint John del Rey Minning Company e criou a Companhia de Mineração Novalimense para explorar o minério de ferro. Na década de 60, foi criada uma unidade específica para negócios com ouro, a Mineração Morro Velho. Depois o controle acionário passou para o Unibanco, o Banco Bozano Simonsen e a Anglo American Corporation.


Em 1996, a empresa passa a ser controlada exclusivamente pela Minorco Gold Ltda. Em 1999, a AngloGold, líder mundial em negócios com ouro, assumiu a Mineração Morro Velho, que hoje é subsidiária da AngloGold South America.


A mina do Morro Velho, conhecida também como Mina Velha, funcionou por 278 anos, produziu mais de 570 toneladas de ouro e encerrou suas atividades no dia 31 de outubro de 2003. A chamada Mina Grande, que chegou a atingir 2.700 metros de profundidade, já havia encerrado as atividades em 1995. Apesar do encerramento das atividades das minas, a sede da AngloGold Ashanti na América do Sul fica em Nova Lima, de onde controla três das principais minas produtoras do País: Cuiabá e Córrego do Sítio (MG) e Serra Grande (GO).

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