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A planta de Belo Horizonte

Foi muito grande o contraste entre a nova capital e as antigas vilas coloniais mineiras nascidas das necessidades das populações do século 18 e que se desenvolveram sem nenhum planejamento. A futura capital seria inovadora, moderna e progressista. Assim, o projeto urbanístico que o engenheiro paraense Aarão Reis elaborou para Belo Horizonte causou curiosidade e entusiasmo.


“Foi idealizada uma cidade rigidamente geométrica, funcional, limpa saudável, constituída de parques e áreas verdes, ventilada e iluminada... O pensamento dominante era de que os valores artísticos e as heranças do passado deveriam ser substituídos por uma arquitetura racional e moderna.” (PLAMBEL,  A Estrutura Urbana da RMBH)


A cidade foi dividida em três zonas que totalizavam  102,4 Km2 :

- Zona Urbana  -  8,8 Km2

- Zona suburbana -  24,9 Km2

- Área  de sítios -  17,5 Km2


Zona urbana:
corresponde à área central. É a área principal que mereceu de Aarão Reis um  cuidadoso planejamento. Esta área foi delimitada pela Avenida 17 de dezembro, conforme consta na planta original, hoje, denominada Av. do Contorno. Dentro dela se desenvolveram as ruas, avenidas e praças definidas em inovador traçado.


Zona suburbana:
corresponde à área que circunda a Avenida do Contorno. Esta área, que não mereceu os mesmos cuidados da zona urbana, é composta de quarteirões irregulares e grandes lotes. Hoje, ela corresponde aos bairros mais antigos da cidade como Floresta, Lagoinha e Santa Efigênia.


Área de Sítios: corresponde à área que circundava a Zona suburbana. Era destinada à produção de hortigranjeiros, com o objetivo de abastecer as outras zonas.


A  ZONA URBANA 
“Limitada pela avenida do Contorno e tendo como eixo monumental a avenida Afonso Pena, a zona urbana tem um traçado do tipo ortogonal-radial. È bem provável que, por influências externas e pretéritas, Aarão Reis tenha definido para Belo Horizonte o popularmente conhecido traçado “em xadrez”. (BH Verso e Reverso) 


A zona é dividida e composta por 14 seções. As seções são compostas de quarteirões que possuem geralmente 120 x 120 metros. Cada quarteirão possuiu 20 lotes em média, que medem cerca de 600 m2. As ruas, com largura de 20 metros, cruzam-se em ângulos retos (sistema ortogonal) na direção norte-sul e leste-oeste. As avenidas, com 35 metros de largura, cortam as    ruas em ângulos de 45º (sistema diagonal) e correm no sentido nordeste-sudoeste ou noroeste-sudoeste.  


Eram no total: 24 praças, 22 avenidas e 67 ruas.


AS DENOMINAÇÕES DAS RUAS
 
É digno de atenção observar os nomes que foram dados às ruas de Belo Horizonte: estados brasileiros, tribos indígenas, rios etc. Mencioná-los era uma verdadeira aula de Estudo Sociais. Era, inclusive, uma forma de ensinar a população, ainda carente de ensino formal.


Ruas


“Sem a vastidão da Avenida, onde a alma provinciana ainda não se acomodava, contentando-se de admirá-la, a Rua da Bahia era aquele trecho o lado feérico dos habitantes, a fantasia, a inquietação. Quem desejasse um cigarro de fumo fresco ou extravagância de um charuto, ia para lá. Quem desejasse um bilhete de loteria – você ainda era criança e Giacomo já vendia sortes grandes – ia para lá. Quem sentisse um súbito desejo de sorvete, uma tentação de chope, um alvoroço de empadinha quente, um arrepio de moça bonita, um abismo de mulher casada, uma nostalgia de livro francês, ia tudo para lá.
  (Paulo Mendes Campos)


Nomes dos estados brasileiros -
Contemplam as ruas que vão do centro comercial à região dos funcionários. As ruas seguem uma seqüência pelo mapa do Brasil. Exemplos: Rua São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e assim por diante elas vão se sucedendo. As ruas em homenagem aos estados do Paraná e do Amazonas ganharam o nome das respectivas capitais. Assim, abaixo da Rua São Paulo temos a Rua Curitiba e acima da Rua Grão Pará, a rua Manaus. O motivo de essas ruas possuírem nomes das capitais dos dois estados é que a maior parte das avenidas ganhou nome dos grandes rios brasileiros, dentre elas, os rios Paraná e Amazonas.


Nomes de tribos indígenas
- Muitas ruas que cruzam as que têm nomes de estados ganharam nomes de tribos indígenas. Exemplos: ruas Tupinambás, Tamoios, Guarani, Guajajaras, Timbiras, Aimorés, Caetés, etc.


“Gosto da rua Caetés, a rua mais interessante da cidade. Rua de bigodes e gritos joviais, de pequeninos arranha-céus e de grandes laranjas amadurecendo em caixotes. Rua de sedas e vitrolas. Elegante. Popular. Nossa.


E depois, é também a rua mais camarada de todas: sempre disposta a fazer uma diferença, para você ficar freguês...”
(Carlos Drummond de Andrade)   


Nomes de personagens
– Diversas ruas e algumas avenidas receberam nomes personagens históricos eleitos pela comissão construtora e pelo governo mineiro para serem homenageados. Exemplos: Rua Cláudio Manuel, Fernandes Tourinho, Tomé de Souza, Gonçalves Dias, Av. Álvares Cabral, etc. Estas ruas estão na região que compreende os bairros de Lourdes, Savassi e Funcionários.  


Avenidas


Rios brasileiros -
Os grandes rios brasileiros nomearam quase todas as avenidas. Avenidas Tocantins, São Francisco, Paraobeba, Araguaia e outras. Com o passar dos anos as avenidas foram tendo seus nomes trocados para homenagear políticos. Apenas a Avenida Paraná e a Avenida Amazonas mantiveram os nomes. 


Personagens -
A Avenida Afonso Pena projetada para ser a artéria principal possui 50 metros de largura. Tinha como objetivo direcionar o crescimento da cidade, no sentido do centro para a periferia. “Apenas é uma das avenidas – que corta a zona urbana de norte a sul, e é destinada à ligação dos bairros oppostos – dei a largura de 50m, para constituí-la em centro obrigado da cidade e, assim, forçar a população, quanto possível, a ir-se desenvolvendo do centro para a peripheria, como convém à economia municipal, à manutenção da hygiene sanitária, e ao prosseguimento regular dos trabalhos techinicos.” (Aarão Reis, 1895).


Esta avenida foi a única a homenagear um político que estava vivo. Afonso Pena foi homenageado por ter sido o presidente de estado que nomeou a comissão construtora e deu início às obras. Também foi homenageado Álvares Cabral. 


Praças


As praças foram nomeadas com datas cívicas: 7 de Setembro, 12 de Outubro, 14 de Setembro, 13 de Maio.


Em 1922, aconteceram grandes comemorações pelo centenário da Independência do Brasil. Decidiu-se, então, fazer um monumento para celebrar o acontecimento. O local escolhido para abrigá-lo foi a principal praça da cidade – 12 de outubro.  Como acharam inadequado um monumento em homenagem ao centenário da independência em uma praça chamada 12 de Outubro, realizaram a troca dos nomes. A 12 de Outubro passou a se chamar 7 de  Setembro e vice-versa. A Praça que passou a se chamar 12 de Outubro, chama-se hoje Benjamim Guimarães, mas, popularmente, é conhecida por Praça ABC.


Nome original
                               Nome atual

Praça 7 de Setembro/                  Praça Benjamim Guimarães (Praça ABC)

Praça 12 de Outubro 

Praça 12 de Outubro                     Praça 7 de Setembro

Praça 4 de Setembro                    Praça da Raul Soares

Praça da República                       Praça Afonso Arinos

Praça 14 de Fevereiro                  Praça Rio Branco

Praça 13 de Maio                          Praça Diogo de Vasconcelos (Praça da Savassi)

Praça 15 de Novembro                 Praça Hugo Werneck

Praça do Progresso                      Praça João Pessoa

Praça do Cruzeiro                          Praça Milton Campos

Praça 14 de Setembro                  Praça Raul Soares

Praça da Estação                           Praça Rui Barbosa

Praça 21 de Abril                            Praça Tiradentes

Largo da Boa Viagem                    Praça Dom Cabral


As avenidas que tiveram seus nomes modificados


 
Nome original                         Nome atual

Nomes de rios                    

 Paraúna                                    Getúlio Vargas

 Araguaia                                   Francisco Sales

 Tocantins                                  Assis Chateaubriand

 São Francisco                          Olegário Maciel

 Paraibuna                                 Bernardo Monteiro

 Paraopeba                                Augusto de Lima


Outras denominações

 17 de dezembro                       Contorno

 Itacolomi                                    Barbacena

 Comércio                                  Santos Dumont

 Mantiqueira                               Alfredo Balena

 Liberdade                                 João Pinheiro

 Parque                                       Pasteur

Cristóvão Colombo                   Quatro quarteirões permaneceram com o nome de Cristóvão Colombo. Os outros dez quarteirões passaram a se chamar Bias Fortes.


Avenidas que permaneceram com as denominações originais

Afonso Pena

Álvares Cabral

Amazonas

Brasil

Carandaí

Paraná


Ruas que tiveram seus modificados

 Nome Original                        Nome  atual

 Barbacena                                Tenente Rui Brito Mello

 Borba Gato                               Professor Francisco Brant

 Emboabas                                Rodrigues Caldas – Professor Antônio Aleixo

 Felipe dos Santos                    Felipe dos Santos – Matias Cardoso

 Liberdade                                  Levindo Lopes

 Paraibuna                                  Professor Moraes

 Timbiras - Jequitinhonha         Timbiras

 Tomás Gonzaga                       Tomás Gonzaga – Martim de Carvalho

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