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Congonhas

Jonas

© Sérgio Freitas Congonhas - Profeta Jonas - Sérgio Freitas Profeta Jonas

Ocupando posição simétrica à de Joel, no ponto de encontro dos muros que formam o parapeito de entrada do Adro à esquerda, encontra-se a imagem do Profeta Jonas. Para o mais popular dos profetas menores, Aleijadinho reservou lugar de destaque, colocando-o junto de Daniel.


A recusa de Jonas a Javé, não indo pregar em Nínive, sua vida aventurosa e o episódio do castigo sob a forma de permanência no ventre da Baleia, sempre exerceram forte poder de atração sobre os artistas de todas as épocas. Jonas e Daniel não apenas estão lado a lado em Congonhas, como também destacam-se dos demais profetas por serem os únicos a apresentarem atributos iconográficos específicos. Daniel tem a seus pés um leão, enquanto Jonas traz consigo um animal marinho.


O Profeta sustenta na mão direita o filactério, em cuja inscrição lê-se: 'Engolido por uma baleia, permaneço três dias e três noites no ventre do peixe; depois venho à Nínive. Jonas, cap.2'.


A estátua de Jonas repete o mesmo padrão iconográfico anteriormente usado para as imagens de Jeremias, Ezequiel, Oséias e Joel. Sua fisionomia, entretanto, apresenta traços distintos, como a boca entreaberta com os dentes aparentes e a cabeça voltada para o alto. O vestuário de Jonas se constitui numa espécie de batina, com colarinho, abotoada até a cintura, onde é presa com uma faixa. O profeta traz também um manto jogado sobre o ombro esquerdo e o habitual turbante em forma de mitra com abas retorcidas.


A estátua parece ter recebido de Aleijadinho o mesmo cuidado especial dispensado a Daniel. Não se nota qualquer traço indicador da intervenção do 'Atelier'. Acham-se reunidas nesta peça dois aspectos essenciais de seu gênio criador: a capacidade de expressão dramática que caracteriza a visão frontal da estátua e o ornamento visível na parte posterior, onde a silhueta sinuosa da baleia, com cauda e barbatanas, parece emergir de um chafariz rococó.


In: Cidade dos Profetas, Sexta edição, dezembro de 2001.   

© Maria Lucia Dornas Congonhas - Jonas - Maria Lucia Dornas Jonas