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Amós

© Sérgio Freitas Congonhas - Profeta Amós - Sérgio Freitas Profeta Amós

No ponto extremo do Adro, à esquerda, na parte superior do arco de circunferência que une os muros extremos dianteiro e laterais do Santuário, encontra-se a imagem do Profeta Amós, que viveu no século 18 a.C. e é talvez o mais antigo dos profetas de Israel que tenha deixado textos escritos. Antes de ser chamado pelo Senhor para o ministério profético, foi, segundo suas próprias palavras, o primeiro pastor na região de Belém. Seu estilo é simples e enérgico, utilizando com frequência imagens tomadas da natureza e da vida pastoral.


A expressão 'vacas gordas', inscrita no filactério, denota essa característica do Profeta. O texto completo da inscrição, sintetiza alguns traços marcantes da biografia e textos do Profeta Amós:


'Feito primeiro pastor, e em seguida Profeta, dirijo-me contra as vacas gordas e os chefes de Israel. Amós, cap1'.


Amós difere totalmente dos demais profetas do conjunto do Santuário do Senhor Bom Jesus de Congonhas, e essa diferença se faz notar tanto no tipo físico, quanto na indumentária. Seu rosto largo e imberbe tem a expressão calma, quase bonachona, como convém a um homem do campo. Suas vestes condizem com a sua condição de pastor.


Na estátua, Amós está vestido com uma espécie de casaco debruado de pele de carneiro, e traz na cabeça um gorro, de forma semelhante ao que usam até hoje camponeses portugueses de várias regiões.


Dada a grande altura do muro do Adro em que está posicionada, a escultura parece ter sido concebida para ser vista pelo lado esquerdo, já que o lado direito dela apresenta deformações, como, por exemplo, a omissão da perna da calça deste lado.


Mas essa omissão, que pode ter sido proposital, não diminui a grandeza e expressividade da imagem do Profeta Amós, que deve ter recebido atenção especial de Aleijadinho. Como a estátua de Daniel, trata-se de uma peça monolítica, apenas com uma pequena emenda na parte superior do gorro.


In: Cidade dos Profetas, Sexta edição, dezembro de 2001.   

© Maria Lucia Dornas Congonhas - Amós - Maria Lucia Dornas Amós