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Ouro Preto

Maria Dorotéia Joaquina de Seixas

Marília de Dirceu


Maria Dorotéia Joaquina de Seixas


Cronologia
Nasceu: 1767
Faleceu: 9 de fevereiro de 1853
Filiação: Baltazar João Mayrink – Capitão do Regimento de Cavalaria.
Natural de Vila Rica (Ouro Preto)/MG


Trajetória de Vida
A história de Maria Dorotéia Joaquina de Seixas possui uma escassa documentação, porém, o pouco que se sabe está envolta em lendas e estórias. Maria Dorotéia ficou imortalizada pelas liras supostamente a ela dedicadas, e que compõem a obra “Marília de Dirceu”.


Para o historiador Tarquínio de Oliveira, grande estudioso das “Cartas Chilenas”, de
Tomás Antônio Gonzaga , a pessoa a quem o Ouvidor e poeta dedicou seus versos era, na verdade, uma abastada viúva de Vila Rica, Maria Joaquina Anselma de Figueiredo, que também teria sido o motivo de inimizade de Tomás com o governador Luís da Cunha Meneses. Este lhe teria tomado a amante. Maria Joaquina seria também a “Nise” das “Cartas Chilenas”. As Cartas são anteriores ao namoro com Maria Dorotéia. Por isso, a “Marília” nelas citadas, segundo Tarquínio, não se refere à Maria Dorotéia.


Eduardo Frieiro aborda a questão da conveniência que seria o casamento para os dois lados. “Mas chegara a ocasião de tomar estado, uma vez assentada a sua vida no Brasil. Os namoros e as aventuras galantes mais ou menos duráveis já não convinham à sua condição de magistrado nem à sua idade”.  E acrescenta, “fariam os dois, enfim, um casamento tipicamente burguês, no qual a realização do anelo amoroso é motivo de segunda ordem e mesmo desnecessário”.

“Enquanto resolver os meus consultos,

 tu me farás gostosa companhia,

lendo os fastos da sábia, mestra História,

e os cantos da poesia.

Lerás em voz alta, a imagem bela;

eu, vendo que lhe dás o justo apreço,

gostoso tornarei a ler de novo

o cansado processo.



Mas, Frieiro também nos dá uma versão romântica do amor de Tomás por Maria Dorotéia; conta-nos, por exemplo, os flertes do casal durante as cerimônias religiosas na Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Segundo este historiador, Maria Dorotéia teria sido criada por seu tio, o Tenente-Coronel Ferrão, ajudante-de-ordem do Governador.


Maria Dorotéia Joaquina de Seixas teve filhos? Bem, os que gostavam de zelar pela memória da musa de Gonzaga não admitiam essa idéia e diziam que o filho atribuído a Marília, na realidade, era de sua irmã mais nova, Emereciana, com o Tenente Coronel Manoel Teixeira Queiroga. “Conta-se  que, a fim de proteger o nome da jovem – que dera à luz secretamente numa fazenda – a família executou o plano de abandonar o recém-nascido como enjeitado à porta de gente amiga, a fim de faciltar a adoção da criança por Marília. Desse modo viveria Anacleto junto da tia e da mãe, ficando salvas as aparências. E assim foi feito”. (Lúcia M.  de Almeida).


Há os que não acreditavam em versões tão românticas e aceitavam o fato que Maria Dorotéia teve filhos. O viajante inglês, Richard Burton, registrou nos seus escritos sobre Ouro Preto as estórias maledicentes que corriam na cidade sobre Marília: ‘três filhos louros, de olhos azuis, oriundos do concubinato com um certo doutor Queiroga, ouvidor de Ouro Preto “.


O Jornal do Comércio, de 18 de janeiro de 1893, publicava o seguinte telegrama: “Ouro Preto, 17 de janeiro. Faleceu o major Pedro Queiroga, neto de Marília de Dirceu, vítima de lesão cardíaca. Era oficial maior aposentado na Secretaria do Interior, dotado de inteligência e por todos respeitados”.


No diário de viagem de D. Pedro II, existe o seguinte relato: “19 de abril... Segui até o chafariz da Ponte para ver a neta de Marília de Dirceu (sic), mulher de Carlos de Andrade, que fica perto. Apareceu à janela. É elegante e graciosa, porém não é beleza, tem ares de inteligente”.


Os que cultuavam a imagem de uma Marília casta como o professor Tomás da Silva Brandão, que chegou a escrever uma obra em desagravo à memória de Marília, alegavam que esses netos eram adotivos. 


Fiel ou não a seu noivo, que ao chegar à África esqueceu-se de sua noiva das Minas Gerais, casando-se com Juliana Mascarenhas, Marília se tornou na cultura brasileira símbolo de romantismo e amores perdidos, e  tornou-se, para muitos, inspiração.  


Homenagem
Em homenagem seu nome foi dado:
­Á estação da Companhia Paulista de Estrada de Ferro que originou a cidade de Marília
­A uma escola estadual em Ouro Preto
A uma praça em Belo Horizonte.


Seus restos mortais foram trasladados da Matriz de Nossa Senhora da Conceição para  uma das salas do Museu da Inconfidência - 1955