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Ouro Preto

A Escola de Minas

Escola de Minas

Procurando desenvolver o ensino superior no Brasil, D. Pedro II criou através da lei 2.670, de 20 de outubro de 1876, e do decreto nº 6.026, de 6 de novembro de 1875, a Escola de Minas. O Imperador havia pedido ao diretor da École Nationale Supérieure des Mines, professor Auguste Daubrée, que orientasse a criação de uma escola semelhante no Brasil. Impedido para tal função, o professor Auguste Daubrée recomendou seu ex-aluno, Claude-Henri Gorceix, que acabou sendo o contratado para organizar a primeira escola de Engenharia de Minas do país.De Paris, Daubrée trocava correspondências, avaliava os trabalhos aqui executados e ajudava a selecionar professores. Durante vários anos, foi uma espécie de consultor para assuntos da escola junto a Gorceix e D.Pedro II.


Ao chegar ao Brasil, Claude Henri-Gorceix visitou diversas cidades em busca do local ideal para ser a sede da futura escola. Ouro Preto, na época, capital da Província de Minas Gerais, foi a escolhida. Em uma correspondência para o Imperador, dizia: “em muito pequena extensão de terreno pode-se acompanhar a série quase completa de rochas metamórficas... e todos os arredores da cidade se prestam a excursões mineralógicas proveitosas e interessantes. A este respeito considero Ouro Preto com notáveis vantagens sobre as outras, encontrando-se em uma situação relativamente favorável ao estabelecimento da Escola de Minas”. Contava também o fato de Ouro Preto sediar a Escola de Farmácia, que possuía um laboratório de física e uma pequena biblioteca. “Seria sempre a idéia fundamental que Gorceix não deixaria de proclamar: a Escola de Ouro Preto destinava-se essencialmente a formar “engenheiros de minas”, era uma Escola de Mineiros”. (Margarida R. Lima)


Apesar do total apoio de D.Pedro II, o professor Gorceix teve sérios problemas para a instalação da Escola. Os documentos referentes às instruções e os programas de curso delongavam-se na burocracia imperial. Em sua ânsia de iniciar os trabalhos, Gorceix escreve ao Imperador: “a intervenção de Vossa Majestade é o único instrumento favorável para a salvação da Escola. Sem ela, não teremos nem mestres e nem alunos, e uma idéia tão boa e tão útil permanecerá estéril e sem aplicação”. E um mês após essa correspondência era obrigado a escrever mais uma vez: “com muita tristeza e desânimo tenho a honra de me dirigir, novamente, a Vossa Majestade, a respeito dos problemas da Escola de Minas que não progrediram nada. Todos os pedidos ao Ministério permaneceram sem respostas. A data prevista para a inscrição dos candidatos já foi ultrapassada e não pode ser cumprida, visto que nenhuma publicação foi feita... Apesar de minha insistência junto ao Ministro nada me foi transmitido”.


Outros graves problemas eram: a falta de corpo docente e de alunos. Para “conseguir” alunos, Henri Gorceix foi ao Rio de Janeiro fazer uma palestra para “atrair a atenção sobre as minas de Ouro Preto”. Conseguiu quatro alunos! Depois de muitas buscas, conseguiu formar seu corpo docente. Para a cátedra de Exploração de Minas e Geometria Descritiva, Auguste Daubrée conseguiu contratar Armand de Bovet. Para Assistente de Geologia e Mineralogia, Rocha Medrado, que sob a responsabilidade de Gorceix também assumiu o Ensino de Mecânica, enquanto não era contratado um professor francês. A Física e a Química ficaram sob a responsabilidade de Leônidas Botelho Damázio.


Em 12 de outubro de 1876, era inaugurada a Escola de Minas.Em seu discurso, Claude-Henri Gorceix dizia: “para trilhar pela senda do progresso da civilização, têm os povos mais hoje do que nunca necessidade de extrair do solo pátrio todas as riquezas que este contenha. Entre estas riquezas, as que estão escondidas no solo, quase sempre são as mais difíceis de descobrir e utilizar. Para que a pesquisa destas riquezas seja frutuosa, para que as descobertas possam ser exploradas no país com vantagem e fazer nascer as industrias que alimentam, é necessário que haja homens capazes de dirigir tais trabalhos, homens que conheçam os processos científicos não só relativos à exploração do solo como também os trabalhos metalúrgicos, em uma palavra engenheiros de minas; e d’ahi a necessidade da criação de uma Escola em que eles possam aprender os processos da ciência”. No dia seguinte, Gorceix ministrava sua primeira aula.


Para a segunda seleção de alunos, quando Gorceix chegou ao Rio de Janeiro não havia nenhum aluno inscrito. Mas acabou por conquistar cinco alunos. O que o diretor conseguiu concluir é que havia a necessidade de acrescentar à Escola um curso preparatório, medida em vigor na Escola de Minas de Paris. O Imperador respondia positivamente ao pedido: “uma escola preparatória como o senhor a propõe só pode prestar serviços à minha pátria e de modo particular à Província de Minas”.  Em 12 de setembro de 1877, foi criado, a “título provisório”, o curso preparatório. A idéia de Gorceix começou obtendo ótimos resultados, dez alunos se matricularam. Os mesmos professores da Escola de Minas lecionavam no curso preparatório, o que causava uma sobrecarga de trabalho já que o corpo docente era incompleto.


Com o tempo, a Escola de Minas foi ganhando credibilidade e alguns professores franceses aceitaram o desafio de vir lecionar no Brasil. E, quatro anos depois, já eram trinta alunos em curso. Junto com a Escola Politécnica, do Rio de Janeiro, foi o principal centro de formação de técnicos para a indústria no país.


Com o fim do Império, Henri Gorceix fica em uma situação delicada, pois era forte a sua ligação com o Imperador. Todos os alunos e a maioria dos professores eram favoráveis à República. Uma campanha surda começou dentro da Escola contra o seu diretor. Em 14 de outubro de 1891, pediu demissão do seu cargo de diretor e professor da Escola de Minas.


O lema da Escola é : “Cum mente et malleo” - com a mente e o martelo, ou seja, com a inteligência  e com o  martelo, que é um dos instrumentos de pesquisa do engenheiro de minas.


Pelo decreto nº 788, de 21 de agosto de 1969, a Escola de Minas passou a ser uma das unidades da Universidade Federal de Ouro Preto, a UFOP.  Em 15 de outubro de 1995, os departamentos da Escola de Minas foram transferidos para as novas instalações no Campus da UFOP, no Morro do Cruzeiro.