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Gruta do Maquiné

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 “E, mais do que tudo, a Gruta do Maquine - tão inesperadamente grande, com seus sete salões encobertos, diversos, seus enfeites de tantas cores e tantos formatos de sonho, rebrilhando risos de luz – ali dentro a gente se esquecia numa admiração esquisita, mais forte que o juízo de cada um, com mais glória resplandecente do que uma festa, do que uma igreja.”  Guimarães Rosa


Considerada o berço da paleontologia brasileira, a Gruta do Maquiné foi descoberta em 1825  pelo fazendeiro Joaquim Maria Maquiné, mas explorada cientificamente pelo naturalista dinamarquês Peter Wilhelm Lund em 1834 .


A Gruta do Maquiné foi utilizada pelo homem pré-histórico como um abrigo. Essas comunidades não tinham o hábito de entrar nas zonas escuras, mas utilizavam as entradas das grutas como áreas protegidas onde realizavam diversas atividades como alimentação, dormitório etc. A existência de pinturas rupestres e de outros vestígios arqueológicos são indicadores desses usos .


A exploração pioneira da gruta deu-se, provavelmente, pela atuação de fazendeiros e moradores da região, que penetravam nas grutas para a extração do salitre, matéria prima necessária para o fabrico de pólvora. A partir de 1834, o naturalista dinamarquês Peter W. Lund realizou estudos paleontológicos nessa gruta, encontrando vários fósseis de mamíferos .


A gruta sempre foi muito procurada por turistas, mas somente em 1967 recebeu investimentos mais expressivos do governo do estado para a implantação de uma infraestrutura adequada que proporcionasse conforto aos visitantes. Foi, portanto, a primeira gruta brasileira a ser preparada para essa atividade .


A Gruta do Maquiné possui aproximadamente 650 metros de galerias e salões, boa parte abertos à visitação pública. Os poucos locais não visitados pelos turistas apresentam algum tipo de dificuldade como teto baixo, pontos muito altos e locais de difícil acesso .


Geologia
 
O fato de a Gruta do Maquiné ter sido formada pela atuação das águas sobre a rocha calcária seria uma boa explicação para o ditado popular “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Devido ao calcário ser uma rocha sedimentar, através da ação milenar das águas se torna possível a formação de vazios subterrâneos conhecidos como grutas, lapas ou cavernas.


Nesses vazios, ocorre a formação de depósitos minerais, especialmente a calcita, que é um carbonato de cálcio. A calcita é geralmente branca ou transparente, tomando tonalidades e cores distintas pelas impurezas e presença de outros minerais .


Esses depósitos minerais recebem a denominação de espeleotemas, que são basicamente os ornamentos minerais encontrados no meio subterrâneo. Os principais espeleotemas são as estalactites (encontradas no teto), estalagmites (encontradas no piso), colunas (quando as estalactites unem-se com as estalagmites), cortinas, escorrimento, represas de travertinos etc. Essas formações podem demorar milhares de anos para se formar, por isso a importância de preservá-las. Quando deparar com um desses espeleotemas úmidos ou com gotas d’água, o visitante pode saber que eles estão em formação, em um crescimento muito lento .


Pelo exposto, pode-se perceber a importância da água para as cavernas. Elas foram responsáveis pelo transporte de minerais que contribuem para a beleza de suas formações .


A vida em uma gruta
  
A ausência de luz e a escassez de alimento fazem com que somente um número muito reduzido de animais consiga sobreviver no interior das grutas. Por esse motivo, pode-se, a princípio, ter-se a impressão de que não existe vida nesses ambientes. Em uma análise mais cuidadosa, pode-se identificar toda uma comunidade de pequenos animais, especialmente grilos e aranhas . 


O morcego também utiliza as grutas como abrigo, sendo muito importante para o equilíbrio ecológico, por ser um dos animais que contribuem para o transporte de matéria orgânica para o interior delas, seja através de suas fezes (cujos depósitos são conhecidos como guano) ou restos alimentares .


Na Gruta do Maquiné, foram encontrados fósseis de animais pré-históricos. Esses animais entraram na gruta fugindo de predadores ou suas ossadas foram levadas pela ação das águas. São importantes depósitos fósseis que somente podem ser removidos por pesquisadores autorizados .


Iluminação

A Gruta do Maquiné conta com um moderno sistema de iluminação implantado pela Cemig em julho de 1999, com o objetivo de realçar a beleza existente no seu interior e proporcionar segurança para os visitantes .


O sistema foi implantado, utilizando-se as mais modernas técnicas de iluminação e levou em conta, também, a necessidade desse sistema não interferir no meio ambiente .


Em julho de 1999, a Cemig entregou o novo sistema de iluminação da gruta para a prefeitura de Cordisburgo, que passou a ter responsabilidade de sua manutenção e operação .


A Gruta possui sete salões explorados e o preparo de iluminação e passarelas possibilitam aos visitantes vislumbrarem, com segurança, as maravilhas de Maquiné, onde todo o percurso é acompanhado por um guia local. Pode-se visitar o Salão do Vestíbulo, o Salão das Colunas, o Salão do Trono, o Salão do Carneiro, o Salão dos Lagos, o Salão das Fadas e o Salão Dr. Lund . 


As câmaras
1ª câmara
Chamada “Vestíbulo”, é totalmente iluminada pela luz exterior que penetra por uma larga abertura. Tem 88 pés de comprimento, 66 de largura e 26 de altura. Elevam-se do solo diversas massas colossais de estalagmites, uma das quais está próxima à entrada. As mais afastadas se reúnem num grupo que sobe até a abóbada e, se confundindo, forma a parede do fundo, onde existem dois grandes blocos de quartzo destacados de uma enorme camada do mesmo mineral, que se vê no calcáreo, justamente acima.


2ª câmara

É denominada “sala das colunas”. Tem 122 pés de comprimento por 74 de largura. À esquerda, perto da entrada, destacam-se massas enormes de estalagmites que se erguem até à abóbada e ligam à parede que separa esta câmara da precedente. Outras massas, indo quase de uma parede à outra, se elevam diante das primeiras, deixando apenas uma pequena descida. A camada de estalagmites aí existente foi perfurada em diversos lugares para extrair a terra salitrosa. Ela contém, aqui e ali, considerável quantidade de pequenas ossadas e de dentes.


3ª câmara

Chamada do “altar ou do trono”, tem 220 pés de comprimento, 116 de largura e 50 pés de altura. Perto da entrada, acha-se ornada da tapeçaria gigantesca de uma estalactite branca de brilho e de beleza extraordinários. Um grupo de estalactites que separa esta câmara da precedente envia um ramo para cada lado e os dois formam entre si um grande nicho disposto em anfiteatro, em cuja entrada vê-se uma figura de 25 pés de altura, representando um urso sobre o pedestal.


4ª câmara

Tem a denominação de “Carneiro”, tem 60 pés de comprimento, 66 de largura e 36 de altura. Distingue-se das precedentes por apresentar o solo em grande parte coberto de montões de gesso em pó. Destaca-se, ainda, nesta sala, além da figura de um carneiro, a figura imponente de um cogumelo atômico.


5ª câmara

denominada “Salão das Piscinas”, tem 78 pés de comprimento, igual largura e 60 pés de altura, formando a parte mais profunda da gruta. O visitante se deslumbra com suas elegantes formas e com a soberba ornamentação de suas paredes. No centro, existe uma grande bacia de 5 pés de profundidade, cujas paredes estão revestidas de rosetas ou delicados cristais de espato calcáreo. Grandes massas de estalagmites ornam as bordas opostas da bacia, assemelham-se a antigas estátuas e concorrem com as paredes artisticamente enfeitadas de estalactites, dando a esta sala notável semelhança com um banho antigo, excedendo-o, porém, nas belezas dos brilhantes cristais que luzem em seus muros.


6ª câmara
Denominada “Salão das Fadas”, tem 108 pés de comprimento e 50 pés de altura. Aí foram encontradas grandes ossadas de animais, inclusive o resto de um megatério (a atual preguiça). Segundo Dr. Lund, “nenhuma outra caverna produzira combinações tão admiravelmente belas como as que se encontram nesta parte da gruta. No fundo há uma passagem para outro compartimento, onde parece se terem reunido todos os esplendores que a formação das estalactites pode produzir. As obras artísticas do mais alto gosto e a mais rica arquitetura são ali produzidas. Aqui, um belo templo surpreende nossa vista; ali, levanta-se um altar; mais longe ergue-se uma colossal coluna de delicado gosto; além, vê-se uma cascata cujo límpido primores da natureza são realçados pelos mais delicados ornatos de formas tão fantásticas, quanto de bom gosto: franjas, grinaldas, frisos e uma infinidade de outros enfeites se apresentam. Toda a câmara e todas as figuras nela existentes estão cobertas de uma crosta de cristais delicados de carbonato de cálcio, ora do mais puro branco, ora diversamente coloridos, realçados por um revestimento brilhante. Os esplêndidos reflexos produzidos pela luz, ferindo as Inúmeras facetas deste cristal deslumbram a vista de modo que o homem se julga transportado a um palácio de fadas. A mais rica imaginação poética não saberia criar tão esplêndida morada para seres maravilhosos; diante desta notável gruta ela seria forçada a confessar a sua impotência.” Os companheiros de Dr. Lund permaneceram muito tempo mudos à entrada deste templo e, involuntariamente, exclamaram: “Milagre! Deus é grande”! Dr. Lund disse: “nunca meus olhos viram nada de mais belo e magnífico nos domínios da natureza e da arte.”.


7ª câmara

É dividida em duas partes: a 7ª A, denominada “Salão Dr. Lund”, que tem 138 pés de comprimento, 72 de largura e 50 pés de altura. Ela desce sempre, formando bacias consideráveis. Esta sala é a mais importante pela quantidade de ossadas que possui. Há, no meio da câmara, uma abertura de 2 pés de largura por 15 pés de profundidade, por onde escoa todo o excesso de água da gruta. Segue a 7ª B, denominada “Salão do Cemitério”. É a maior de toda a gruta. Mede 534 pés de comprimento por 184 pés de largura. É revestida de uma camada quebradiça de estalagmites de gesso em pó que cobre o solo, a qual, por fim, se amontoa até a abóbada. Grandes fragmentos de calcáreo se acha espalhada na maior desordem, com aspectos de mausoléus, o que justifica o nome de cemitério.”

 

Fonte: Histórico da Gruta do Maquine (folder)


*As atividades na Gruta de Maquiné estão provisoriamente suspensas, o que abrange, igualmente, o Museu da Gruta, o Monumento Natural Estadual Peter Lund e todo o comércio local - lojas de souvenir e restaurante.

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