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Santa Luzia

Mosteiro de Macaúbas

  • Santa Luzia - Convento de Macaúbas - Maria Lucia Dornas
  • Santa Luzia - Mosteiro de Macaúbas - Maria Lucia Dornas
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  • Santa Luzia - Mosteiro de Macaúbas - Maria Lucia Dornas
  • Santa Luzia - Altar lateral Capela do Mosteiro de Macaúbas - Maria Lucia Dornas
  • Santa Luzia - Altar lateral Capela do Mosteiro de Macaúbas - Maria Lucia Dornas
  • Santa Luzia - Det. decorativo da Capela do Mosteiro de Macaúbas - Maria Lucia Dornas
  • Santa Luzia - Det. decoartivo da Capela do Mosteiro de Macaúbas - Maria Lucia Dornas
  • Santa Luzia - Entrada Convento de Macaúbas - Maria Lucia Dornas
  • Santa Luzia - Entrada para o Convento de Macaúbas - Maria Lucia Dornas
  • Santa Luzia - Entrada Convento de Macaúbas - Maria Lucia Dornas

O Mosteiro Nossa Senhora da Conceição das Macaúbas possui uma aura de tranquilidade. Entre árvores, palmeiras e macaúbas, o casarão da sede com sua sóbria arquitetura cria uma atmosfera perfeita para recolhimento. Sem dúvida é um dos mais preciosos patrimônios das Minas Gerais.


Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição de Monte Alegre das Macaúbas foi a primeira casa de recolhimento feminino na capitania de Minas Gerais. As casas de recolhimento no Brasil Colônia funcionavam para educar meninas dentro dos princípios religiosos e também ensinavam a ler, escrever, calcular, coser e bordar, enfim, as meninas eram preparadas para um bom casamento. Os recolhimentos também serviam na reabilitação de “madalenas arrependidas”, referência à conduta de Maria Madalena no Novo Testamento e para “guardar” mulheres solteiras e casadas enquanto seus pais ou maridos viajavam. O misto de convento e educandário por muitos anos se ocupou em educar as filhas da elite mineira: “Abrigou viúvas e mulheres casadas que ali buscavam proteção, refúgio e paz, e algumas internadas à força pelos maridos como punição para o adultério.” (Junia Furtado, Chica da Silva e o contratador dos diamantes – o outro lado do mito, 2003)


A educação formal era restrita ao sexo masculino. Macaúbas foi um dos raros locais na Capitania de Minas em que as mulheres podiam ter acesso ao ensino formal. Para as virtuosas moças mineiras existiam duas opções – o casamento ou a vida religiosa.


[...] o Recolhimento de Macaúbas continuou a aceitar meninas e mulheres solteiras, casadas ou viúvas da elite, filhas de uniões legítimas, ou não, de qualidade branca ou parda e que, algumas vezes, se faziam acompanhar por escrevas. Para ingressar na instituição, a recolhida tinha que pagar um dote de novecentos mil-réis, e de propinas para a fábrica da Igreja e sacristia de trezentos mil réis (Dicionário Histórico das Minas Gerais. Romeiro e Botelho, 2003).


A vida no recolhimento exigia padrões de comportamento, isto é, quando a nova interna chegava, as portas se fechavam para o mundo mundano. Era feita a troca de nomes, as roupas eram substituídas pelo hábito de Nossa Senhora da Conceição – vestes brancas e manto azul. Humildade e silêncio estavam entre as novas posturas que deveriam ser adotadas. Falar, “só o que for preciso e necessário, e sempre com modéstia”. O ser na sua totalidade – corpo e alma comungando com os princípios cristãos.


A rígida disciplina às vezes escorregava e os preceitos eram esquecidos. No ano de 1741, uma devassa foi instalada no Recolhimento das Macaúbas e denúncias de internas contra padres foram feitas ao Tribunal do Santo Ofício. Em 1763, o padre Custódio Bernardo Fernandes foi denunciado por três moças; a queixa seria “abraços e boquinhos, peitos para acariciar e ligas para guardar de lembrança”, além de indecorosos convites para visitarem o quarto do eclesiástico.


Setenta mulheres se encontravam no Recolhimento de Macaúbas no ano de 1749. Como senhoras e moças brancas desprezavam os trabalhos domésticos que exigissem esforços, nessa mesma data foram registradas catorze escravas que moravam na instituição para servir as internas. Em 1806, no auge da Casa de Recolhimento, 86 mulheres estavam recolhidas e 185 escravos trabalhavam na mineração, agricultura e atendimento às internas.


Exemplo famoso dessas circunstâncias está ligado à vida de Francisca da Silva de Oliveira, a Chica da Silva, visto que suas nove filhas foram internadas no recolhimento. O contratador, João Fernandes de Oliveira, pai das meninas, pagou a construção de uma nova ala para que elas tivessem mais conforto. Construiu também uma casa para que ele e Chica da Silva se hospedassem durante as visitas.


Apesar do Recolhimento de Sant’Ana, a Casa das Lágrimas, em Minas Novas, ser mais próximo do Tejuco, Chica e João Fernandes escolheram Macaúbas por julgar que esse ofereceria uma educação mais aprimorada para que as meninas se inserissem na elite do Arraial do Tejuco.


Em seu livro, A Inconfidência Mineira – uma síntese factual, Márcio Jardim relata um fato da vida do inconfidente padre Rolim: “Em 1805, já estava no Brasil, passando pelo Retiro das Macaúbas para retirar mulher e filhos; tinha 58 anos de idade...” O padre Rolim viveu em concubinato com Quitéria, filha de Chica da Silva. No período da Inconfidência e do degredo, Quitéria e as cinco meninas, todas filhas de Rolim, foram estrategicamente para o Recolhimento das Macaúbas.


Fala a tradição que o Recolhimento das Macaúbas começou a ser construído em 1733 por iniciativa do devoto Félix Costa, que partiu de Penedo, Alagoas, e viajou por três anos através do rio São Francisco e do Guaicuí. Ao chegar à região de Macaúbas, fundou o recolhimento do Monte Alegre de Nossa Senhora da Conceição das Macaubeiras. Existe também a versão que a madre Antônia da Conceição e o padre Lourenço José de Queiroz Coimbra colaboraram com Félix na organização do local. O construtor da obra teria sido João Alves da Costa.


A construção da capela em homenagem a Nossa Senhora das Dores foi patrocinada pelo contratador do distrito diamantino João Fernandes de Oliveira. A decoração do altar-mor, em tons de azul-celeste e colunas enfeitadas com delicados elementos fitomorfos, lembra a capela de Nossa Senhora da Conceição na fazenda da Vargem, em Mariana, de propriedade de João Fernandes, herdada do pai.


A capela possui talha simples de boa execução com policromia e douramentos. O forro é pintado, e no retábulo-mor está exposto um crucifixo em tamanho natural. A imaginária é de excelente qualidade.


A história quase lendária é a da mística irmã Germana, que passou muitos anos e faleceu no Recolhimento de Macaúbas. Nasceu em Caeté, na 1ª metade do século 19, num casebre ao pé da serra da Piedade. Desde cedo, entrevada, tinha de se arrastar para poder se deslocar. Todas as sextas-feiras, ainda menina, caía em transe e permanecia deitada, com os braços em cruz, rígidos e imobilizados. O povo atribuía a ela méritos de santidade; depois de permanecer por alguns anos na casa paroquial, foi levada para Macaúbas, mas não existem notícias de realização de milagres.


No Império, o Recolhimento das Macaúbas se transformou em convento, e, posteriormente, no primeiro colégio para meninas e moças em Minas Gerais; nessa qualidade funcionou até 1920. A Ordem da Imaculada Conceição – Concepcionistas, fundada pela portuguesa Santa Beatriz da Silva Menezes, assumiu a administração do mosteiro em 1933.


O Mosteiro das Macaúbas oferece hospedagem. É o local perfeito para quem está em busca de um ambiente de quietude e paz.


De segunda-feira a sábado, as missas acontecem às 7 horas da manhã. Nos domingos e dias santos, às 10h30.


O Mosteiro das Macaúbas é tombado pelo IPHAN
Inscrição nº 471
Livro Belas Artes. Fls 86
Data: 08 II 1963

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