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Mariana

Catedral de Nossa Senhora da Assunção - Catedral da Sé

  • Mariana - Capela-mor da Catedral da Sé - Sérgio Freitas
  • Mariana - Anjo - Igreja da Sé - Sérgio Freitas
  • Mariana - Anjo - Igreja da Sé - Sérgio Freitas
  • Mariana - Interior da  Igreja da Sé - Sérgio Freitas
  • Mariana - Forro Capela-mor - Catedral da Sé - Sérgio Freitas
  • Mariana - Órgão Arp. Schintger - Sérgio Freitas
  • Mariana - Órgão Arp-Schintger  ( Catedral da Sé ) - Sérgio Freitas
  • Mariana - Altar lateral dedicado a São José ( Catedral da Sé ) - Sérgio Freitas
  • Mariana - Capela-mor da Catedral da Sé - Sérgio Freitas
  • Mariana - Altar lateral do Calvário - Sérgio Freitas
  • Mariana - Altar lateral  N.S da Conceição ( Catedral da Sé) - Sérgio Freitas
  • Mariana - Altar lateral N.S do Rosário ( Catedral da Sé ) - Sérgio Freitas
  • Mariana - Catedral da Sé - Sérgio Freitas

A Catedral da Sé é um dos mais importantes templos setecentistas de Minas Gerais. Guarda admiráveis retábulos do barroco nos estilos Nacional Português e Joanino, uma tela do Mestre Ataíde, o mais belo tapa vento de Minas e uma das mais preciosas peças do século 18 – o órgão Arp Schnitger, presente do monarca D. João V. Visitar a Catedral da Mariana é uma boa oportunidade para conhecer e aprender sobre a arte colonial mineira.


Histórico
A construção primitiva da Catedral teve início, provavelmente, na primeira década do século 18 pelo capitão português Antônio Pereira Machado. Na vila, já existia a Capela de Nossa Senhora do Carmo, mas, a capela em homenagem a Nossa Senhora da Conceição, por ser mais freqüentada devido a comodidade dos fiéis, acabou sendo escolhida para abrigar a Matriz. Em 1734, teve inicio a construção da grande matriz com orago a Nossa Senhora da Assunção. O arrematante foi o mestre pedreiro. Antônio Coelho da Fonseca. Quatorze anos depois, a fachada e as torres ainda não estavam concluídas. 

Com a elevação da vila à cidade e à sede de bispado, em 1745 a matriz teve que sofrer adaptações para a nova função. Entre 1763 e 1781 trabalhos ainda estavam sendo realizados por José Pereira Arouca.



Devido a “graves problemas”, segundo documentos da época, o frontispício e as paredes externas foram reconstruídas a partir de 1798 dentro do sistema de alvenaria e pedra, e não em taipa e madeira, sistema adotado desde o início para toda a obra. O projeto arquitetônico não sofreu alterações. 

Em 1930, a chão em campas passou a ser de ladrilhos. O Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional – IPHAN realizou obras de conservação e reforma no ano de 1937. Na década de 50, foram iniciadas as grandes obras de restauração.

Na década de 80, a Catedral passou por diversas obras de restauração realizadas pelo IPHAN. Foram realizadas a estabilização do engradamento da capela-mor, a consolidação do arco-cruzeiro e das torres, a revisão das instalações elétricas, a recuperação do investimento dos pilares da nave e a pintura interna.


Arquitetura e decoração

A planta da igreja possui três naves, o que foge ao padrão arquitetônico das plantas setecentistas mineiras de planta retangular. “O frontispício é simples, pesado, predominando em tudo a simplicidade das linhas retas, sem, entretanto, nada oferecer de grandiosidade. Ao contrário, seu interior encerra um dos mais ricos e significativos conjuntos de talha de Minas Gerais, revelando todas as etapas do barroco luso-brasileiro”. (IPHAN)


Logo ao entrar, o visitante se depara com o mais belo tapa-vento de Minas Gerais, atribuído à oficina do Aleijadinho. Ele possui dois detalhes decorativos de uma refinada elegância, um de cada lado: entre rocalhas, aparece o perfil parcial de Cristo, “cujos traços morfológicos correspondem exatamente à tipologia morfológica do mestre”. (Germain Bazin)


No batistério, à esquerda, está uma tela de Manoel da Costa Ataíde, que mostra a cena do batismo de Cristo. Aqui, são marcantes as cores vivas e claras e tipos fisionômicos do artista.


Na nave, estão os altares de: São João Evangelista, São Pedro, São Francisco de Assis, Senhor dos Passos, Santa Bárbara, Santa Luzia, Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora da Conceição e São José. Há, ainda, um altar com a cena do Calvário.


Retábulos de destaque:


- o de Nossa Senhora da Conceição e o de São José – Juntos ao arco-cruzeiro, foram executados entre os anos de 1744 e 1751, por José Coelho Noronha, dentro de um marcante estilo Joanino.

- o de São João Evangelista, em estilo Nacional Português.

- o de Nossa Senhora do Rosário e o da Cena do Calvário – Na nave lateral, à esquerda e à direita, respectivamente, próximos ao arco-cruzeiro, estão os monumentais retábulos em “estilo Brito”, referência ao escultor português, Francisco Xavier de Brito, ativo em Minas Gerais no final da década de 40 e início da década de 50 do século 18. Foi ele que introduziu o estilo Joanino na Capitania.


A capela-mor é muito original. Seu retábulo em estilo Nacional Português, provavelmente, é do início da década de 20, pois seu douramento aconteceu em 1727. O retábulo não possui camarim e trono. É finalizado com uma rara tela, que traz a representação de Nossa Senhora da Assunção cercada por anjos. Existem dúvidas sobre a autoria desta obra. Alguns autores dizem que ela é de Manuel Rabelo e outros dão o crédito a um pintor italiano, Lucas Jordane.


O forro da capela-mor é constituído por duas abóbadas apoiadas pelos quatro lados em arcos plenos. Ambas são integralmente recobertas por pinturas de caráter ilusionista, onde, em meio a rica trama arquitetônica, sobressaem figuras de santos Cônegos, arcediagos e um bispo. A idéia deste tema foi de Dom Frei Manuel da Cruz, primeiro bispo de Mariana. Para o historiador Luiz Mott, o propósito da escolha foi dar exemplos de boas condutas a um clero insubordinado. “Quais teriam sido os motivos de ter escolhido santos espanhóis, em sua maioria, completamente desconhecidos do devocionário popular?... Conclui-se que, provavelmente, a escolha dos nove santos presbíteros foi estratégica: para que protegessem e servissem de modelo ao clero marianense”. (Mott)


Os santos retratados são: São Torquato, Arcebispo de Toledo; São Félix, Arcediago em Toledo; São Lourenço, Arcediago em Zaragoza; São Félix, Arcediago em Braga; Santo Evâncio, Arcediago de Toledo; São Martinho, Cônego em Coimbra; São Julião, Bispo de Cuenca; São Gudila, Arcediago de Toledo; São Pedro Arbués, Cônego em Zaragoza.


Nas paredes laterais da capela-mor, fazendo fundo ao cadeiral do Cabido, estão curiosas chinesices pintadas em dourado e vermelho, onde parecem cenas do dia-a-dia como passeios, chafarizes com repuxos, elefantes, dromedários e tigres sendo caçados.


O órgaõ Arp Schnitger 
Esta é uma das mais excepcionais peças setecentistas que Minas Gerais possui. O órgão foi presenteado por D. João V quando a Vila do Ribeirão do Carmo foi elevada à cidade e sede de bispado. O órgão chegou a Mariana em 1752 e foi assentado por Manuel Francisco Lisboa. Possui sete metros de altura por cinco metros de largura. Foi totalmente restaurado. O móvel ficou sob responsabilidade do CECOR e a parte sonora na Alemanha. Uma grande festa foi organizada para a sua reinauguração no dia 08 de dezembro de 1984.


“O órgão é trabalho do mestre organeiro alemão, Arp Schnitger (1648-1719), atendendo a encomenda de dois instrumentos feita por frades franciscanos portugueses. Um deles se encontra ainda hoje na Catedral de Santa Maria, cidade de Faro em Portugal. O outro, instalado na Catedral da Sé de Mariana, veio para o Brasil cinqüenta anos depois de ter sido construído, por decisão do Conselho Ultramarino de adornar com sinos, ornamentos, livros e órgão a primeira diocese da Capitania das Minas do ouro... O órgão de Mariana tem 964 tubos fabricados de madeira, estanho e chumbo, acionados pelas teclas e registros que compõem a complexa arquitetura interna do órgão Arp Schnitger. Decorado pelos portugueses, o órgão inferior apresenta pinturas de motivos chineses (influência de Macau – colônia portuguesa oriental) e cinco jovens anjos contornando o órgão superior.


A articulação de dois de dois conceitos sonoros – germânico e português – faz deste órgão um instrumento atípico, considerado um dos mais importantes do gênero no mundo”.


No forro da nave, há uma pintura de autoria desconhecida mostrando Nossa Senhora da Assunção.  Ao redor do medalhão, estão o brasão imperial e seis bandeiras do Império brasileiro.


A Catedral é tombada pelo IPHAN.
Registrada no Livro de Belas Artes.
Inscrição: 263. Data: 8 de setembro de 1939.


Funcionamento:

terça a domingo, das 8 às 17 horas.

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