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Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos

  • Congonhas - Basílica Bom Jesus de Matosinhos - Danielli Vargas
  • Congonhas - Interior da Basílica do Senhor Bom Jesus Matozinhos - Sérgio Freitas
  • Congonhas - Basílica do Senhor Bom Jesus Matosinhos - Sérgio Freitas
  • Congonhas - Basílica Bom Jesus de Matosinhos - Danielli Vargas
  • Congonhas - Basílica Bom Jesus de Matosinhos - Danielli Vargas
  • Congonhas - Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos - Divanildo Marques

Histórico
Após conseguir a aprovação do bispado de Mariana e arrecadar uma boa soma de dinheiro, Feliciano Mendes pôde dar início ao pagamento da sua promessa. No ano de 1757, começou a construção do templo em homenagem ao Senhor Bom Jesus de Matosinhos. A construção se estendeu até o ano de 1790. Foram vários os administradores do santuário após a morte de Feliciano Mendes, em 1765. Todos mantiveram o espírito inicial da obra que Feliciano aspirava: construir não apenas a igreja, mas um santuário com as capelas dos passos.


Arquitetura e decoração
O templo marca o início do estilo rococó em Minas. Não se sabe a autoria da planta da igreja, mas os primeiros construtores são os mestres-de-obras, Domingos Antônio Falcato e Domingos Antônio Dantas. Muitos foram os que trabalharam na obra, o próprio Feliciano Mendes deve ter colaborado, pois na sua entrada para a Irmandade de São Francisco de  Vila Rica, em 1760, consta a profissão de “mestre pedreiro”.


Por  quatro anos (1769 a 1773), o arquiteto português, Francisco de Lima Cerqueira, trabalhou na obra e foi o responsável pela construção da capela-mor em parceria com Tomás Maia Brito.Também esteve sob sua responsabilidade a construção das torres e, provavelmente, a elaboração do frontão em volutas e contra-volutas.


A portada trabalhada em pedra-sabão é de autoria desconhecida. Apresenta uma tarja ao centro que traz  os símbolos da irmandade de Bom Jesus de Matosinhos: as cinco chagas e os três cravos. Acima da tarja, complementando a simbologia, temos a coroa de espinhos e a cruz.


O altar-mor foi executado entre os anos de 1769 e 1775 por João Antunes de Carvalho. Os destaques são: dois belos anjos-tocheiros trabalhados por Francisco Vieira Servas, em 1778; quatro relicários executados por Aleijadinho e seu ateliê, e uma imagem do popular, mas pouco conhecido iconograficamente, São Longuinho.


Os altares laterais, ao lado do arco-cruzeiro, começaram a ser executados por Jerônimo Félix Teixeira que, entre os anos de 1765 e 1769, recebeu diversos pagamentos, mas a obra só foi concluída, em 1772, por Manuel Rodrigues Coelho. O trabalho de douramento e pintura do altar de Santo Antônio ficou a cargo de João Carvalhais e o de São Francisco de Paula foi concluído por Bernardo Pires. “Os três retábulos da igreja do Bom Jesus são de um rococó extremamente gracioso... Segundo Germain Bazin, a introdução deste tipo de altar rococó em Minas Gerais precedeu o de Aleijadinho, ligando-se ao estilo em voga nas cidades do Porto e Braga no mesmo período” (Myriam Oliveira).


Na nave, o destaque fica para dois grandes dragões que servem de porta-lâmpadas. Esse tipo de decoração, chamada de chinesice, está presente também na decoração de outros templos mineiros. Dois animais inspirados em elementos decorativos românicos que servem de atlantes para os púlpitos também são elementos de destaque.


O ponto alto da decoração da Basílica são as pinturas. As paredes laterais da nave e da capela-mor foram ornamentadas com painéis do pintor João Nepomuceno Correia e Castro, que fez as pinturas entre os anos de 1778 e 1787. A temática é a vida de Cristo, se iniciando com cenas da vida de Maria.


Antes do pára-vento, estão algumas cenas da vida de Maria que se encontram em relatos do evangelho apócrifo de São Tiago, que trazem histórias que agradavam muito o gosto popular. São elas:

 -Anunciação a Sant’Ana

 -Nascimento de Nossa Senhora

 -Apresentação de Nossa Senhora no Templo

 -Esponsais de Nossa Senhora com São José

Os painéis que demonstram relatos Bíblicos são:

-Anunciação a Nossa Senhora

-Visita a Santa Isabel. Aqui tem-se uma raridade: Maria é representada grávida, iconografia, então, proibida pela Igreja Católica.

 Na nave da igreja estão os painéis

-Nascimento de Jesus Cristo

-Apresentação do Menino Jesus no Templo

-Fuga Para o Egito

-Jesus no Templo Entre os Doutores

 -Batismo de Jesus no Jordão

 -Sermão da Montanha

 -Jesus Expulsa os Vendilhões do Templo

-Tentação de Jesus

 -Jesus Recebendo Água da Samaritana

 -Ressurreição de Lázaro

 As cenas na capela-mor continuam demonstrando:

 - Entrada de Jesus em Jerusalém

 -Santa Ceia

 -Lava-pés

 - Agonia no Horto

 -Prisão de Jesus

 -Jesus Diante de Anás

-Jesus Diante de Caifas

-Jesus Diante de Pilatos

 -Coração de Espinhos

 -Encontro com Maria

 -Crucificação


No altar-mor, figura a grande imagem do Cristo crucificado. Complementando a história da vida de Cristo, pode-se observar, no forro da capela-mor, a pintura que retrata o sepultamento, e na nave, a representação do Cristo ressuscitado junto ao Pai e o Espírito Santo. 


Não podem deixar de ser observadas as pinturas ao redor da cena do Sepultamento e da Santíssima Trindade. A vida de José do Egito é mostrada no forro da nave. E, na capela-mor, ao redor da cena do Sepultamento, as cenas da vida do Rei Davi. Bernardo Pires foi o pintor responsável pela obra do forro da capela-mor.


Existem diferenças entre o trabalho dos dois pintores. As cores de Bernardo Pires são mais claras e suaves, este não utilizava as cores brilhantes, tão ao gosto de João Nepomuceno. Os tipos humanos de Bernardo Pires se caracterizam por “ângulo facial acentuado com a fronte e a reentrância do maxilar inferior. Já as figuras de Nepomuceno têm o rosto retangular, queixo acentuado, nariz reto, longo e arredondado na ponta, pálpebras superiores desenvolvidas e boca pequena, sendo todos esses detalhes contornados por filetes escuros, que apuram o desenho, tornando-o mais nítido” (Carlos del Negro).


Na parte das pinturas ainda podem ser vistas no forro do coro a representação dos três patriarcas: Abraão, Isaac e Jacó.


A cruz que Feliciano Mendes colocou no alto do Morro do Maranhão, marcando onde seria construída a igreja em homenagem ao Senhor Bom Jesus, pode ser vista no  corredor lateral, à direita de quem está de frente para o altar-mor.


Funcionamento
De terça a domingo - 6h às 18h

 

 

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