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Capelas dos Passos

  • Congonhas - Jardim dos Passos - Sérgio Freitas
  • Congonhas - "Passo "" Jesus carregando a cruz """ - Sérgio Freitas
  • Congonhas - Jardim dos Passos - Sérgio Freitas
  • Congonhas - Menino com cravo - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Anjo da amargura - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Anjo da amargura - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Anjo da amargura - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Apóstolos - Cap. da Santa Ceia - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Apóstolos - Última Ceia - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Det. Capela da Santa Ceia - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Capela da Santa Ceia - Cristo e João - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Capela da Coroação de Espinhos - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Cristo com coroa de espinhos - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Cristo com Cruz às costas - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Cristo com cruz às costas - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Cristo com cruz às costas - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Capela do Horto - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Capela da Crucificação - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Detalhe da mão do Cristo - Capela Cruz às costas - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Cristo da flagelação - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - João - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Judas - Capela da Prisão - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Mau ladrão - Capela da Crucificação - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Mulher de Jerusalém com criança - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Pedro - Capela da prisão - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Pedro - Capela da Prisão - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Pedro - Capela do Horto - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Cristo - Capela da Prisão - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Cristo - Capela da prisão - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Capela da Santa Ceia - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Servo - Capela da Santa Ceia - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Servo - Capela da Santa Ceia - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Soldado - Capela da crucificação - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Soldado - Capela da crucificação - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Soldado - Capela da prisão - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Soldado - Capela da flagelação - Maria Lucia Dornas
  • Congonhas - Tiago - Capela do Horto - Maria Lucia Dornas

Em 1796, os Passos da Paixão era apenas um projeto, constante de uma petição dirigida em 1794 ao bispo de Mariana, requerendo a necessária autorização para a sua construção. É interessante frisar que o aludido projeto incluía, na época, duas séries de capelas: os Passos da Paixão na parte fronteira do templo, e os Passos da Ressurreição, na parte posterior, a exemplo do Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga, Portugal, de cujo bispado era originário, o fundador do Santuário de Congonhas.


Entre agosto de 1796 e 31 de dezembro de 1799, Aleijadinho executa, com a colaboração dos oficiais do seu atelier, as 66 figuras de madeira, em seis capelas que viriam a ser construídas: Ceia, Horto, Prisão, Flagelação e Coroação de Espinhos, Cruz-às-Costas e Crucificação.


Encontra-se, ainda, nos arquivos do Santuário, o Livro de Despesas, que cobre o período compreendido entre 1757 e 1834 e um importante conjunto de recibos, colecionados em pastas, que correspondem aos anos de 1797, 1798, 1799, 1800 e 1802.


Além desses documentos de significação especial, há outros de variada importância (que também podem ser analisados nos arquivos do Santuário) para complementação do quadro histórico relativo às obras dos Passos  e dos Profetas, sobretudo no que diz respeito aos Passos da Paixão que Aleijadinho deixou inacabados. Isto é, executou apenas a parte escultórica, tendo a policromia e arranjos dos grupos nas capelas sido concluídos em época bem posterior. A esse respeito, os inventários gerais relativos aos anos de 1875 e 1900 e uma série de anotações manuscritas tomadas em 1895 pelo pesquisador Silvino Soares de Melo são preciosas fontes de informações.


Entre 1796 e 1805, Aleijadinho deixou em Congonhas o que de melhor existe em toda a sua obra. Os lançamentos e recibos do Primeiro Livro de Despesas são, atualmente, peças importantes utilizadas pelos pesquisadores na elaboração da análise histórica de evolução das obras dos Passos da Paixão e dos Profetas.


Verifica-se, através desses recibos, que a execução das 66 imagens dos Passos demandou exatamente três anos e cinco meses de trabalho ininterrupto de Aleijadinho e seus oficiais, mencionados expressamente em todos os documentos. O último lote de imagens foi entregue  em 1799 e já no ano seguinte Aleijadinho deu início à empreitada da execução dos Profetas. Antes mesmo de concluídas todas as imagens dos Passos, em dezembro de 1798 foi feito um contrato com os pintores Francisco Xavier Carneiro e Manoel da Costa Ataíde, sendo que o primeiro ficou incumbido dos grupos do Horto, Paixão, Coroação e Cruz-às-Costas e o segundo dos grupos da Ceia, Crucificação e Flagelação. Entretanto, só a partir de 1808 é efetivamente iniciada a policromia dos Passos, com a pintura das imagens da Ceia por Manoel da Costa Ataíde.


A comparação entre os contrato e os lançamentos do Livro de Despesas revela que Manoel da Costa Ataíde pintou dois grupos diferentes dos que estavam estipulados no contrato. A análise dos documentos do arquivo do Santuário mostra que a pintura dos diversos grupos de imagens dos Passos só era efetivamente realizada quando estava sendo concluída a construção da capela correspondente. Como as três últimas capelas só foram concluídas na segunda metade do Século 19, é provável que seja esta também a data da policromia dos grupos restantes. Esta hipótese é confirmada ainda pela má qualidade da pintura, que é nitidamente inferior às dos grupos pintados por Athayde. Já Francisco Xavier Carneiro, contratado junto com Athayde para executar a policromia das obras, parece não ter efetivamente participado do trabalho, uma vez que não existe nenhum lançamento no Livro de Despesas relativo ao pintor.


As obras de construção das capelas dos Passos estiveram paradas durante quase meio século. Interrompidas em 1819, somente em 1864, as obras foram retomadas e, em 1875, todas as capelas dos Passos da Paixão estavam finalmente concluídas, com suas 66 imagens policromadas e arranjadas em seus devidos lugares, conforme registro feito em 1798. Mas o Livro de Inventários da Irmandade de Matozinhos, datado de 1875, aponta o registro de 64 e não 66 peças, e há duas hipóteses para explicar a divergência. Ou Aleijadinho teria executado apenas 64 das 66 imagens inicialmente previstas, ou as imagens teriam se extraviado durante o longo período que estiveram guardadas à espera da construção das capelas.


In: Cidade dos Profetas, Sexta edição, dezembro de 2001.

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