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Congonhas

Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos

  • Congonhas - Basílica do Senhor Bom Jesus Matosinhos - Sérgio Freitas
  • Congonhas - Jardim dos Passos - Sérgio Freitas
  • Congonhas - Basílica Bom Jesus de Matosinhos - Danielli Vargas

A ardente fé do português Feliciano Mendes ao Senhor de Matosinhos foi responsável pelo surgimento do Santuário do Bom Jesus, em Congonhas. 


Na segunda metade do século 18, Feliciano Mendes era um dos mineradores à margem do rio Maranhão, onde contraiu uma grave doença cujo nome não se sabe, mas que segundo a tradição teria sido motivada pelos árduos trabalhos de mineração. As preces do devoto ao Senhor de Matozinhos para alcançar a cura foram atendidas e, a partir daí, Feliciano passou a se dedicar inteiramente à construção da Igreja. Não uma igreja comum como as centenas que existiam espalhadas pela capitania das Minas, mas, um santuário, como os dois que existiam na região em que nasceu, nas proximidades de Guimarães, norte de Portugal - O Santuário de Braga e o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, nos arredores do Porto.


O local escolhido para edificar o Santuário  foi o Alto do Maranhão, que era ideal para esse tipo de construção. Os santuários portugueses que serviram de inspiração para Feliciano Mendes faziam parte dos locais que tinham como objetivo a “peregrinação de substituição”. Como as dificuldades para visitar a Terra Santa eram imensas, surgiu na Europa a solução dos Sacro Montes, organizados de forma a proporcionar ao fiel a sensação de que estavam visitando os lugares santos, principalmente a Via Dolorosa. Essa foi a intenção do fiel Feliciano, construir no Arraial das Congonhas do Campo um Sacro Monte para os fiéis da capitania vivenciarem a paixão de Cristo através de capelas, mostrando cenas da Via Sacra.


A primeira providência foi pedir autorização ao Bispo de Mariana, D. Frei Manoel da Cruz, para que pudesse dar início à construção da igreja e pedir esmolas para auxiliar nas obras. Feliciano doou 600 mil réis em barra de ouro, que era o saldo de todo seu trabalho de mineração. Para o pedido das esmolas, comprou um moleque de nome Sebastião “para ajudá-lo no afã de propagar a veneração ao Senhor de Matosinhos. Munido das permissões em questão, tomou o hábito e bordão, pendurou a caixinha no pescoço, e saiu a pedir com fervor, que bem depressa alcançou fundos suficientes para ocorrer aos gastos imprescindíveis à edificação da capela.” (Edgar Falcão).


Antes de sair em peregrinação para pedir as esmolas, Feliciano Mendes ergueu uma cruz no alto do Morro do Maranhão, em fevereiro de 1757, para marcar onde seria erguido o templo. A quantia de dinheiro recolhida mais a sua doação foi o suficiente para dar inicio às obras. Foram muitas as pessoas envolvidas na construção. Temos notícias que, entre os anos de 1757 e 1761, foram adquiridos objetos litúrgicos como cálice, pia de água benta, jogos de paramentos, jarros para flores, um sino e outros.


Em setembro de 1765, o devoto Feliciano Mendes faleceu deixando a capela-mor em condições de funcionamento, onde já havia sido entronizada  uma imagem do Bom  Jesus de Matosinhos, importada de Portugal, e os altares do arco-cruzeiro consagrados a Santo Antônio e a São Francisco de Paula. As obras continuaram e, em 1777, a igreja já estava pronta. A etapa seguinte foi a construção do adro, que demandou um grande número de operários e um volume colossal de pedras. Em 1790, o adro estava pronto, pavimentado, caiado e com portões de madeira.


No ano de 1794, Vicente Freire de Andrade assumiu a administração da obra. Sua principal atividade  foi  providenciar a parte da decoração externa – as imagens para o adro e para cenas da paixão de Cristo. Vicente Freire teve a brilhante  idéia de contratar o maior artista da Capitania  das Minas, que residia em Vila Rica - mestre Antônio Francisco Lisboa , o Aleijadinho.  


O mestre aceitou a tarefa que teve início em agosto de 1796  e foi concluída em 1805. Foram  nove anos de trabalhos intensos para produzir um total de 78 esculturas. A obra de Congonhas acabou se  tornando o ápice da sua carreira.


As capelas levaram 76 anos para serem construídas. A capela do Passo da Ceia  foi iniciada em 1799 e concluída em 1808. A segunda capela, o Passo do Horto, foi construída entre 1813 e 1818. A partir daí, temos as obras paralisadas e só em 1864 elas  seriam retomadas. A última capela – Passo da Crucificação - foi finalizada em 1875.


O Santuário do Bom Jesus de Matosinhos é formado pela Basílica, o Conjunto dos Profetas , as Capelas dos Passos, a Capela do Santíssimo, a Sala dos Milagres e a Sede da Administração do Santuário, na parte posterior da Basílica, também utilizada para encontros religiosos.


Da fé de Feliciano Mendes nasceu a fabulosa obra do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, que encerrou com chave de ouro o século 18 na Capitania das Minas Gerais. E mereceu, em 1985, ganhar o título de Patrimônio Cultural da Humanidade.


O Santuário de Bom Jesus de Matozinhos é tombado pelo IPHAN
Registrado no livro de Belas Artes
Inscrição: 239   Data: 8 de setembro de 1939.

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