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Governador Valadares

Pico da Ibituruna

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Ibituruna - na linguagem indígena “nuvem escura”.


O turista que aqui chega percebe, a distância, sua presença. Muitos quilômetros antes de entrar no município, ele avista, ainda na estrada, o pico da Ibituruna. Majestosa pedra negra encravada na planície por onde serpenteia o caudaloso rio Doce, é ponto de referência para todos que por aqui passam. Pode ser avistado também de todos os bairros urbanos. Localizado na serra de mesmo nome, é constituído de formações rochosas de formato pontiagudo. O maciço se formou no período pré-cambriano, devido ao resfriamento de vulcões e revolvimento de solos fracos, formados pela invasão marítima no Brasil. Sua altitude é de 1.123 metros do nível do mar e 990 metros do nível do rio Doce (que se destaca imponente na paisagem valadarense). A temperatura no pico é mais baixa do que na cidade, apresentando durante o dia em torno de 25ºC e à noite 12ºC. No seu cume há um belvedere, de onde se descortina um belo panorama. A leste, avista-se a cidade de Governador Valadares, cortada pelo rio Doce, e, em volta, a paisagem do grande vale.


Por sua singular beleza paisagística, é constituído por uma Área de Preservação Ambiental (APA) com 6.243 hectares, que permite a coexistência de atividades econômicas e habitacionais, as quais não prejudiquem o meio ambiente e está entre os lugares mais conhecidos no mundo para a prática do voo livre. Um dos benefícios que ocorreu com essa criação foi a desativação das pedreiras São João e Atalaia. Para amenizar o impacto provocado pela atividade extrativista da Pedreira São João, fundada em 1996, foi construído um lago artificial com 11.000 metros quadrados, localizado no sopé da montanha.


O maciço da Ibituruna era formado por 6.000 hectares de Mata Atlântica, o ipê preto, a braúna, o palmito-doce, entre várias outras. Na mata restante, podemos encontrar animais como o tatu, a jaguatirica, o teiú, o caititu e outros. O uso intensivo para pecuária e as queimadas propiciaram uma redução de 60% da mata original nos últimos trinta anos. Como consequência, as chuvas de novembro caem no solo desnudo, causando erosões e propiciando uma perda de 35 cm de espessura. A pecuária e o superpastoreio, junto com as queimadas, são os grandes problemas da região da Ibituruna. O ideal seria o parcelamento do solo, com a criação de chácaras de 10 mil a 20 mil metros quadrados, propiciando maior zelo das áreas pelos proprietários. Isso se observa claramente na região; quanto maior o parcelamento, melhor cuidada é a área. Em 4 de dezembro de 2001, foi criada e votada na Câmara Municipal a Lei 4.924, instituindo o “Dia da Ibituruna” em âmbito municipal, a ser comemorado anualmente no dia 4 de junho.


Abençoada por possuir o pico da Ibituruna com seus 1.123 metros de altitude, que oferece aos praticantes de esportes radicais um local ideal para suas aventuras, Governador Valadares é conhecida como a “Plataforma Mundial do Voo Livre”. A cada ano, centenas de praticantes do Brasil, dos Estados Unidos, da Europa, do Japão e da Austrália enchem o céu da cidade com as suas coloridas asas-deltas e paragliders. As condições térmicas do seu clima, com predominância do sol na maior parte do ano, colocam a cidade como ponto obrigatório de quem quer realizar grandes vôos, em grandes distâncias e com alto grau de aventura. Além do vôo livre, o pico oferece também condições para outros esportes de emoção ou radicais, como rappel, escalada e trekking.


O pico é uma plataforma natural de voo livre, possuindo duas rampas naturais e duas em madeira para a decolagem. O ar quente formado em volta da Ibituruna propicia sua prática na região. Ascendente, esse tipo de ar possibilita aos voadores subirem 1.500 metros acima do pico e se manterem até Caratinga (115 km) e Realeza. Desde 1983, quando sediou pela primeira vez uma etapa do Campeonato Brasileiro, nunca mais deixou de ser relacionado para grandes eventos de voo livre. A Prefeitura de Governador Valadares, por meio da Secretaria Municipal de Obras e do SAAE, vem buscando soluções para uma melhor infra-estrutura no pico, como a pavimentação de uma das estradas de acesso e a busca de uma solução definitiva para o fornecimento de água potável.


O primeiro voo de asa-delta aqui aconteceu em 1977 e foi realizado pelo mineiro Emerson André Miranda Monteiro, o qual, subindo a serra, sentiu toda a magnitude do lugar. Voou e divulgou aos seus amigos pilotos que, aos poucos, começaram a visitar a cidade. Em 1983, foi fundado o Clube Valadarense de Vôo Livre (CVVL).


Em 1991, Governador Valadares foi sede do 1º Campeonato de Vôo Livre. Os Correios e Telégrafos homenagearam a cidade, criando um selo com alusão ao campeonato. O CVVL foi reativado em 1993, com apoio da Fundação de Serviço, Educação e Cultura (Funsec). Desde então, foram realizados vários campeonatos brasileiros de asa-delta e parapente, além dos mundiais, que ocorreram em 1994, 1995 e 2005. Governador Valadares hoje é sede de vários campeonatos, tais como: Pan Americano de Paraglider, Pré-Mundial de Asa-Delta, PWC Paraglider, Speed Gliding e Campeonato Brasileiro, além das “revoadas”.


A regulamentação do espaço aéreo para a prática do voo livre, feita em julho de 1996 pelos oficiais do Serviço Regional da Aviação Civil (Serac III), após entendimentos entre a administração do aeroporto de Governador Valadares e o CVVL e homologada pelo Serviço Regional da Aeronáutica Civil (Serac-3), teve o processo iniciado em dezembro de 1999 e oficializado em janeiro de 2000, atendendo todas as exigências da Serac e outras mais estabelecidas pelo Clube Valadarense de Voo Livre; isso garantiu maior segurança aos que usam este espaço – pilotos de aviação civil e pilotos de asa-delta e paraglider, além de ser mais um ponto favorável para Valadares. O clube mantém um fiscal nas rampas de decolagem no pico da Ibituruna, que cumpre as determinações do DAC, para o voo das aeronaves primárias – asas-delta, paragliders, paramotores (paragliders motorizados), trikes (asas-delta motorizados) e ultraleves. Qualquer praticante do voo livre tem que apresentar ao fiscal do CVVL o certificado de Piloto Desportivo (CPD), expedido pelo Ministério da Aeronáutica, através do DAC, e ter em seu aparelho de voo o número de inscrição. Os pilotos têm uma área, representada por um pentágono entre Governador Valadares, Iapu, Imbé, Conselheiro Pena e São Vitor, para seus voos, além do espaço aéreo do vale do rio Doce, próximo ao pico, cedido pelo Departamento de Aviação Civil (DAC) para a prática do voo, sendo proibido para aviões e helicópteros sobrevoarem nesse local.


Há mais de 25 anos o voo livre vem colorindo os céus do Brasil. Tudo começou quando, em julho de 1974, um piloto francês fez um voo do alto do Corcovado no Rio de Janeiro. O feito chamou a atenção de muitas pessoas, que se interessaram em aprender a arte de voar. Dois indivíduos mais entusiasmados conseguiram encontrar o tal francês e decidiram começar a voar.


Na busca de um morro ideal para iniciar as aulas, chegaram até ao amigo Luiz Cláudio, que tinha um terreno de acordo com as necessidades para o curso. Algum tempo depois, os dois desistiram do curso e, após dois meses de um conturbado curso, o amigo, Luiz Cláudio, que havia entrado por acaso na história, veio se tornar o primeiro piloto de vôo livre brasileiro! Com o crescente número de adeptos, surgiu a necessidade de se abrir outra rampa. Dessa vez a rampa foi construída no final da estrada aberta pelo arquiteto Sérgio Bernardes no morro que dá acesso à Pedra Bonita. A intenção de Sérgio com essa estrada era a de construir uma casa no meio da floresta, mas, por sorte dos voadores, a obra fora embargada pelo IBDF. Em dezembro de 1975, foi fundada a Associação Brasileira de Voo Livre (ABVL), com o intuito de controlar o acesso à rampa de oôo livre, que acabou sendo definitivamente cedida aos pilotos e utilizada até hoje.


O voo livre no Brasil acompanhou essa evolução e hoje em dia temos uma posição de destaque no cenário mundial, tendo conquistado um campeonato mundial individual, com Pepê Lopes, em 1982, no Japão; um vice-campeonato mundial individual e por equipes em 1991 no Brasil e o campeonato mundial por equipes em 1999 na Itália.


Com o surgimento do paraglider, o voo livre se dividiu em duas categorias: asa-delta e paraglider ou parapente, como também é conhecido.


Encontra-se também no alto do pico, em Governador Valadares, uma imagem de Nossa Senhora das Graças. Essa mede 24 metros em concreto, pesando 42 toneladas, só a mão medindo mais ou menos 1,50 metros, erguida num pedestal de 10 metros de altura e uma capela com 40 metros quadrados. A ideia de se erguer um monumento dedicado a Nossa Senhora foi de um padre paranaense Rui Pereira a sua prima Maria do Carmo Aguiar Rezende, o qual também era primo de Zequinha Tavares. Em visita à cidade quando ela lhe disse que D. Cirene Albergaria, sua cunhada, gostaria de colocar um Cristo no alto do pico, ele sugeriu que se colocasse uma Nossa Senhora, pois o havia feito em Irati/PR e que lhe doaria uma cabeça já pronta e as formas.


Aprovada a ideia, uma comissão de senhoras da Associação das Damas de Caridade, entre outras, Maria do Carmo, Edir Matta Rodrigues, Elvira Vieira, Vera Rezende Rodrigues, Maria do Amparo Abreu Lima Rezende, Jacira Leite Anita Byrro e o professor Antonio Martins Aubin, Áurea (Aurita) Franco Machado, Cirene Albergaria, esposa do então prefeito municipal Dr. Raimundo Albergaria, que, de imediato, acolheram a sugestão. Na época custou uma fortuna, 24 mil cruzeiros, foi confeccionada na cidade de Campinas/SP pela Marmoraria Otaviano Papaiz e foi transportada até ao alto dividida em quatro blocos puxados com o auxílio de uma tropa de burros oferecida por um sitiante do bairro São Raimundo, protestante.


O início da obra se deu em 28/10/1962, sendo feito um barraco onde o técnico, alguns operários e o cozinheiro passavam a semana trabalhando. Depois fizeram a capelinha. Nos finais de semana, o técnico era hóspede do prefeito. Um teco-teco sobrevoava a área inspecionando a obra. A Prefeitura mandou fazer a estrada e custeava a alimentação e o material de que precisassem, e o transporte era feito em um velho jeep dirigido pelo sr. Aurelino Fraga.


A primeira estrada de acesso foi aberta exclusivamente para o transporte da imagem pela Construtora Ajax-Rabelo, que, à época, asfaltava a rodovia BR-4, hoje BR-116 (Rio Bahia), no planejamento técnico e cedendo um dos tratores. A Companhia Belgo Mineira doou 3,5 toneladas de ferro para a confecção da capela-pedestal que sustenta o monumento. A Companhia Vale do Rio Doce auxiliou nos trabalhos de montagem com o empréstimo de um guindaste. O empreendimento foi custeado por empresas e contribuições do povo valadarense. Os trabalhos de montagem levaram três meses e sua inauguração e bênção foi no dia 27 de janeiro de 1963 dada pelo então bispo diocesano D. Hermínio Malzone Hugo, que celebrou a 1º missa aos pés da imagem. Em 2000, após ser restaurada em 1998, recebeu magnífica iluminação ornamental, podendo ser vista à noite, mesmo a quilômetros de distância.


Foi tombada pelo Patrimônio Histórico do município em julho de 2001. De braços abertos sobre a cidade, a branca imagem é símbolo da fé do povo valadarense. A Santa é rodeada por grandes torres de TVs e rádios. A devoção a Nossa Senhora das Graças surge na França, devido à sua aparição para a então freira Catarina Labouré (nascida em 1806) em Paris, em 1830. Nessa aparição, ela recomendou que fossem cunhadas medalhas em seu nome, as quais ficaram famosas pelas graças que trazem a quem, com fé, as carregam consigo. E por isso também é conhecida como Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. A divulgação de aparições de Nossa Senhora em Urucânia/MG firma essa devoção, disseminando o culto e a colocação de imagens em lugares de destaque das cidades. Uma das 10 maiores do Brasil.


Tombado pela Constituição do Estado de Minas Gerais em 1989


Fonte:
Inventário da Oferta Turística – Sebrae
Rosemary Metzker

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