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Ruínas do Gongo Soco

A história das ruínas do Gongo Soco tem início em 1745 quando o garimpeiro Bitencourt encontrou ouro em um curso d'água que corta a região. Anos mais tarde, o local foi herdado por João Baptista Ferreira de Souza Coutinho, o barão de Catas Altas. A companhia inglesa Imperial Brazilian Mining Association, sediada na Cornualha, Inglaterra, adquiriu a mina em 1825 por 79 mil libras esterlinas.


Foi a primeira empresa de capital estrangeiro a se instalar na província de Minas Gerais, atuando entre 1826 e 1856. Com equipamentos modernos e inovações tecnológicas, a empresa inglesa representava uma nova fase de prosperidade para a mina.


A equipe inicial contava com um superintendente, dois capitães de mina e 31 mineiros e artesãos. No seu auge, a mineradora chegou a empregar cerca de 900 pessoas, sendo 400 escravos. A tecnologia de ponta, com o maquinário movido a energia hidráulica, rendeu grandes frutos aos ingleses, que chegaram a extrair uma tonelada e meia de ouro. Somente em 1832 foram retiradas de Gongo Soco, numa produção recorde, cerca de 1.900 quilos de ouro. No entanto, em 1856, o maquinário não foi o suficiente para atingir os veios mais profundos, o que causou o fechamento da mina.

"Em 1856, começa a decadência da mineradora. O maquinário já não conseguia atingir os veios mais profundos. Os recursos hídricos da região obrigavam alguns mineiros a trabalharem nas galerias mais profundas com água até o pescoço. Nessa época também, segundo o historiador Pedro Gaeta, foi registrada uma elevação significativa no número de mortes em Gongo Soco, indicando a ocorrência de vários soterrados. Em 1853, foram 18 óbitos. Em 1856, pularam para 30” (Jornal Estado de Minas, 16 de março de 1997).

O viajante e pesquisador inglês Richard Francis Burton relata em seu livro Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho a decadência de Gongo Soco.

"É melancólico ver ruínas em terra jovem, cabelos grisalhos em uma cabeça juvenil. O enorme depósito pintado de branco à esquerda do caminho está fechado, as hortas e jardins foram estragados pelos porcos, as excelentes estrebarias estão em ruínas, enquanto remanescentes das senzalas, pretos cegos e aleijados saíram para receber moedinhas de Mr. Gordon, ao passarmos."

 
Os ingleses criaram um povoado britânico tropical, com hospital, cemitério particular e duas igrejas, sendo uma anglicana e outra católica para brasileiros e escravos.


Gongo Soco ficou abandonado por muitas décadas; em 1986, a mina foi adquirida pela mineradora Socoemix, que manteve o acervo ambiental e histórico da região.


As ruínas são formadas por um casarão que pertenceu ao barão de Catas Altas, um cemitério, uma ponte, um hospital, pequenas casas e um arco na entrada do local.


Curiosidades da mina Gongo Soco publicadas na matéria "Gongo Soco resgatando a história" do jornal Estado de Minas do dia 16 de março de 1997:


- A casa do capitão-mor João Batista Ferreira de Souza Coutinho, que se tornou o barão de Catas Altas, era a construção mais sofisticada de Congo Soco, com dois andares. Ela foi ocupada pelos superintendentes da Imperial Brazilian, depois da venda do terreno aos ingleses.


- A certeza de que uma das ruínas de prédios de Gongo Soco funcionava como hospital veio com a descoberta no local de vidros de farmácias da época, um minúsculo fragmento de seringa, além de vários ossos de galinha. Canja era o prato dos pacientes.


- O prédio do hospital foi cuidadosamente planejado. Suas ruínas mostram a existência de corredores centrais com cômodos amplos, duas janelas cada um, e capacidade para até oito camas, além de um sofisticado sistema de ventilação em seu porão, para evitar umidade.


- O cirurgião inglês do hospital pediu demissão por estar insatisfeito com os salários pagos pela Imperial Brazilian. Em seu lugar assumiu um escravo-assistente.


- O estatuto para dar abertura ao capital e à tecnologia estrangeiros previa que o fundo de cada sociedade acionista deveria ser organizado com 400 mil réis em dinheiro, ou 3 escravos moços sem defeitos, de 16 a 26 anos. A Imperial Brazilian cumpriu as exigências.


O conjunto das ruínas de Gongo Soco é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IEPHA). 11 maio 1995

 

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