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Ouro Preto

Casa dos Contos

  • Ouro Preto - Casa dos Contos  - Maria Lucia Dornas
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  • Ouro Preto - Casa dos Contos - Divanildo Marques
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Altiva e imponente, a Casa dos Contos se impõe na paisagem ouropretana como o mais belo exemplo de arquitetura civil colonial do século 18, deixando encantados todos os visitantes. Seu risco foi feito pelo mestre Antônio de Souza Calheiros.


Foi a residência do poderoso João Rodrigues de Macedo, que adquiriu da Coroa Portuguesa o direito de cobrar vários impostos. A casa tinha dupla função, ser residência do contratador e a administração dos contratos.Entre os anos de 1784 e 1789, João Macedo aí residiu exercendo suas atividades financeiras.


A casa era freqüentada pela elite de Vila Rica que ali se reunia para jogos de cartas e encontros sociais, inclusive o inconfidente Inácio de Alvarenga Peixoto e Rodrigues de Macedo eram compadres.


Mas após a abertura da Devassa de Vila Rica para apurar os fatos denunciados por Silvério dos Reis, a casa abrigou as tropas do Vice-Rei que foram enviadas para Minas. Serviu também de prisão para os inconfidentes até 18 de novembro de 1789, quando todos foram enviados para o Rio de Janeiro: Luís Vieira da Silva, Dr. José Álvares Maciel, Padre Rolim e o Dr. Cláudio Manoel da Costa, que faleceu na casa após alguns dias de prisão em circunstâncias duvidosas.


Em 1792, para abater os seus grandes débitos João Rodrigues de Macedo foi obrigado a alugar parte da casa. O curioso é que a Fazenda é que foi a própria inquilina. Foi a partir de então que a casa passa a ser conhecida como nome de “Casa dos Contos” . Esse termo tinha sido utilizado até a segunda metade do século 18 para designar as repartições fazendárias portuguesas. Abrigava a contabilidade fazendária da Capitania das Minas.


Com a falência do contratador, a casa foi incorporada ao Erário Real em 1803. Na década de 20 do século 19, se torna também casa de fundição que até então tinha funcionado no Palácio do Governo.


No Segundo Império passa a ser sede da Secretaria da Fazenda da Província de Minas Gerais, ganha então alguns acréscimos, toda a ala esquerda e o 3º e 4º piso.


No século 20 na casa funcionou, Correios e Telégrafos, Caixa Econômica e Prefeitura. Em 1983 a casa foi restaurada e foi então reaberta como um precioso museu. Também funciona na casa um importante órgão de pesquisa que é o Centro de Estudos do Ciclo do Ouro.


A Casa
Saguão Principal 
É a mais importante dependência da Casa, não só pelas suas dimensões, mas também pelos aspectos arquitetônicos e ainda pelas curiosidades que apresenta. Uma delas é a viga central do teto, que aparenta ser constituída de pedras, mas na verdade trata-se de madeira pintada, numa imitação quase perfeita.


O saguão tem portas de comunicação para as dependências da Receita Federal, para o Salão-Auditório e para o Pátio Interno. Uma das portas de comunicação com o Salão-Auditório é dotada de uma curiosa fechadura de segredo, a qual presumimos ser a única espécime conhecida no Brasil.


A peça principal do saguão é, porém, a escadaria de acesso ao pavimento superior, toda constituída em pedra trabalhada e arrematada por um fuste em pedra maciça, ornado por um florão que constitui o motivo central da decoração da Casa.


Sob a escada se encontra a “cafua”, onde, conforme a tradição, teria sido encontrado o corpo do poeta inconfidente Cláudio Manoel da Costa, ali encarcerado.


Salão-Auditório

Com acesso direto pela rua através de três portas, ou pelo Saguão Principal, também por três portas, está o atual Salão-Auditório da Casa dos Contos, bastante usado para exposições, conferências, cursos e sessões lítero-musicais. Ali estiveram presos, durante a Inconfidência, José Álvares Maciel, Gomes Freire e outros inconfidentes nobres.


Pátio Interno 
O pátio interno tem seu piso revestido dos tradicionais “pés-de-moleque”. Encontra-se aqui o bebedouro para animais, feito de pedra e que outrora fora adornado por um artístico chafariz.


Pelo pátio se tem acesso a uma das mais importantes peças da Casa: a suposta senzala interna, escavada no subsolo, separada do leito do riacho Tripuí por uma série de arcos semifechados, reduzidos a janelas gradeadas.


Sanitários Setecentistas 
É um sistema duplo de latrinas construídas em madeira e pedra, que remonta à edificação original. Está ligado a um sistema semelhante no andar superior, e ambos são servidos por esgotos embutidos nas paredes do edifício. Este tipo de latrinas com esgotos embutidos foi o primeiro do mundo ocidental. Uma curiosidade é que tanto as latrinas do andar superior quanto às outras estão localizadas em lugar aberto, sem qualquer pudor ou inibição. Outros tempos, outros costumes...


Senzala Interna 
De todas as dependências da Casa, esta é a de destinação mais duvidosa. Embora tradicionalmente seja chamada de “senzala”, seu ambiente insalubre e acanhado indica mais um compartimento de depósito e armazenagem, ou mesmo uma cavalariça. Apesar da escuridão e da umidade, é um dos ambientes mais interessantes do prédio.


O seu piso é constituído de “pés-de-moleque” no mesmo estilo do pátio interno. Na última reforma foram descobertos cadinhos de fundição de ouro, que estão em exposição na Sala de Fundição.


Cozinha dos Escravos

É outra dependência cuja denominação tradicional não corresponde à verdade histórica. Manifestamente, esta dependência corresponde ao primitivo forno de fundição de ouro, que deve remontar ao período em que Rodrigues de Macedo alugou o prédio à Fazenda Real para que esta sediasse, ali, a Real Intendência do Ouro.


Saguão Superior
É nesta dependência que se encontra uma das mais belas peças da casa, a balaustrada da escadaria principal, toda ela em madeira trabalhada e repetindo o motivo floral constante no fuste de pedra do pé  da escada. 


O Saguão Superior dá acesso às principais dependências do segundo pavimento: à Sala Nobre, à Sala de Fundição, ao Mirante, ao Terraço Interno e à Sala da Escada em Caracol.


Terraço Interno

Uma das dependências mais agradáveis da Casa, o terraço interno dá acesso à Sala de Fundição, ao Saguão Superior e à Sala de Pesquisas do CECO.


Sala de Fundição

É um dos aposentos mais novos da Casa. Aparentemente, ali ficava, nos tempos de João Rodrigues de Macedo, a primitiva cozinha, no mesmo local onde ainda hoje estão os sanitários setecentistas do andar superior.


Sala da Escada em Caracol
Nesta sala, está em exposição o “Livro de Ouro” da Casa dos Contos, aberto por ocasião da visita de S. M., o imperador Pedro II, às repartições fazendárias imperiais de Minas Gerais. Igualmente, estão expostos, em cópias xerográficas, outros documentos, com autógrafos de personagens conhecidos de nossa história, como Bárbara Heliodora, o traidor Silvério dos Reis e outros. Alguns móveis da época colonial completam o ambiente de uma das peças mais interessantes da Casa dos Contos.


Ligando esta sala “da Escada em Caracol” à Sala de Jogos, está uma porta, dotada de uma fechadura com três chaves e três lingüetas. O significado dessa serralheria é claro: trata-se de uma peça nitidamente fazendária, em que uma das chaves ficava com o Intendente do Ouro, outra com o Tesoureiro da Intendência, e a terceira com o Escrivão da mesma repartição. Só quando os três estivessem simultaneamente presentes, poder-se-ia abrir aquela porta.


Sala de Jogos
É uma dependência destinada a uso social, a reuniões, banquetes ou, simplesmente, a conversas, jogos ou sessões musicais. Localiza-se num dos ângulos do pavimento superior, com acesso pela Sala da Escada em Caracol e pela Sala Nobre.


Provavelmente esta sala foi a Capela da Casa dos Contos, pois qualquer edificação de grande porte daquela época tinha sua capela.


Sala Nobre

A área mais importante da Casa sob o ponto de vista social é a Sala Nobre. Nela deveriam se desenrolar os mais marcantes acontecimentos da história da Casa. Tudo parece indicar que Macedo pretendia fazer da Casa dos Contos o “salão” de Ouro Preto: um local que reunisse intelectuais, políticos, homens de negócios, altos burocratas e militares. A Sala Nobre deveria ser o centro desses encontros, fazendo com que toda a cidade de Ouro Preto e toda a Capitania de Minas Gerais gravitassem em torno de Macedo e seu Palácio. Durante a primeira reforma realizada pelo Ministério da Fazenda, redescobriu-se o teto primitivo, com esplêndidas pinturas.


Os objetos em exposição, nesta sala, são móveis em estilo D. Maria I, contemporâneos à construção da Casa, e um oratório em talha branca e azul, que aloja um crucifixo de ferro, presumivelmente do século 17.


Mirante
 
É uma sala  de grandes dimensões, dotada de janelas para os quatro pontos cardeais, de onde se contempla uma esplêndida vista para a Ouro Preto, abrangendo desde o Palácio dos Governadores até a Igreja do Pilar, passando pelo córrego do Tripuí, onde começou a corrida do ouro em 1693, ao lado da Casa dos Contos.


O que não se pode escrever
 
Restam numerosas omissões e interrogações, para as quais nos faltam elementos para continuar escrevendo. As “senzalas de morro acima”, destruídas para a construção do Grande Hotel, que aspecto tinham? A Capela da Casa dos Contos, onde ficava? Existirá mesmo um túnel que liga a Casa ao Palácio dos Governadores? Haverá um compartimento ou cofre secreto de João Rodrigues de Macedo? Cláudio Manoel da Costa suicidou-se ou foi assassinado? Onde estará o mobiliário da Casa? Qual o significado da flor de seis pétalas que é o motivo central da decoração da Casa?


Essas e outras indagações devem ser respondidas por aqueles que, como Tarquínio José Barboza de Oliveira, se apaixonaram por Ouro Preto, pela Casa dos Contos e pela mais bela página da História do Brasil – a Inconfidência Mineira.


Fica, pois, o desafio de uma página bela, dramática, porém incompleta, aos jovens cultores do passado. A eles compete preencher e completar a História da Casa dos Contos.”


In: Casa dos Contos/ Folheteria


A casa dos contos é tombada pelo IPHAN
Registrada no livro Belas Artes
Inscrição: 348    Data: 09 de janeiro de 1950.


Registrada no livro Histórico
Inscrição: 263   Data: 09 de janeiro de 1950.


Horário de funcionamento: segunda - Das 14h às 18h; terça a sábado – Das 10h às 18h - domingos e feriados – Das 10h às 15h.

 

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