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Ouro Preto

Capela do Padre Faria

  • Ouro Preto - Capela N. Sra. do Rosário - Capela do Pe. Faria - Sérgio Freitas
  • Ouro Preto - Cruz Pontificial  - Maria Lucia Dornas
  • Ouro Preto - Det. Cruz Pontificial - Maria Lucia Dornas
  • Ouro Preto - Capela do Padre Faria - Maria Lucia Dornas
  • Ouro Preto - Cruz Pontificial - Maria Lucia Dornas
  • Ouro Preto - Det. portada da Capela do Padre Faria - Maria Lucia Dornas
  • Ouro Preto  - Cruz Pontificial - Maria Lucia Dornas

Histórico
Uma das mais bonitas capelas de Ouro Preto, a chamada Capela do Faria, tem seu orago dedicado a Nossa Senhora do Rosário. Uma irmandade do Rosário, que acolhia brancos e negros, teve seu início na Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias. Com o tempo, acabaram por decidir a construção do próprio templo, mas houve uma dissensão e os irmãos negros formaram uma nova irmandade. Era construída, assim, mais uma capela em Vila Rica - a Capela de Nossa Senhora do Rosário do Alto Cruz, hoje, mais conhecida como Santa Efigênia.


A irmandade fez muitos pagamentos a partir do ano de 1733 até o fim da primeira metade do século 18.  Existem duas referências de datas: a de 1750, no sino, e a de 1756, na cruz pontifícia.


A cruz pontifícia possui três braços.O historiador Diogo de Vasconcellos propõe uma explicação para a presença da emblemática cruz. O papa Pio VI, através de três bulas, concedia privilégios e graças à capela. Daí, Diogo acredita que a cruz foi feita em comemoração a essa distinção.


Arquitetura e ornamentação
  
O frontispício é muito simples e similar ao das capelas do Morro da Queimada. A portada tem detalhes em cantaria, assim como as duas janelas e o óculo. Ao lado direito, separada do corpo da capela, está a sineira. No adro, cercado por pedras, está a cruz pontifícia, um grande diferencial nesse cenário.


Três altares fazem a decoração interior – o altar-mor e dois juntos ao arco-cruzeiro. Enquanto os laterais apresentam uma talha joanina. 


O altar-mor parece ter sido executado anteriormente, pois tem característica de uma obra de transição do nacional português para o joanino. Excelente é a pintura em perspectiva do forro da capela-mor, tão ao gosto do barroco. No medalhão central, Nossa Senhora do Rosário está sendo coroada pelos anjos. Cenas do cotidiano foram pintadas em sépia, uma coisa rara em Minas Gerais nas ilhargas da mesma capela-mor.


No altar mor, está a imagem de Nossa Senhora do Parto. Segundo a tradição, ela  pertencia a uma pequena capela do arraial do Bom Sucesso, mas, como aconteceu do padre ter sido assassinado enquanto celebrava a missa, o templo profanado não podia mais abrigar a imagem da Virgem que,  então, recebeu abrigo na capela do Rosário.


O Padre Faria
 
A primeira missa em Ouro Preto teria sido celebrada pelo Padre João de Faria Fialho, capelão da bandeira de Antônio Dias. O motivo da missa era a celebração da festa de São João e foi nesse mesmo dia que avistaram o Pico do Itacolomi.  A bandeira se dividiu em grupos para a caminhada em direção ao Itacolomi. Lá, a seus pés estava o riacho Tripuí, cheio de pepitas de ouro preto.  Um desses grupos foi comandado pelo Padre Faria, que fez junto com Antônio Dias o comunicado oficial da descoberta ao Coronel Salvador Fernandes Furtado, cabendo a cada um deles a concessão de datas.


“Segundo a lenda, o Padre Faria era muito pedinchão, esmolava oportuna e inoportunamente, nem sermão fazia, sem acabar pedindo esmolas”.


Diz a lenda:

“Pregava o Padre Faria
E logo ficou patente
Que o sermão acabaria
Pedindo dinheiro à gente.

Eu fui comigo dizendo
- Não creio em tais artimanhas
Fala p’ra aí, reverendo,
Que nem vintém me apanhas.

Meu bolso estava repleto
De cobre, de prata e de ouro,
E era com bom afeto
Que eu guardava o meu tesouro

À medida que o sermão
Se ia desenvolvendo,
A minha resolução
Pouco a pouco ia cedendo.

Fiquei por fim, comovido
Com a pintura do pobre,
E estava já resolvido
A dar-lhe o meu cobre.

Novo rasgo de eloqüência
Fulgiu do padre na boca,
E envergonhou-me a consciência
De afetar cousa tão pouca.

Dessa eloqüência era fogo
De uma caridade exata;
Resolvi-me desde logo
A dar-lhe também a prata.

Enfim na peroração,
Mostrou tal primor e estudo,
Que dei-lhe de coração
Cobre e prata, ouro e tudo.”

In: Igrejas e Irmandades de Ouro Preto, J.F.Menezes


O Padre Faria era natural da Ilha de São Sebastião, Capitania de São Paulo.

A capela  do Padre Faria é tombada pelo IPHAN
Registrada no livro de Belas Artes
Inscrição: 249    Data: 8 de setembro de 1939.


Horário de funcionamento: terça-feira a domingo de 08h30 às 16h30

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