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Ouro Preto

Basílica Nossa Senhora do Pilar

  • Ouro Preto - Matriz de N.S do Pilar - Sérgio Freitas
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  • Ouro Preto - Altar-mor Matriz de N.S do Pilar - Sérgio Freitas
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  • Ouro Preto - Altar da Matriz do Pilar - Sérgio Freitas
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  • Ouro Preto - Pratarias ( Matriz do Pilar ) - Sérgio Freitas
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  • Ouro Preto - Altar lateral de S Miguel e Almas  Matriz do Pilar - Sérgio Freitas
  • Ouro Preto - Interior da Matriz de N.S do Pilar - Sérgio Freitas
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  • Ouro Preto - Matriz de N.S do Pilar - Sérgio Freitas
  • Ouro Preto - Ig. Nossa Senhora do Pilar  - Maria Lucia Dornas
  • Ouro Preto - Ig. Nossa Senhora do Pilar - Maria Lucia Dornas
  • Ouro Preto - Ig. Nossa Senhora do Pilar  - Maria Lucia Dornas
  • Ouro Preto - Matriz Nossa Senhora do Pilar - Divanildo Marques
  • Ouro Preto - Tapa vento da Matriz N. Sra. do Pilar - Divanildo Marques
  • Ouro Preto - Matriz Nossa Senhora do Pilar - Divanildo Marques

Histórico
A Matriz de Nossa Senhora do Pilar é um dos mais exuberantes templos de Minas Gerais. É o apogeu da decoração barroca, proporcionando um efeito dramático para os sentidos.O douramento excessivo acaba por deslumbrar o visitante. Uma visita à Matriz do Pilar é uma verdadeira aula de história da arte. ”É a igreja o local onde se dá realmente o grande acontecimento do espaço barroco” (Ferreira Goulart).


Provavelmente, a primitiva capela foi construída nos primeiros anos do século 18 e, em 1712, já era ampliada para se tornar a matriz. O dado interessante é que o templo tinha a posição invertida, com a fachada voltada para a direção de onde está a capela-mor hoje. Em 1730, João Fernandes de Oliveira arrematou as obras para novas ampliações.


Em 1733, as obras estavam prontas. Foi, então, organizada uma procissão para trasladar o Santíssimo Sacramento da Capela de Nossa Senhora do Rosário até a Matriz, e que acabou se tornando a maior festa já realizada na Capitania das Minas no século 18 - o
Triunfo Eucarístico. "Triunfo Eucarístico de 1733, o vigário Felix Simões proclama para toda a cristandade: Eucharisthia in Translatione victrix , a Eucaristia vitoriosa na trasladação. Todo um reboliço de arte e política na religião popular ... ouro e música, fantasias e foguetes, teatros e serenatas, banquetes e danças, janelas com rendas  e calçadas floridas...germina, nas minas gerais de Vila Rica, a semente cultural de um novo mundo, em sua mais lídima brasilidade."(Pe. José Simões).


Em 1825, devido ao mau estado de conservação da fachada, a irmandade resolveu reconstruí-la, o que acabou por lhe conferir uma característica eclética.


Arquitetura e decoração


Capela-mor

Essa obra magnífica foi executada pelo português Francisco Xavier de Brito. Do pouco que se sabe sobre sua vida, tem-se a certeza que em 1741 já estava atuando em Vila Rica. A partir de 1746, inicia-se a obra da talha da capela-mor, trabalhando nela até a sua morte em 1751. Essa capela-mor é uma festa de querubins, flores, volutas, anjos, atlantes e folhagens, transformando-a em uma esplêndida obra decorativa do joanino. “Esta denominação foi uma homenagem ao monarca português D. João V. Considerado pelo Papa como o rei cristianíssimo, destacou-se com doações e investimentos em obras religiosas, demonstrando verdadeira admiração pela arte italiana e francesa. Com isso, a talha nacional foi sendo deixada, em favor de modelos internacionais.” (Adalgisa A. Campos).


Foi através de Xavier de Brito que o estilo joanino chegou a Minas.”Não é propriamente pela sua atividade de entalhador, mas antes e sobretudo pela sua obra de escultor, que Francisco Xavier de brito merece ser destacado como um dos mais notáveis artistas que atuaram em Minas no século 18.” (Myriam Ribeiro).


Um dos elementos decorativos da capela-mor são duas belas colunas salomônicas. Essas colunas que se desenrolam de maneira espiralada, apresentam, no terço inferior, caneluras ou estrias, e na parte restante, são adornadas com motivos fitomorfos. Quanto ao nome salomônica – no primeiro Livro dos Reis, no antigo testamento, cap. 7, há uma descrição da construção do templo de Salomão, onde há também referências às colunas. Segundo a tradição, havia uma coluna no Vaticano que teria pertencido ao templo de Salomão e que serviu de inspiração para o mais importante escultor do período do barroco na Europa, Gian Lourenço Bernini. Essas colunas acabaram se tornando um dos principais elementos decorativos do barroco.


Deve-se destacar as seguintes obras:

Pinturas parietais 
De autoria de Bernardo Pires, as pinturas parietais da capela-mor têm como tema as estações do ano, sendo uma analogia à própria vida humana, seu desenvolvimento, nascimento, formação, maturidade, senilidade.


Ao alto, têm-se, de cada lado, dois dos quatro evangelistas, ladeados por anjos feitos em prata. Bem ao alto, na cimalha, anjos seguram símbolos das virtudes teologais e cardeais.  No forro, a cena da Santa Ceia. Completando a composição decorativa e pastoral da capela-mor, tem-se Nossa Senhora do Pilar.


Arco-cruzeiro
O arco-cruzeiro, tem como função dividir a nave da capela-mor. Essa obra possui belos motivos florais e não existem flores em duplicata, são todas diferentes umas das outras. Foi executada por Ventura Alves Carneiro em 1751. A tarja, no centro, mostra as duas irmandades que foram responsáveis pela construção da Igreja Paroquial de Nossa Senhora do Pilar. A Irmandade do Santíssimo Sacramento é representada pela custódia que está na mão da Nossa Senhora do Pilar.  E a Irmandade do Pilar é, por sua vez, representada pela própria Nossa Senhora.


Nave
A nave, com seus seis altares laterais, tem o mesmo esplendor da capela-mor. Os altares estão distribuídos da seguinte forma: do lado direito, começando pelo arco-cruzeiro, Senhor dos Passos, Sant’Ana e São Miguel; do lado esquerdo, Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora do Rosário e Santo Antônio. Com exceção do altar de Nossa Senhora do Rosário e Santo Antônio, que mostram influência da talha nacional portuguesa, os outros são obras de Manuel de Brito, com talha joanina.


Os púlpitos seguem o mesmo estilo rebuscado e pomposo dos altares laterais. O púlpito é o local onde o sacerdote realizava a leitura do evangelho, das epístolas e fazia as homilias. O púlpito, à esquerda de quem está de frente para o altar-mor, é denominado púlpito do Evangelho, o da direita, púlpito da Epístola. Na prática, o sacerdote só usava o púlpito do lado do Evangelho. O outro, acabava por ter apenas função estética. O tambor é todo decorado com flores, e no console do púlpito, a presença de anjos atlantes. Não existe documentação que comprove a autoria dessa obra.


No forro da nave, tem-se o chamado “caixotão”. São diversos painéis separados por molduras que formam uma bela composição de linhas. A pintura em caixotão foi popular em Minas Gerais até a década de 40 do século 18. Nos painéis, cenas do antigo testamento; mais ao centro, quatro santos; e no medalhão central, o cordeiro apocalíptico rodeado por anjos. A pintura é do artista João Carvalhais e foi executada em 1768.


Sacristia
Na sacristia,  a atração fica por conta de um belo arcaz em jacarandá, com mais de oito metros de comprimento sem emenda. Os puxadores das gavetas trazem a custódia, símbolo da Irmandade do Santíssimo Sacramento.


Um pequeno altar, também em jacarandá, acomodado em cima do arcaz, é atribuído ao Aleijadinho.


Consistório
Esse era o local reservado para reuniões da Irmandade. Hoje, há uma exibição de imaginária sacra. Destaque para a imagem São Francisco de Borja, que tem as costas ocas. Através de um espelho na parede, pode-se observar como a imagem foi escavada. Essa técnica acabou dando origem à lenda do santo do pau oco, que seria usado para esconder o ouro para o contrabando.


Na realidade, essas imagens eram ocas por uma técnica de escultura que tinha como função não deixar a escultura rachar no final do trabalho, pois a escultura em um só bloco corre um risco muito grande de se fender ao final, e também, tornar as imagens mais leves para serem carregadas nas procissões.

 
A Igreja Matriz Nossa Senhora  do Pilar é tombada pelo IPHAN
Registrada no livro de Belas Artes
Inscrição: 246   Data: 8 de setembro de 1939.


Horário de funcionamento: terça a domingo de 09h às 10h45 e de 12h às 16h45

 

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