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Ouro Preto

Distrito de Cachoeira do Campo

  • Ouro Preto - Colégio Dom Bosco - Luciana Teixeira Silva

A caminho de Ouro Preto está o simpático e antigo distrito de Cachoeira do Campo. A origem da localidade não está ligada à mineração do ouro; surgiu de um roçado. Aliás, muitas localidades de Minas tiveram essa origem. O início do século 18 marca o surgimento desses roçados, uma vez que o ano de 1701 é conhecido na região das minas como o ano da fome.


A região era extremamente carente na questão de abastecimento de gêneros alimentícios e os preços praticados eram altos. Para se ter uma idéia, enquanto uma galinha custava 160 réis em São Paulo, aqui custava 4.000 réis. Muitos dos produtos eram importados de outras partes da colônia. Daí, a necessidade de se criar roçados para amenizar essa carência. Inclusive, o próprio governo da Capitania incentivava a criação dessas áreas. A localidade de Cachoeira do Campo era, então, uma ilha de fertilidade meio a um solo tão rico em  variedades de minerais.


O distrito presenciou fatos marcantes na história de Minas: em 1709, o líder da Guerra dos Emboabas, Manuel Nunes Viana, é aclamado Governador das Minas; em 1720, Felipe dos Santos, fugido da fúria do conde de Assumar, ao chegar no povoado, discursa conclamando o povo a lutar contra o despotismo da Coroa Portuguesa. Mas era tarde, os Dragões do Rei chegam ao povoado e efetuam sua prisão.   Ali também, em março de 1789, é denunciada a Inconfidência Mineira.


O Palácio de Verão, residência edificada no distrito  em 1773  para os governadores da Capitania, foi o cenário deste ato. Na época, a Capitania estava sob o governo do Visconde de Barbacena que, ao tomar posse, preferiu  residir no palácio com a família. Apenas para audiências ele ia a Vila Rica.


Cachoeira do Campo abrigou, também, um dos quartéis dos Dragões do Rei na Capitania das Minas. No século 19, ele transformou-se em uma coudelaria de propriedade do imperador D. Pedro II, de onde surgiram as matrizes para duas raças brasileiras de eqüinos: o campolina e o mangalarga.


Essa questão influenciou o distrito a tornar-se um “centro produtor de apetrechos e acessórios para montaria e tropa de carga: selas, arreios, cabrestos, barrigueiras de crina, rédeas (de crina e de couro cru), chicotes, talas, rabichos. Cachoeira do Campo abastecia toda a Zona da Mata e até o Rio de Janeiro com os produtos artesanais em couro. Ainda há um ou dois remanescentes desses artesãos. As talas e chicotes em couro cru são verdadeiras obras de arte”.(Ouro Preto World). Hoje, essa edificação histórica abriga o Centro Dom Bosco.


Outros tipos de artesanato também chamam atenção em Cachoeira. Nas barraquinhas e lojas ao longo da estrada para Ouro Preto, é possível observar, bem de perto, como a pedra sabão vai se transformando em arte nas mãos da população local. Também são encontradas peças feitas em cobre.      


Um dos mais importantes atrativos do distrito é a Matriz de Nossa Senhora de Nazaré, belíssimo exemplar da primeira fase do barroco mineiro que possui uma suntuosa talha com douramentos.


Algo a se observar são os quintais de Cachoeira do Campo, repletos de jabuticabeiras. Nas primeiras chuvas de finais de ano, elas frutificam como oferendas da natureza e as divinas frutinhas, muito saborosas, acabam sendo vendidas em toda a região. 


O fato de Ouro Preto não possuir mais espaço para o crescimento de sua área urbana faz com que Cachoeira do Campo seja atualmente, o alvo de investidores em loteamentos, sobretudo para a necessária construção de estabelecimentos comerciais de médio porte que Ouro Preto não comporta
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Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazaré
Uma das mais belas decorações barrocas, dentro de um templo religioso mineiro, pertence à Matriz de Nossa Senhora de Nazaré. Seus retábulos, em estilo nacional português, são verdadeiras obras-primas da arte colonial mineira. Este estilo predominou em Minas Gerais nas primeiras décadas do século 18. Um dos destaques é a pintura do forro executada em 1755 por Antônio Rodrigues Bello, para o historiador Alex Bohrer é a primeira pintura em perspectiva em Minas.


“A matriz de Nossa Senhora de Nazaré guarda o esplendor da talha do primeiro barroco de Minas, em estilo nacional português. Arquivoltas e douramento fazem o espetáculo visual do templo barroco.” ( Ângelo Oswaldo).


A imagem de Nossa Senhora de Nazaré veio de Braga, norte de Portugal, segundo a tradição oral a primeira imagem intronizada no altar mor pertenceu ao primeiro morador de Cachoeira do Campo, Manuel de Mello.


Infelizmente, não se tem documentação sobre a construção. A freguesia foi instituída em 1710 e se tornou paróquia colativa em 1724.


Nossa Senhora de Nazaré
 
Em sua iconografia, Nossa Senhora de Nazaré geralmente aparece sentada ou em pé, trazendo, no braço esquerdo, o Menino Jesus, e no direito, um ramo de flores. Sob seus pés, querubins lhe acompanham.

 

A invocação é originária devido ao fato de Maria ter vivido e recebido a visita do Arcanjo Gabriel, que lhe anunciou a concepção do Cristo em uma pequena aldeia chamada Nazaré, nas montanhas da Galileia. Hoje, o local faz parte do Estado de Israel.


Centro Dom Bosco
A primeira função desse prédio foi a de abrigar a sede do Regimento de Cavalaria que, até 1738, funcionava na Vila do Ribeirão do Carmo. A sua transferência para Cachoeira do Campo foi devido a esse distrito ter ótimas áreas para pastagem. Em 1779, foi construído ali um novo quartel durante o governo de D. Antônio de Noronha.


No século 19, o prédio passa a funcionar como uma coudelaria, de propriedade do imperador D.Pedro II, de onde surgiram as matrizes para duas raças brasileiras de equinos: o Campolina e o Mangalarga.


Os Salesianos receberam esse prédio do governo estadual em maio de 1893 e mais trinta réis para as reformas necessárias. Em troca, a ordem religiosa instalou em suas dependências uma escola de artes, ofícios e agricultura. Essa escola marcou época em Minas Gerais.


Atualmente, o Centro Dom Bosco destina-se a retiros espirituais e à hospedagem.

 

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