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Tiradentes

Igreja Matriz de Santo Antônio

  • Tiradentes - Igreja Matriz de Santo Antônio - Alexandre C. Mota
  • Tiradentes - Matriz de Santo Antônio - Sérgio Freitas
  • Tiradentes - Matriz de Santo Antônio - Sérgio Freitas
  • Tiradentes - Órgão - inteiror da Matriz de Santo Antônio - Sérgio Freitas
  • Tiradentes - Capela-mor - Matriz de Santo Antônio - Sérgio Freitas
  • Tiradentes - Altar do Calvário - Matriz de Santo Antônio - Sérgio Freitas
  • Tiradentes - Altar Lateral dedicado à N.S do Rosário - Sérgio Freitas
  • Tiradentes - Interior da Matriz de Santo Antônio - Sérgio Freitas
  • Tiradentes - Quadro de Santo Antônio - Sérgio Freitas
  • Tiradentes - Parede da Sacristia - Matriz de Santo Antônio - Sérgio Freitas
  • Tiradentes - Parede da Sacristia - Matriz de Santo Antônio - Sérgio Freitas
  • Tiradentes - Matriz de Santo Antônio - Sérgio Freitas
  • Tiradentes - Igreja Matriz de Santo Antônio - Matheus Ventura
  • Tiradentes - Torre da Matriz de São José - Maria Lucia Dornas
  • Tiradentes - Matriz de Santo Antônio - Maria Lucia Dornas
  • Tiradentes - Matriz de Santo Antônio - Maria Lucia Dornas

Belíssima! Barroquíssima! É um encantamento para os sentidos. Uma obra rara que a faz uma das mais lindas e significativas obras da decoração barroca em Minas Gerais. Visita obrigatória para quem vai a Tiradentes.


Histórico
Por volta de 1710, possivelmente, foi construída na região uma capela que, na década de 30, deu lugar a atual matriz. Um dos documentos mais antigos, datado de dezembro 1734, assinala a edificação de “hua igreja nova de paredes mistas de taipa de pilão pela antiga ser de pau a pique pequena e se achar arruinada”.Para ajudar na conclusão das obras, foi feito um pedido a D. João V, que enviou a Irmandade do Santíssimo Sacramento a quantia de 3.000 cruzados. Até 1759, tem-se referência de obras na igreja como as de cantaria e acabamentos em geral. Em 1810, foi feito um pagamento de 10 oitavas de ouro a   Antônio Francisco Lisboa   pelo risco para  o novo frontispício da igreja.


Arquitetura e decoração
Situada em um local privilegiado, a matriz está em um dos pontos mais altos da cidade. Tem a planta retangular como a de quase todas as igrejas mineiras. O frontão apresenta uma obra do rococó desenhada pelo Aleijadinho. Na portada, entre discretas rocalhas, aparece o cordeiro apocalíptico sentado sob o livro do sete selos e segurando o estandarte, simbolizando o Cristo triunfante.Diante da capela-mor, deve-se parar por algum tempo para poder tentar apreender essa obra-prima do barroco mineiro.


Não há nada similar em Minas Gerais. Essa talha magnífica do desconhecido João Ferreira Sampaio foi executada entre os anos de 1739 e 1750. Exibe um trabalho de alta qualidade e rara criatividade.Em um turbilhão decorativo, são centenas de elementos complementados com douramentos. Dois santos dividem a glória do altar-mor – Santo Antônio e São José. Vale a pena uma atenção especial para os atlantes, que aqui não são etéreos anjos, mas figuras masculinas, homens maduros que lembram muito figuras mitológicas gregas “sustentando” a parte inferior do altar. Ao alto anjos carregam cornucópias das quais saem guirlandas.


Do dossel central, saem cortinas que são seguradas por anjos, a sensação é de que, a qualquer momento, as cortinas se fecharão e o espetáculo barroco desaparecerá frente aos nossos olhos. O delirante cenário continua pelas paredes laterais da capela. As famosas volutas, conchas, curvas e contra curvas do estilo, aqui foram usadas com vigor e há graciosos corpos de anjos que terminam em contorcidas folhas de acanto. As telas, representando as Bodas de Cana e a Santa Ceia, de autoria de João Batista da Rosa, estão em surpreendentes molduras. Tudo é magnífico.


A nave possui seis altares: dois ao lado do arco-cruzeiro e seis ao longo da nave. Todos mantêm o estilo barroco, com colunas torsas, profusão de anjos e douramento. O primeiro altar, à esquerda de quem entra na igreja, é dedicado a Nossa Senhora da Piedade e merece uma atenção especial. Observe que todos os anjinhos – cerca de 25 – estão chorando. Não se tem a autoria da obra.


Contrastando com o barroco arrebatador da capela-mor, a decoração do coro é de um gracioso rococó. Nas estípites que o suportam aparecem curiosos rostos de bruxas. A decoração ao alto do coro é de grande graciosidade e leveza, lembrando uma frisa de teatro, e guirlandas douradas são presas sutilmente ao forro. À frente da balaustrada, figuras de anjos descansam em pose relaxada e não convencionais para a decoração de um templo religioso.


No coro, está uma das mais preciosas peças de Minas, o órgão comprado na cidade do Porto, Portugal, fabricado por Simão Fernandes Coutinho e que custou a Irmandade do Santíssimo Sacramento 202 mil réis. Para transportá-lo, foi necessário embalá-lo em 11 caixotes e, assim, em lombo de mulas, saiu do porto do Rio de Janeiro até a Vila de São José del Rei. Sua bela caixa de madeira foi feita na própria Vila por Salvador Oliveira e decorada em estilo rococó pelo pintor Manuel Victor de Jesus. Do mesmo pintor, com alegres tons de vermelho e azul, foi feita a decoração do tambor de apoio ao órgão. Dentro de rocalhas está a figura do rei Davi tocando harpa para abrandar a ira de Saul e o salmo 150, 4, em latim, que tem a seguinte tradução: “louvai-O com timbales e danças; louvai-O com cordas e órgão.”


As duas sacristias são muito bem decoradas com pinturas rococó de Manuel Victor de Jesus, que retratam santos e cenas do Antigo Testamento. Também guardam imagens dos sete passos da Paixão de Cristo.


No adro da igreja, um original relógio de sol esculpido por Leandro Gonçalves Chaves chama a atenção do visitante. Dali, a bela paisagem formada pela imponente serra de São José seduz o visitante, tornando inesquecível sua visita a Tiradentes.


A Igreja Matriz de Santo Antônio é tombada pelo IPHAN
Registrada pelo livro de Belas Artes
Inscrição: 329   Data: 29 de novembro de 1949.

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