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Conceição do Mato Dentro

Capela de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

  • Conceição do Mato Dentro - Capela N. Senhora do Rosário - Diego Gazola
  • Conceição do Mato Dentro - Capela N. Sra. do Rosário - Maria Lucia Dornas
  • Conceição do Mato Dentro - Capela N. Sra. do Rosário - Maria Lucia Dornas
  • Conceição do Mato Dentro - Capela N. Sra. do Rosário - Maria Lucia Dornas
  • Conceição do Mato Dentro - Porta Cap. N. Sra. Rosário - Maria Lucia Dornas
  • Conceição do Mato Dentro - Sinalização Cap. Rosário - Maria Lucia Dornas

Após um incidente entre brancos e negros, ocorrido na Matriz, em 1727, a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos decidiu construir a própria capela. Na visita pastoral de Dom Frei Antônio de Guadalupe, bispo do Rio de Janeiro, aconteceu a proibição da entrada dos negros na matriz. "[...] Por dentro da cerca da igreja, principalmente nas ocasiões de missa e festejos".


As obras, iniciadas em 1728, não possuem documentos quanto à autoria do projeto ou à execução do trabalho e contaram com o auxílio da negra Jacinta de Barros, mulher do capitão Manuel Correia de Paiva, e doações de Gabriel Ponce de Leon, através de testamento.


Em 1730, recebeu a benção inaugural, com a transferência da imagem da padroeira. As obras ornamentais do interior só foram contratadas a partir de 1745. Não há registros de nome de pintores, entalhadores, escultores que tenham trabalhado no templo.


Em 1940, a capela se encontrava em péssimo estado de conservação, e um membro da Irmandade do Rosário, Sr. João Rodrigues do Carmo e Souza, orientou a reforma. Em 1954, o IPHAN restaurou o prédio, sendo ele tombado pelo Patrimônio em 1948.


O frontispício chanfrado, com ligeira curvatura, provavelmente é resultado de reformas do século 19.


Internamente possui três retábulos - um mor e dois laterais. Em estilos diferentes, as talhas são de boa qualidade. Provavelmente o mais antigo é o de São Francisco, por não possuir elementos do rococó. O altar-mor possui tendências para o neoclássico.


Uma singularidade em seu interior é a presença de lambrequins no coro e nas laterais da nave.


A pintura do forro da capela-mor foi executada em 1774; nela estão representadas as figuras de Nossa Senhora do Rosário, São Domingos e alguns santos negros, como São Benedito e Santo Antônio. O estudioso Carlos Del Negro escreveu sobre as pinturas: "A alegria irreprimível dos anjos e querubins... trazia-nos uma mensagem do rococó francês". A policromia do retábulo-mor segue o estilo rococó.

No seu entorno existe um adro pavimentado em pedras e, a sua frente, um coreto.


Irmandade de Nossa Senhora do Rosário
A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos da Vila de Sabará foi fundada em 1713 e foi a responsável pela construção dessa igreja, que hoje é um notável documento arquitetônico. Através das fortes paredes de pedra inacabadas, o passado se impõe, revelando a fé setecentista e demonstrando técnicas de construção.


As Irmandades de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos foram as primeiras a se instalar em Minas Gerais. Reflexo do grande número de escravos na região das minas, foram também as mais numerosas. No censo de 1808, Vila Rica do Pilar (Ouro Preto) registrava que 83,6% da sua população era constituída de negros e mulatos, e 16,4%, de brancos. Na Vila de São José del-Rei (hoje cidade de Tiradentes), enquanto 30,7% da população era composta de brancos, 69,3% eram pretos e mulatos.


O Culto a Nossa Senhora do Rosário

A origem do culto a Nossa Senhora está ligada à história de São Domingos, que, em 1216, fundou a Ordem Dominicana. Um dia, a Virgem Maria apareceu ao santo e lhe entregou um rosário e ensinou-lhe um método de oração. O rosário tem o significado de uma guirlanda de rosas oferecidas a Nossa Senhora.


Existe também a versão de que Alain de La Roche, monge dominicano bretão, seria o iniciador e divulgador da crença.


Nossa Senhora do Rosário é representada sobre um bloco de nuvens com querubins. Em um dos braços, carrega o Menino Jesus e, na mão direita, segura o rosário ou terço. Existe uma versão em que ela aparece entregando o rosário a São Domingos. Outra variante é a Nossa Senhora oferecendo o rosário a São Domingos, e o Menino Jesus, a Santa Catarina de Siena.


O motivo de Nossa Senhora do Rosário ter sido escolhida como protetora dos escravos ainda precisa ser esclarecido. Para alguns, a escolha se deve ao fato de que os senhores brancos, menosprezando o intelecto dos negros, acreditavam que esses não tinham capacidade de assimilar as abstratas orações católicas. Assim, com o rosário ou o terço, tinham algo tátil na mão, que facilitava as orações. Há outra versão que assim explica: como algumas tribos já utilizavam búzios e contas em seus rituais, o rosário ou terço tornaria mais fácil a compreensão das orações.


A Igreja Nossa Senhora do Rosário foi tombada pelo Instituto Nacional do Patrimônio Artístico Nacional (IPHAN).


Registrada no Livro Histórico. Inscrição 253. 16 de novembro de 1948.
Registrada no Livro Belas Artes. Inscrição 319. 19 de novembro de 1948.

 

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