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Sabará

Capela de Nossa Senhora do Ó

  • Sabará - Igreja Nossa Senhora do Ó - Antônio Celso Moreira
  • Sabará - Igreja Nossa Senhora do Ó - Antônio Celso Moreira
  • Sabará - Igreja Nossa Senhora do Ó - Antônio Celso Moreira
  • Sabará - Igreja Nossa Senhora do Ó - Antônio Celso Moreira
  • Sabará - Largo Nossa Senhora do Ó - Antônio Celso Moreira
  • Sabará - Igreja Nossa Senhora do Ó - Antônio Celso Moreira
  • Sabará - Igreja Nossa Senhora do Ó - Antônio Celso Moreira
  • Sabará - Igreja Nossa Senhora do Ó - Antônio Celso Moreira
  • Sabará - Altar-mor da Igreja de N. Sra. do Ó - Diego Gazola

Joia da arte colonial mineira! Assim é conhecida esta excepcional capela que emana toda a religiosidade mineira da primeira metade do século 18.


Histórico

Os fiéis devotos de Nossa Senhora da Expectação do Parto iniciaram a construção de uma capela em sua homenagem no ano de 1717, no arraial de Tapanhuacanga. O terreno foi doado pelo Senado da Câmara de Sabará, conforme  registrado em documento de 1º de janeiro de 1718. Existem indícios de que, provavelmente, existiu no local uma capelinha muito simples.


O capitão-mor Lucas Ribeiro de Almeida assumiu a construção do corpo da igreja e contratou  como ajudante Manuel da Mota Torres em janeiro de 1719. Por causa do ex-voto exposto hoje no nártex da igreja, que relata uma graça alcançada pelo próprio capitão-mor, datado de 1720, conclui-se que nessa época a parte arquitetônica já se encontrava pronta. Os trabalhos decorativos teriam sido iniciados após o término da obra.


O culto a Nossa Senhora da Expectação, também conhecida sob as denominações de Nossa Senhora da Espera, da Esperança, do Parto ou do Ó, iniciou-se na Espanha, no ano de 656, no Concílio de Toledo. Seu  grande incentivador foi Santo Idelfonso, que ordenou que a festa se celebrasse no dia 18 de dezembro, sob o título de Expectação do Parto da Beatíssima Virgem Maria. A devoção se espalhou por toda a Espanha e Portugal, onde se tornou muito popular. Em Minas Gerais, o culto a Nossa Senhora do Ó se iniciou em Sabará.


A iconografia original de Nossa Senhora da Expectação do Parto era sua representação grávida. Ainda na Idade Média, essa iconografia foi proibida pela Igreja. “A imagem da Virgem do Ó em Sabará apresenta os braços cruzados sobre o peito. O ventre não se apresenta intumescido”, conforme observou Sylvio de Vasconcellos. “Embora a invocação tenha ocorrido em Sabará tardiamente, no século 18, sua objetivação em imagem já se fez menos realista conforme preconizava então a Igreja” (Caderno de Pesquisa – Iconografia – IEPHA).


As ladainhas rezadas a Nossa Senhora da Expectação do Parto iniciavam-se com a letra Ò, e, por esse motivo, dizem, ela passou a ser chamada pelo povo de Nossa Senhora do Ò.


Arquitetura e Decoração  

Seu padrão arquitetônico original sofreu diversas modificações ao longo do tempo. No fim do século 18, seguindo o modismo das construções religiosas da época, seu frontispício foi reconstruído com chanframento e acréscimo de uma torre central, que abriga um  sino de 1782.


Por não existir nenhum documento sobre entalhadores e pintores que teriam trabalhado na igreja, são várias as hipóteses para explicar sua surpreendente decoração. Rodrigo de Melo Franco de Andrade, primeiro diretor do nosso Patrimônio Histórico, com base em um documento de 1721, acreditava na teoria que considera o pintor Jacinto Ribeiro como  o autor das chinesices que se alastram pelo arco cruzeiro. No documento, consta que Jacinto era natural da Índia e que residia na Capitania das Minas, desde 1711.


Também há a suposição de que artesãos originários das possessões portuguesas do Oriente teriam chegado as Minas no período da efervescência das descobertas dessas. Os exóticos elementos decorativos orientais tornaram-se modismo em várias regiões da Europa,  e hoje são chamados de chinecises. Obras de arte, tecidos e louças eram levados a Portugal através do intenso tráfico comercial. Assim não era difícil encontrar algum artista português que dominasse a técnica e os motivos orientalizantes.


A nave da Capela Nossa Senhora do Ó é decorada com 14 painéis ricamente emoldurados, que retratam várias cenas da vida de Cristo, principalmente as referentes ao nascimento e à infância de Jesus. È importante observar bem essas cenas, uma vez que  todas as figuras possuem cativantes olhos oblíquos. No primeiro painel à esquerda, São José está com trajes setecentistas, botas, capa e chapéu; ao fundo, uma cidade medieval cercada de muralhas.


O forro em caixotão é dividido em 15 painéis emoldurados, e as pinturas são relativas aos símbolos marianos relacionados ao Eclesiastes, ao Apocalipse e à Ladainha de Nossa Senhora.


O templo passou por reformas entre 1890 e 1900. Provavelmente, foi nesse período que dois painéis parietais foram extremamente danificados em razão de  duas aberturas que visavam à  “melhoria” da iluminação da igreja. Nos trabalhos de restauração, os painéis danificados foram “recolocados”, recompondo assim a estética da nave. Ainda na nave, a presença de apenas um púlpito, que possui sua bacia trabalhada em madeira.


O arco cruzeiro é o ponto alto da decoração. Os painéis octogonais em fundo azul escuro possuem  delicadas pinturas em ouro, mostrando pagodes chineses, aves do paraíso e chineses. Essas pinturas é que levaram a igreja a ser conhecida como “capela chinesa”. O arco ainda possui elementos decorativos, como voltas e contravoltas, folhagens e pelicanos eucarísticos.


A capela-mor é primorosa; seu autêntico retábulo nacional português é de excelente qualidade. O forro em caixotão está dividido em seis painéis que mostram cenas da vida de Maria. Nos painéis parietais, estão cenas da Sagrada Família; no trono, está Nossa Senhora do Ó.


Ex- Voto
"Mercê q fes N.S. do Ó ao Cpp Maior Lucas Ribeiro regente desta V Real de N. S. da Conceicam o qual vindo de fazer a festa a adª sª deq hera iviz oacometeram temerariam quatro soldados dos dragois edepois todos osmais da compª com deseio deomatarem mas nem comasespadas nem comvarios tiros q imederam foi posivel q conseguisem o intento porq amai de Deos deu forças ao seo devoto pª q detudo se defendese sem reseber o menor perigo nem em si nem em os escravos q oacompanhavao emcinal deagradecimento mandou fazer esta memoria que sossedeo em os 29 de dezenbro de 1720."


A Capela de Nossa Senhora do Ó é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
Registrada no Livro de Belas Artes
Inscrição:110
Data: 13 de junho de 1938

 

 

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