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22. Juscelino Kubitschek de Oliveira

JUSCELINO KUBITSCHEK EM SUAS PALAVRAS


“Na velha e querida Diamantina eu era o Nonô, menino pobre, filho de Dona Júlia, que andava descalço e não tinha onde estudar”


1902 -   “Nasci em Diamantina, a 12 de setembro de 1902, num sobrado que pertencia ao meu avô  e ficava na Rua Direita, quase em frente a catedral. Era filho de João César de Oliveira e Julia Kubitscheck”.


1905 -  '”Na verdade mal conheci meu pai, e naquela idade não poderia conservar maiores recordações pessoais”.  Falecimento de João César de Oliveira.


1914 – “Prossegui meus estudos no seminário, onde adquiri boa base humanística e aprendi a disciplinar minhas leituras...começou a delinear-se em meu espírito a idéia de ir estudar medicina”.


1920 – “Como quer que seja, este ano de 1920 constituiu um marco, uma linha divisória na minha  juventude. Foi o último que passei em Diamantina”.


17 dez. “Preparei-me cuidadosamente para o grande evento. Providenciei roupa nova, comprada a prestações. Escrevi à minha mãe para lembrar-lhe que fazia questão da sua presença... A formatura foi, de fato, para mim, um divisor de águas... de simples interno, tornei-me assistente (de Júlio Soares) na 3ª Enfermaria de Clínica Cirúrgica. Isso significava que eu iria operar, minha maior aspiração”.


1930 – “Em fins de abril de 1930 segui para a Europa. Em Paris, enquanto ampliava e aprofundava meus conhecimentos no  campo da medicina, eu lia, também, História e Literatura. Adquiri mais tranquilidade e auto confiança, atenuando e corrigindo os excessos do meu temperamento...Dediquei-me, de corpo e alma, ao curso. E, ao terminá-lo, obtive excelentes notas, tanto na prova escrita, como nas demonstrações cirúrgicas”.


1931-  30 dez. “A cerimônia realizou-se na igreja da Paz, em Ipanema. Foi simples e a mais íntima possível”. Casa-se com Sarah Gomes de Lemos.


1932 – “Tal como São Paulo, Minas estava em pé de guerra. A luta ainda não havia começado do  lado mineiro, mas as posições já estavam tomadas. Esperei com tranquilidade, a ordem  de seguir para o front”.  “Fui para Passa Quatro apenas por ser médico. Entretanto, ali o sucesso me sorriu. Conquistei amigos, salvei vidas”.


1933 – “Tudo corria como planejado. Vinha cobrindo, com segurança o roteiro traçado pela vocação. Estava casado...Possuí a minha casa. Além disso, havia realizado um curso de especialização na Europa e, aproveitando a oportunidade, conhecera o Oriente Médio e a Europa Oriental. E tudo isto fora obtido sendo eu médico, exclusivamente médico”.


”Almoçava com minha mãe, quando me chamaram do Palácio da Liberdade... Benedito (Valadares) estava visivelmente feliz... E soltou a bomba, que me deixou perplexo: Você, por  exemplo, será o chefe da minha Casa Civil... a chefia da Casa Civil era justamente um dos poucos cargos que, efetivamente, não poderia exercer...Meus argumentos não tiveram força para fazer com que Benedito compreendesse minha posição... Aceitei, pois, o  cargo. Iria atender ao amigo”.


“Foi nessa época que construí minha primeira obra pública. Tratava-se de uma ponte sobre o Ribeirão do Inferno, que permitiu a  ligação da cidade de Rio Vermelho, fonte fornecedora de gêneros de toda espécie a Diamantina ...Era uma ponte apenas  e uma ponte com uma finalidade específica, a ligação de Diamantina com  Rio Vermelho. Entretanto, apesar  de sua limitada importância, ela iria ter consequências, na época, imprevisíveis. Benedito achou graça no meu interesse pela obra. Informou-se de tudo e, quando a construção estava em andamento, disse-me à guisa de advertência: se você não assumir a chefia política de Diamantina, sua cidade vai desaparecer. Era um apelo para que eu entrasse na política. Valeria  a pena? O que estava em jogo era o futuro da minha terra”.


“Ao iniciar meu trabalho no Palácio da Liberdade, recebi os primeiros pedidos, chegados de Diamantina... as pontes de madeira, corroídas pelo tempo, haviam ruído, deixando a cidade isolada... o grupo escolar estava em ruína os quinze distritos do município ainda permaneciam isolados, o antigo relicário arquitetônico estava sendo desfeito com o tempo.... Este fora o resultado de quarenta anos de domínio político do Senador Olímpio Mourão”.


1934 -  Abr. “Em abril de 1934, Benedito Valadares fez-me uma comunicação importante: decidi  incluir seu nome na chapa para deputados federais. Essa inclusão representará eleição certa. Agora, quer você queira, quer não queira, vai ser político”.


1934 -  4 out. “Verifiquei, com surpresa ter obtido excelente votação...fui o deputado mais votado, ultrapassando, em número de votos todos os principais líderes políticos do Estado... O médico já começava a deixar a cena sendo substituído aos poucos, pelo político”.


1936 – “Eis que, de súbito, eu me via envolvido, de corpo e alma, na política de Diamantina. Iriam realizar-se eleições para a formação do corpo de vereadores das prefeituras do interior, então sob intervenção... Benedito desejava  evitar que Diamantina não caísse nas mãos dos adversários... Aceitei o desafio, e preparei-me para a luta... E eis que  aquele menino, então homem, iria voltar já formado em medicina, eleito deputado federal e transformado em candidato a chefe político do município...”


“Ao iniciar a campanha, surpreendi os adversários com meu sistema de  angariar votos... optei por um sistema  diferente. Ia de casa em casa, solicitando pessoalmente o voto de cada eleitor... Às oito horas da noite, realizou-se o comício no centro da cidade... dei o número de pontes...falei das escolas...e sobre o hotel, anunciei sua necessidade já que, se fosse vitorioso nas urnas, iria converter Diamantina  num centro de atrações para turistas”. (grifo nosso)


“... Venci meus adversários por cento e vinte votos, elegendo 11 dos 15 vereadores distritais... fiz meu amigo Joubert Guerra prefeito do município. Minha vitória nas urnas trouxe de volta minha ternura pela velha cidade. Iniciou-se, então, a saga de retirar Diamantina do isolamento em que, desde muito, se encontrava. A recuperação teria de ser levada a efeito em dois sentidos nitidamente diferenciados: a preservação do centro urbano, que era e ainda é uma joia arquitetônica e a integração do município, através de uma rede de estradas, à comunidade estadual, sem esquecer, naturalmente, o problema  da indispensável ligação da cidade aos seus quinze distritos... com a abertura das estradas, Diamantina deixou de ficar isolada. Já não era um minúsculo mundo à parte, só acessível pelos trenzinhos...”


“... Novos problemas, que exigiam imediata solução... a arquitetura do século 20 que se impunha  avassaladoramente para deturpar um centro urbano, que é um dos conjuntos barrocos mais preciosos do Brasil. Ante a ameaça, agi junto ao Serviço do Patrimônio Histórico Nacional e obtive de seu diretor, Rodrigo de Melo Franco de Andrade, o respectivo tombamento. Estava salva a cidade. Tudo isso havia sido feito em breve prazo, de 1934 a 1937”.


1937 - 10 nov. “Fechamento do Congresso por Getulio Vargas. Início do Estado Novo." ... Vestindo avental branco, eu retomava, em caráter definitivo, minha atividade de médico no velho consultório, instalado no edifício Ibaté, na esquina da Rua São Paulo com Avenida Afonso Pena em Belo Horizonte”.


1940 -  '”No início de 1940, Benedito Valadares chamou-me ao Palácio  e fez-me esta surpresa: Comunicou-me que decidira nomear-me para o cargo de prefeito de Belo Horizonte... Passada a perplexidade, a princípio a idéia me pareceu simpática. Sendo prefeito, iria agir outra vez como médico. O doente ali estava. Era Belo Horizonte - um doente que repousava num leito de fícus e de rosas. A política havia-me envolvido de vez, definitivamente”.


“Entretanto, a Pampulha ali estava, desafiando minhas reservas de imaginação. Um prefeito não deve pensar tão somente em coisas práticas. A beleza, sob todas as  formas, precisa fazer parte de suas cogitações”. (grifo nosso)


1945 – “...Resumindo a obra administrativa que tinha levado a efeito, poderei dizer... enfim, encontrei uma metrópole. De qualquer forma, a Prefeitura havia sido uma grande experiência. Representara minha iniciação administrativa. Mas tudo chegara ao fim. Dali em diante, era apenas o 1º secretário do PSD...”


“A eleição para Câmara Federal iria impor grandes alterações na minha vida. Deixaria Belo Horizonte por uma grande temporada e iria fixar residência no Rio... Na época eu tinha em vista uma realização imediata de um  único objetivo: o de exercer com dignidade, o meu segundo mandato de deputado federal por Minas”.


“- É escolhido pela comissão executiva do PSD para candidato a Governador." ... A notícia da minha indicação correu célere e, minutos depois, todas as emissoras,  interrompendo seus programas, divulgam a indicação do meu nome...  Decidi ir a Diamantina, numa comovida homenagem à cidade que me servia de berço. Fui recebido triunfalmente...”


“...Contudo, o que me preocupava era encontrar um slogan, uma síntese que pudesse compor, numa simples frase, a imagem da administração que pretendia realizar... Sua administração disse ele (Pedro Calmon)  poderá  ser condensada num binômio  o Binômio: Energia e Transportes”.


1951 - 31 jan. “31 de janeiro de 1951. Levantei-me cedo, porque era intenso o programa a ser cumprido naquele dia. Enquanto, no Rio, teriam lugar as cerimônias da posse de Getúlio Vargas, na presidência da República, em  Belo Horizonte realizar-se-ia a minha ascensão  à governadoria do  Estado”.


“Diversos fatores, porém, haviam conspirado para que fosse desviado o rumo que, desde a juventude, tinha planejado para os meus passos... Se houve predestinação, o que posso dizer é que não foi somente por sua influência que cheguei ao Palácio da Liberdade. A partir de 31 de janeiro, porém, o horizonte que se me abria aos olhos era de um grande Estado  um dos maiores da Federação cujos problemas na sua quase totalidade aguardavam solução”.


“...O primeiro impulso, contudo, havia sido dado quando mobilizei a opinião pública em favor do Binômio: Energia e Transportes... Assim coloquei os melhores elementos de que Minas dispunha para organizar uma grande comissão que se encarregaria da execução do plano de eletrificação do Estado. Dessa comissão nasceu a CEMIG ... logo se transformou em  uma máquina de construir usinas. Voltando as vistas para o outro setor do  binômio rodovias - incumbi o engenheiro Celso Murta, e em seguida, o engº João Kubitscheck, novos diretores do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem, de reformularem radicalmente sua estrutura...”


1954 -  “Minha atuação à frente do Governo de Minas era observada com interesse pelos círculos políticos nacionais. Tratava-se de um novo sistema de administração : respeito à opinião dos adversários; e uma ação dinâmica, com o próprio governador transformando-se em fiscal de obras, fazendo-se presente em todas as frentes de trabalho. Em novembro de 1945, o Senador Dinarte  Mariz afirmara, em entrevista aos jornais do Rio: Desde 1951, nosso partido vem observando Juscelino com o maior interesse”.


1954 - 24 ago. “Morte do Presidente Getúlio Vargas.  Não havia mais o que esperar, E enquanto os adversários ainda conspiravam, minha candidatura deixava de ser assunto discutido nos bastidores do PSD para extravasar no âmbito partidário e ganhara a rua, transformando-se numa causa nacional. Quanto  maior era a campanha feita contra mim pela imprensa udenista, mais o meu nome se fortalecia no sentimento do povo, tornando imperiosa a oficialização da minha candidatura”.


1955 – “Após o resultado da convenção, e já sendo oficialmente  candidato à  presidência da República, o primeiro problema é que teria de deixar o governo de Minas no dia 31 de Março, a fim de desincompatibilizar para as eleições de 3 de outubro”.


1955 - 4 abr. “No dia 4 de abril, realizei a minha primeira viagem de candidato já descompatibilizado...Voamos para Goiás, mas não pudemos descer na primeira cidade programada - Rio Verde  por causa do mau tempo. Seguimos pois, para Jataí, onde atravessamos sob uma chuva torrencial...Nessa ocasião, pus em prática nova modalidade de contato com o público, e que era revolucionária para a época: convidava o povo  a me apartear, de forma a que o comício, ao invés  de ser monólogo, pudesse ser convertido num diálogo. O êxito da inovação animou-me a utilizá-la ao longo de toda a campanha”.


“Em Jataí, entretanto, ocorreu um fato relacionado com essa inovação, que iria tornar aquele  comício histórico... um popular adiantou-se e interpelou: Já que o senhor se declara disposto a cumprir integralmente a Constituição, desejava saber se irá por em prática aquele dispositivo da  Carta Magna, que determinava a transferência da capital da República para o planalto goiano? A pergunta era, na realidade, embaraçosa... A idéia sempre  me pareceu utópica, irrealista. Entretanto, naquele comício de Jataí vi-me, de súbito, posto frente à frente com o desafio...a mudança estava prevista na Constituição”.


“Não hesitei um segundo e respondi, com firmeza: acabo de prometer que cumprirei, na íntegra, a Constituição, e não vejo razão para ignorar esse dispositivo. Durante o meu quinqüênio, farei a mudança da sede do Governo e construirei a nova capital”.


“A partir do dia 5 de outubro, aniversário de Sarah, a contagem de votos a meu favor desenvolveu-se numa progressão crescente... Assim, antes do fim de outubro, já estava eleito pela vontade soberana do povo e por uma vantagem de quase quinhentos mil votos sobre o segundo colocado”.


1956 – “Estávamos a 30 de janeiro de 1956. No dia seguinte, seria a minha posse. Tinha a consciência tranquila, já que o vendaval de insânia que naqueles últimos meses havia assolado  o país, não havia sido desencadeado por mim, mas contra mim. O que me preocupava era apenas o compromisso que havia assumido com os que me tinham dado o seu voto: o de fazer o Brasil progredir 50 anos em 5. Esse compromisso estava disposto a honrar, custasse o que custasse”.


 “O Desenvolvimento que iria executar já o tinha elaborado desde alguns meses. Popularizara-se com o  Programa de Metas, em número de trinta, às quais acrescentarei uma trigésima primeira Brasília que denominei Meta-Síntese. Naqueles primeiros dias de governo, vivi, pois, horas de profunda apreensão. Olhava o mapa, pendurado na parede do meu gabinete, e indagava com ansiedade, se, em cinco poderia realizar todo o programa que tinha na cabeça e cuja execução importaria numa verdadeira reformulação da economia  nacional”.


“Sou médico e não técnico. Possuía, entretanto, o instinto das soluções que interessavam ao Brasil.  Assentei desde logo que a filosofia do meu governo teria por objetivo o Desenvolvimento”.


“A medida em que o tempo passava e progredia a execução do Programa de Metas, minhas excursões de fiscalização de obras iam se tornando mias frequentes e, por fim, passaram a ser diárias. Certa vez, o embaixador da Alemanha, pilherando, perguntou-me onde morava: - Se no Catete ou no Palácio das Laranjeiras? Respondi-lhe no mesmo tom de bom humor: Nem no Catete nem no Laranjeiras. Moro no céu do Brasil'’


1956 - out. “Visitei, em seguida, o local onde se erguia o cruzeiro o ponto mais elevado da região  (1.172mts) a fim de ter uma idéia do conjunto do cenário que emolduraria a futura  capital. Com Oscar Niemeyer, que se encontrava ao meu lado, examinamos mapas, assinalando os acidentes topográficos e tomando conhecimento das distâncias. Até então não tínhamos qualquer idéia de como seria a cidade”.


“Lembro-me da pergunta que o ilustre escritor e Ministro da Cultura da França me fez no  interior do avião na viagem de volta: Como o senhor conseguiu  construir esta cidade em pleno regime democrático? Obras como Brasília, só são possíveis sob uma ditadura! De fato, foram enormes as dificuldades que tive de vencer para levar avante o projeto da transferência da capital”.


“O que eu tinha em vista não era construir apenas uma cidade muito revolucionária que fosse, mas edificar uma  nova Républica. Iria criar no país as condições necessárias para a  abertura de uma etapa diferente na história a etapa da maturidade nacional, ajustada às exigências do desenvolvimento, imposto pela nova idade  do mundo”.


1960 - 20 abr. “Dirigindo-me para a porta do Palácio peguei os dois portões de ferro da entrada e os puxei lentamente, e com solenidade, até que se fechassem. Naquele momento, o Catete deixara de ser a sede do Governo. Estava fechando simbolicamente. Dali em diante a residência oficial do presidente da República seria o Palácio da Alvorada, em Brasília. Às 10horas,  tomei o avião presidencial e segui para a nova capital”.


1960 -  21 abr. “Vivi, naquele 21 de abril de 1960, as maiores emoções de minha vida. O caminho longamente trilhado a serviço do meu país, atingira uma eminência que me permitia ter uma visão do conjunto do que, até então, conseguiria realizar... aqueles últimos três anos, eu vivera, sonhara, comera e dormira em função de uma data: 21 de abril de1960”.


“Num intervalo das festividades, Sarah foi encontrar minha mãe debruçada numa das janelas do Alvorada, contemplando Brasília em silêncio... Minha mãe observou tudo aquilo em silêncio, profundamente absorta na contemplação. E depois, virando-se para Sarah, que se  encontrava ao seu lado, comentou: - Só mesmo o Nono seria capaz de fazer tudo isto”.


“Todas as manhãs, a primeira coisa que fazia , ao chegar ao meu gabinete, era examinar o grande mapa do Brasil que estava pendurado na parede, atrás da minha mesa de trabalho. Nele, era atualizado o estágio progressivo de cada meta. Quando, por acaso, percebia que uma obra não vinha se desenvolvendo ao ritmo desejado, tomava o avião e ia apurar  pessoalmente as razões do atraso”.


1961 – “De fato, havia uma grande diferença entre o Brasil que eu encontrara em 1956 e o que deixava em 1961, ao concluir meu mandato... O que eu deixava era um país em ordem, pacificando espiritualmente, próspero, confiante em si mesmo e cônscio do seu destino de grandeza...Implantei e fiz funcionar uma perfeita democracia no país. Institui a liberdade  como símbolo do meu Governo”.


1964 -  3 Jun. “Na previsão de que se confirme a cassação dos meus direitos políticos que implicaria a cassação do meu direito de cidadão... se me forem retirados os direitos políticos como se anuncia em toda parte, não me intimidarei, não deixarei de lutar... é com esse terrível sentimento de pesar que espero a consumação das iniqüidades para breve... Mais uma vez, tinha nas mãos a  bandeira da democracia que me oferecem neste momento em que, com ou sem direitos políticos, prosseguirei na luta em favor do Brasil... Muito mais do que a mim, cassam os direitos políticos do Brasil”.


1964 - 8 jun. “São cassados os direitos políticos e o mandato do Senador Juscelino Kubitschek. 14 Jun. Parte para o exílio”.


1964 - 29 jun. “Completa, hoje, quinze dias de ausência e parece-me que quinze séculos me separam do Brasil. Sempre detestei morar no estrangeiro, mesmo quando tinha abertas as portas de regresso... O que fizeram comigo só se compreenderia há dois milênios passados, quando para degradar um cidadão, os romanos lhe retiravam o título de cidadania. Enquanto existir no Brasil uma pessoa sequer, despojada, brutalmente, de seus direitos políticos, não se poderá dar a  essa farsa o pomposo nome de democracia”.


1967 - 9 jan. Lisboa. “Ao completar quase três anos de exílio, sinto-me esgotado. Não suporto prolongar tal situação. Preciso voltar... No regime do atual general não voltarei. Repugna-me viver em uma nação durante o período em que for governada por um homem do cinismo e  da falta de  caráter do atual presidente. Logo que outro assuma, examinarei as  contingências para assentar  uma decisão...”


1967 - Retorno do exílio


1974 - 12 set. “Faço hoje, incrivelmente, 72 anos, sinto-me espiritualmente com a idade de 30. Nenhuma  ferrugem na alma, nem na vontade... Sinto-me capaz de grandes aventuras, tais  como Brasília. Esta graça Deus me conferiu. Se não me permite ver o mundo num halo de esperança também não me fechou nas trevas da desilusão”.


1976 - 22 ago. Falece em um acidente de carro na Via Dutra.


1976 - 24 ago. É sepultado em Brasília.

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© Maria Lucia Dornas Diamantina - Cartaz de JK - Maria Lucia Dornas Cartaz de JK
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