Minas Gerais

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Período Republicano

Política e Economia 
Ao iniciar a República, Minas Gerais era o estado mais populoso do Brasil, com cerca de mais de três milhões e cem mil habitantes. O novo sistema federativo de governo havia transformado as antigas províncias  em estados.


A transição não foi um período que se possa chamar de tranquilo. De 15 de novembro de 1889 a 15 de junho de 1891, quando foi aprovada a primeira constituição, o País passou por 14 períodos administrativos e sete autoridades se revezaram no poder. “...Estado mais populoso, contava na política nacional, por ter representação parlamentar maior e certo comportamento conciliador e até maneiroso, que chegou a virar folclórico.” (Iglésias, Francisco).


A República veio trazer o fortalecimento das oligarquias e um governo centralizado que se  assinalava em distribuição de favores e poderes entre o chefe do Estado e as chefias locais, o que ficou conhecido como “política dos Estados” ou “política dos governadores”. Um federalismo parcial, onde os grandes favorecidos eram São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Os mineiros mantiveram-se sempre fiéis ao federalismo. Ocuparam a cadeira presidencial por três vezes e deleitavam-se na participação de  “criar reis”. “Habilíssimos no jogo dos legisladores de transigências e manobras, os mineiros dirigiram o Congresso durante quase todo o período.”(Love, Joseph). Além do peso político, a importância econômica do Estado em ser o segundo produtor de café no País.


Na década de 1890, os políticos mineiros se dedicaram a: resolver problemas internos, reorganizar o governo estadual e os locais, à questão da construção da nova capital do estado  e sua  transferência de Ouro Preto para a Cidade de Minas (Belo Horizonte). A partir de 1898, com a “casa organizada”,  Minas Gerais estava pronta para entrar no cenário político nacional e assumir seu papel de um dos lideres  durante a Velha República. Bias Fortes, Francisco Sales, Silviano Brandão, Artur Bernardes e Raul Soares eram os homens fortes do PRM (Partido Republicano Mineiro). O partido era poderoso, controlava nomeações políticas, intimidava a imprensa, cooptava clubes cívicos e os produtores de café.


Até o final da  década de 20, o Estado manteve  sua posição consolidada. A Revolução de 30 trouxe profundas mudanças nessa ordem. Determinados a alijar São Paulo para impedir um segundo presidente paulista consecutivo a assumir o poder, Minas apoiou Getúlio Vargas. “Aos olhos dos mineiros, a velha ordem era muito boa, contanto que o seu Estado mandasse.” (Seeds, W). Mas não foi o que aconteceu. Com Getúlio Vargas no poder, a Velha República feneceu e Minas Gerais perdeu seu poder político. Não havia mais espaço para as velhas alianças, os velhos coronéis se adaptaram ao novo estado que, inclusive, promoveu o fortalecimento dos chefes locais.


As circunstâncias econômicas dentro de Minas se modificavam devido às sucessivas crises no setor cafeeiro, na década de 20, que chegaria ao seu ápice em 29 com a crise da bolsa de New York. Os cafeicultores  estavam arruinados. A zona da mata, a principal zona cafeeira do Estado, começou a entrar em decadência enquanto o triângulo mineiro e as novas cidades do leste começavam suas ascensões. A pecuária se desenvolvia rapidamente  no triângulo, incluindo a criação  de uma nova raça, a “Indu – Brasil”, que fez sucesso em  outras partes do País.


O projeto da grande siderurgia não tinha sido abandonada. No XI Congresso Geológico e Mineralógico realizado em Estocolmo, no ano de  1910, revelava o alto teor de ferro  do minério   das jazidas mineiras  e a avaliação de uma reserva de 2 bilhões de toneladas!


Na primeira metade do século, a grande questão que mobilizou o estado foi o caso da Itabira Iron  Antes do valor das jazidas de minério serem anunciadas em Estocolmo, os ingleses já haviam adquirido grandes extensões de terra, na região de Itabira, com ricas jazidas de minério de ferro. A  Brazilian Hematite Syndicate foi fundada para explorar minério em Itabira. Em 1911, o governo concede licença para a Iron Ore Co., comandada pelo empresário americano Percival Farquhar, que havia, então, adquirido os direitos das minas da Brazilian Hematite Syndicate. ”O plano de Farquhar era grandioso. Após consultar o Presidente Epitácio Pessoa, Faquhar propôs a exportação de minério de ferro de Itabira e a simultânea instalação de uma moderna usina siderúrgica em condições de fabricar produtos básicos de aço. O norte-americano desejava mineirar milhões de toneladas anuais de hematita de alta qualidade e embarcar esse minério via Santa Cruz (ES), designada para se tornar porto de escoamento e local para uma usina de aço. Trilhos, perfis, chapas e vigas encabeçavam a lista de produtos importados que a nova siderúrgica de 150.000 toneladas iria substituir. Na viagem de retorno, os navios cargueiros de Farquhar trariam carvão norte-americano e europeu de alta qualidade para a usina.” (Wirth, John).


O chamado “Contrato de Itabira” chamou a atenção da opinião pública que ficaria dividida por quase 20 anos, já  que levantava a questão dos futuros caminhos do desenvolvimento brasileiro. O capital proposto de investimento por Farquhar era de 80 milhões de dólares. A Itabira Iron proveria tudo: uma moderna ferrovia industrial (e teria sobre ela o monopólio), instalações portuárias e uma linha de navegação. Na realidade, a siderurgia ficaria em segundo plano. A instalação da siderúrgica era sempre protelada. Os interesses internacionais estavam no minério de ferro e no manganês. Instalação de indústrias siderúrgicas em áreas  subdesenvolvidas não interessava aos grupos estrangeiros.


O projeto recebeu o veto e uma forte oposição do Presidente do Estado, Artur Bernardes. Na República Velha, os estados eram “soberanos”. Assim, o veto de Bernardes se sobrepunha à aprovação do Presidente da República, Epitácio Pessoa. Percival Farquhar tinha interesse na exportação do minério e Bernardes em construir um “império siderúrgico”. Quando Artur Bernardes chegou à presidência da República, aumentaram os obstáculos para os planos da Itabira Iron, incluindo uma lei que cobrava 3.000 reis por tonelada de minério exportado. Isso tornava qualquer atividade exportadora proibitiva.


A situação se arrastou até 1939 quando o contrato caducou. Em 1942, Getúlio Vargas criou a Companhia Vale do Rio Doce que passou a explorar as minas da Itabira Iron.


Em 1917, Cristiano Guimarães, Amaro Lanari, Gil Guatimozim, Ovídio de Andrade e Augusto de Lima fundaram, em Sabará, a Companhia Siderúrgica Mineira. Quando  o rei Alberto I, da Bélgica, visitou  Minas Gerais, em 1920, Artur Bernardes, no seu desejo de criar o “império siderúrgico”, propôs ao rei a aplicação de capitais belgas na siderurgia mineira. Assim, a Companhia dos engenheiros mineiros foi encampada pela  grande aciaria belgo-luxemburguesa – Aciéries Reunies de Bubach-Eich-Dudelange. Surgia  uma das mais bem sucedidas empresas de Minas Gerais, a  Belgo Mineira. 


Em 1940, lançou a primeira experiência brasileira de montagem de cidade industrial, construindo Contagem. Assimilou o debate sobre planejamento, que se travava a  nível nacional na década de 1940, e elaborou seu plano de governo, na sua convicção de que a industrialização era a única saída para superar o atraso econômico e que essa só poderia  a ser orientada e promovida, através de uma ação coordenada do setor público.” (Diniz, Célio). Devido os anos de guerra na Europa e as conseqüências que trouxeram para a economia mundial, a Cidade Industrial só começaria funcionar em 1946. As conseqüências para Belo Horizonte foram inevitáveis. De cidade administrativa passa a ser o centro econômico do Estado, atraindo um fluxo de migração das centenas de cidades do interior mineiro para a capital.


Na década de 50,  o governador  Juscelino Kubitschek lançou o binômio - “Energia e Transporte”. Era a criação de uma infra-estrutura  de serviços para propiciar a instalação de novas  industrias. Assim, são instaladas a Mamesmann, em 1952, e a  Usiminas, em 1956, lembrando que em 1944 já tinha se instalado no Estado a Companhia Aços Especiais de Itabira – Acesita. Mas, o fato marcante do programa “Energia e Transportes” foi a criação da Cemig, que se transformou em um ponto de referência no Brasil para o setor energético.


Na década de 60, a criação do Instituto de Desenvolvimento Industrial-INDI e da Companhia de Distritos Industriais-CDI contribuiu para criar uma forte  política de industrialização do Estado, com expressiva participação do capital estrangeiro.


De 1970 a 1977, Minas absorveu 25% dos investimentos na área industrial. ”Minas Gerais apresentou-se como localização industrial privilegiada, através da ação simultânea de um conjunto de fatores de atração locacional, cujo resultado se traduz no volume de projetos industriais, nacionais e estrangeiros, que optaram pela localização em Minas Gerais.” (Diniz, Célio).


A partir de 78, a crise econômica brasileira afetou intensamente a economia mineira, causando um declínio no crescimento industrial mineiro.


A  industrialização mineira  teve como suporte: os investimentos do Estado, com uma participação de 20%; o capital estrangeiro, com 64%; e o capital privado colaborou com apenas 16%. A última grande indústria estrangeira a se instalar no estado foi a Mercedes-Benz, em 1999, no município de Juiz de Fora.


O século começou  apático nas artes, mas seria por muito pouco tempo.  Minas Gerais foi  pródiga em intelectuais, escritores e artistas plásticos no século 20. O destaque, ao iniciar o século, é para o poeta simbolista Alphonsus de Guimaraens, autor de Kyriale, Dona Mística e outros.  A partir da década de 20, há um revigoramento cultural que se inicia com uma exposição modernista  da artista plástica  belorizontina Zina Aita, em 1920. Dois anos depois, Zina participou da semana de 22, em São Paulo. As publicações jornalísticas que traziam poesias dos modernistas chegaram a irritar os conservadores mineiros.


Hoje, Minas Gerais é o segundo estado mais industrializado do país. As exportações alcançaram 7,6 bilhões de dólares e os produtos mais comercializados são: minério de ferro, café, pedras preciosas, veículos e autopeças. Metade da safra brasileira de café  sai de Minas Gerais, que é também o segundo maior produtor de feijão e de milho. Possui o segundo maior rebanho bovino do país, sendo responsável por 27,5% da produção leiteira, o que significa 6 bilhões de litros de leite. É, ainda, o quarto  maior produtor brasileiro de carne, com uma produção de 606 mil toneladas.  


As Artes
Humberto Mauro
foi um  grande precursor do cinema nacional. Em 1925 lançava seu primeiro filme, Valadião , o Cratera. Depois,  viriam grandes sucessos:Na Primavera da Vida, Ganga Bruta, Braza Dormida, Symphonia de Cataguases.

 

Em 1928, Carlos Drummond de Andrade escandalizou os leitores brasileiros com o poema No meio do Caminho, publicado na Revista Antropofágica. De Minas para o Brasil, um dos maiores poetas nacionais de todos os tempos.

 

Em 1936, o artista Genesco Murta organizou a primeira exposição coletiva de arte moderna, em Belo Horizonte. Aníbal Mattos agitava o ambiente cultural na capital, organizando exposições. Fundou a Sociedade Mineira de Belas Artes e dirigiu a Escola de Belas Artes de Minas Gerais.

 

A década de 30 foi a era da  informação. Entraram  em operação: a Rádio Mineira (1931), Rádio Guarani (1936) e a Rádio Inconfidência (1936). Novos jornais começaram a circular, Diário do Comércio (1932), a Folha de Minas (1934), o Diário (1935), a Revista Alterosa (1938). Esses jornais inauguravam um novo tipo de imprensa, com informações objetivas e uma  linguagem mais ágil.

 

Foi também  na  década de 30 a revelação do grande  escritor João Guimarães Rosa, que ganhou o  prêmio  de poesia da Academia Brasileira de Letras pela coletânea de poemas Magma. “Vivo no infinito; o momento não conta. Vou lhe revelar um segredo: creio já ter vivido uma vez. Nesta vida também fui brasileiro e me chamava João Guimarães Rosa.” Começa, então, a fabulosa carreira de escritor que revelaria ao mundo, o sertão, o universo e a alma mineira. ”Minas está presente nessa obra, que exprime sua terra e sua gente, seu modo de ver e ser. Feliz a região que tem artista que a traduza com tal profundidade”. (Iglésias, Francisco).

 

A primeira Exposição de Arte Moderna de Minas Gerais, reunindo Anita Malfati, Tarsila do Amaral, Alfredo Volpi, Portinari, Di Cavalcanti e Lasar Segall, foi apresentada em Belo Horizonte no ano de 1944. Nesse mesmo ano, o prefeito Juscelino Kubitschek assinava um decreto criando o Curso de Belas Artes, organizado  e desenvolvido por Alberto da Veiga Guignard, que formou uma importantíssima geração de artistas plásticos como: Amílcar de Castro, Bax, Chanina, Maria Helena Andrés, Sara Ávila, Yara Tupinambá, Wilde Lacerda.

 

Na literatura, as década de 40  e 50 projetaram: Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende, Helio Pellegrino, Autran Dourado, Murilo Rubião, Silviano Santiago, Afonso Ávila, Lúcia Machado de Almeida.

 

Em 1955, uma  espetacular  inovação chega a Minas, a televisão!  A partir de então, faria parte da vida dos mineiros. Inaugura-se a TV Itacolomi - o terceiro canal de televisão do Brasil - com um elenco de atores mineiros.

 

Época de grandes mudanças no cenário político brasileiro, a década de 60 revelou o Clube da Esquina com Milton Nascimento, Fernando Brant, e Márcio Borges, Beto Guedes, Toninho Horta. Na literatura, era a vez de Roberto Drummond, Olavo Romano e Oswaldo França Junior revelarem todo seu potencial. O Festival de Inverno de Ouro Preto foi a grande concepção da UFMG para inovar o panorama cultural mineiro em 1967.  E o Brasil se deleitava com o humor ferino das charges do Henfil, que criticava ferozmente  a ditadura militar.

 

As últimas décadas  foram marcadas pelo surgimento de grupos como: Uakti, um marco na música instrumental brasileira.O Skank, Pato Fu, Virna Lisi e o internacional Sepultura.

 

Nas artes plásticas têm que ser citados os nomes de Marcos Benjamim, Fernando Lucchesi, Fernando Pacheco, Marco Túlio Resende, Ana Horta e Mônica Sartori, Carlos Bracher que  já representaram Minas na Bienal de São Paulo. Éolo Maia, Sylvio Podestá e Gustavo Penna dominam o cenário na área da arquitetura, com o que há de melhor na arquitetura de vanguarda. 

 

Festivais de música, dança, teatro e outras modalidades são constantemente organizados em todo o Estado, divulgando a cultura mineira e revelando novos talentos.  O destaque é para o FIT -Festival Internacional de Teatro de rua e palco.

 

Hoje, Minas Gerais tem uma área de 588 mil km². Ocupando 7% do território brasileiro, é o 4º estado em extensão. Os mineiros representam 10% da população brasileira com cerca de 20 milhões e 593 mil habitantes (projeção IBGE para 2013), distribuídos em 853 municípios. Em 2012 a população alfabetizada já representava 91,7% do total e  a expectativa de vida chegou em 2013 aos 73,5 anos para os homens e 79,4 anos para as mulheres. Em 2010, Minas alcançou a marca de  82,9% de domicílios servidos por água tratada e 99,8% de domicílios servidos por energia elétrica. O PIB total do Estado em 2011 foi de 386,156 milhões de reais, representando 9,3% do PIB nacional e R$ 19.573 o PIB per capita.

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