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Serra do Espinhaço

© Marcelo Andrê Santana do Riacho - Caminhada - Parque Nacional da Serra do Cipó - Marcelo Andrê Caminhada - Parque Nacional da Serra do Cipó

Também conhecida como serra Geral, a serra do Espinhaço se estende na direção sul-norte entre os paralelos 10o 30' a 20o 30'S, desde o Quadrilátero Ferrífero, no centro de Minas Gerais, até a Chapada Diamantina, na Bahia. Constitui um conjunto de serras que se estende ao longo de 1.200 km, com dois setores bem individualizados: a porção setentrional, representada basicamente pela Chapada Diamantina, e a porção meridional, totalmente inserida em Minas Gerais. A porção meridional estende-se por 300 km com largura média de 20km, desde o Quadrilátero Ferrífero até Olhos D’Água, totalmente inserida no estado de Minas Gerais. Entre os dois setores, encontram-se serras mais individualizadas circundadas por terrenos ondulados e com menores altitudes.


A questão do nome

O nome “serra do Espinhaço” foi criado por Eschwege (1822), de acordo com Grossi-Sad et al. (1997), em função do caráter “rugoso e alcantilado” de sua topografia. Almeida-Abreu (1995) foi o primeiro a chamar esta ampla cadeia de ‘cordilheira’, reconhecendo a extensa sucessão de serras mais ou menos individualizadas.


À semelhança de uma grande espinha dorsal ela divide o território mineiro nas terras a leste, inseridas na mata Atlântica, e as terras a oeste, pertencentes ao domínio dos cerrados. Ao norte há um hiato e depois a elevação da
Chapada Diamantina, que constitui uma ilha de umidade em meio à caatinga.

 

A serra do Espinhaço abrigou as ricas lavras de diamante e de ouro que sustentaram o Império Português nos séculos 17 e 18, como nas conhecidas regiões de Ouro Preto, Diamantina e Chapada Diamantina e ainda hoje persistem as tentativas de garimpo. Na porção sul, na região do Quadrilátero Ferrífero, ainda é forte a exploração de minério de ferro e a siderurgia, como no município de Itabira, ao leste do Parque Nacional da Serra do Cipó.


O potencial agrícola é muito baixo em toda a região, tendo se desenvolvido a pecuária extensiva associada aos campos nativos e a agricultura de subsistência. Este quadro é ainda mais verdadeiro na serra do Cipó, que deve grande parte de sua preservação até os dias de hoje à falta de potencial minerário. “Onde há ouro há miséria”, nos lembra Langsdorff em seus diários, compilados por Silva et al. (1997). A região era conhecida como serra da Vacaria, e produzia carne de charque para o abastecimento das áreas de mineração e garimpo.

 

A importância biológica e conservacionista da serra do Espinhaço se deve então tanto à biodiversidade que a caracteriza quanto ao baixo potencial agrícola e madereiro, que a manteve melhor conservada do que as áreas adjacentes de mata Atlântica e cerrado. Tal riqueza é reconhecida pela criação de dezenas de UCs estaduais e municipais e, na esfera federal, pelo Parque Nacional da Chapada Diamantina, no extremo norte da serra do Espinhaço (BA), e o das Sempre-Vivas, na porção norte do setor meridional da serra do Espinhaço. A partir da criação da Reserva da Biosfera do Espinhaço a área passou a congregar 11 unidades de conservação de proteção integral das esferas federal, estadual e municipal, além de diversas APAs, também das três esferas e RPPNs federais e estaduais.


Na serra do Espinhaço, a altitude média é inferior à das serras mais litorâneas, mas há diversos cumes acima de 2 mil metros, como o pico do Sol (2.072 m) e o do Inficcionado (2.068 m), ambos na serra do Caraça, e o pico do Itambé (2.044 m), no município de Santo Antônio do Itambé. Na região da serra do Cipó, os cumes mais altos são o dos Montes Claros a 1.670m, na divisa entre Jaboticatubas e Nova União, no extremo sul do Parque Nacional da Serra do Cipó, e os da serra do Breu, inseridos na APA, a oeste do Parque Nacional, no município de Santana do Riacho, sendo o pico do Breu o mais alto, com 1.687m. Na Chapada Diamantina, incluída no setor setentrional da serra do Espinhaço, na Bahia, também são encontradas áreas bastante altas, como o pico Barbados (2.033 m) e o pico das Almas (1.958 m), ambos no município de rio das Contas. O maciço montanhoso se eleva sobre região com altitude média entre 700 e 800m de altitude.


As bordas das serras, tanto a leste como a oeste, são bastante acidentadas, e na serra do Lobo, no limite oriental da APA morro da Pedreira, é encontrada uma variação altimétrica expressiva, desde 1.535 m no pico do Itambé a 750 m nas cabeceiras do ribeirão do Carmo (Grossi-Sad et al., 1997). Os paredões rochosos mais íngremes estão, em geral, direcionados a sudoeste, e as encostas mais suaves em direção nordeste, como reflexo dos dobramentos geológicos.



Acima das vertentes íngremes, predominam sistemas de planaltos extensos, pontuados por elevações rochosas bastante erodidas, dando origem às extensas campinas sobre relevo plano ou suave-ondulado, que caracterizam as porções mais altas da Serra, com altitudes entre 1200 e 1400m.


 
Caracteriza-se por grande complexidade geológica e geomorfológica, que leva à sucessão de rochas e solos distintos em pequenos espaços e relevo movimentado, o que explica em parte a alta diversidade de espécies de vegetais. O elevado endemismo de espécies e até gêneros na serra do Espinhaço se explica também pela pobreza dos solos, em geral arenosos, que levam a forte especialização da vegetação (Giulietti et al., 1997; Menezes & Giulietti, 2000). O reconhecimento dos campos rupestres da serra do Cipó como os mais biodiversos de todo o espinhaço ainda permanece, apesar de todos os esforços recentes de levantamentos botânicos em outras regiões (Pirani et al., 2003).




A serra do Espinhaço é constituída predominantemente por rochas quartzíticas proterozóicas, pré-cambrianas. São quartzitos com variados graus de pureza e arenitos, pertencentes ao supergrupo Espinhaço. Difere bastante das serras do Mar e da Mantiqueira, constituídas por rochas cristalinas (gnaisses, granitos e derivações). Este fator por si só já implica em formas de erosão, topografias e tipos de solo bastante distintos, implicando em formações vegetacionais e potenciais de uso econômico muito diferenciados (Leinz & Amaral, 1989; Rizzini, 1997).


Os sedimentos ao longo da serra do Espinhaço em geral não contêm registros fósseis, pois na época de sua deposição existiam apenas organismos unicelulares (em torno de 1,5 bilhões de anos antes do presente). No entanto, são encontradas por toda parte rochas com marcas de ondas (ripple marks), que são o registro nas rochas de locais com água corrente.


A serra do Espinhaço é um claro divisor de biomas. Ao norte, a partir do planalto de Diamantina, acima do paralelo 17o S, a sequência de serras mais isoladas, intermediárias entre os dois setores referidos, está inserida no domínio das caatingas. É o caso da serra de Grão Mogol e várias outras ao longo do vale do rio Jequitinhonha.



Como todo ambiente montanhoso, a serra do Espinhaço é um grande divisor de águas. No seu setor meridional, inserido no Estado de Minas Gerais, praticamente todos os rios formados a oeste da Serra são afluentes diretos ou indiretos do rio São Francisco. Na direção leste, os rios formados no extremo sul, incluindo a serra do Cipó, compõem a bacia do rio Doce e, ao norte, a bacia do Jequitinhonha. Considera-se o Jequitinhonha como o principal curso d'água que drena a serra do Espinhaço, pois tem seu curso inicial inteiramente encaixado na serra. Diferentemente de bacias como a do rio Doce que tem apenas pequena parte de seus afluentes formados na serra.



Na altura da serra do Cipó (paralelo 19o S), as serras dividem a mata Atlântica, ao leste, nas drenagens que vertem para a bacia do rio Doce, e o cerrado para oeste, em áreas 20 integrantes da bacia do rio das Velhas, maior afluente do São Francisco.

 

Reserva da Biosfera
Criadas pela UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - em 1972, as Reservas da Biosfera, espalhadas hoje por 110 países, têm sua sustentação no programa "O Homem e a Biosfera" (MAB) da UNESCO, desenvolvido com o PNUMA - Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, com a UICN - União Internacional para a Conservação da Natureza e com agências internacionais de desenvolvimento.


É o principal instrumento do Programa MaB e compõe uma rede mundial de áreas que têm por finalidade a Pesquisa Cooperativa, a Conservação do Patrimônio Natural e Cultural e a Promoção do Desenvolvimento Sustentável.


O Sistema Nacional de Unidades de Conservação - SNUC (Lei 9985 de 18 de julho de 2.000), em seu capítulo XI, reconhece a Reserva da Biosfera como "um modelo, adotado internacionalmente, de gestão integrada, participativa e sustentável dos recursos naturais".


Completamente inserida no estado de Minas Gerais, a Reserva da Biosfera Serra do Espinhaço perfaz uma área de 3.070.000 hectares, habitada por 642.000 pessoas.

O Brasil possui sete RB's: mata Atlântica, cerrado, Pantanal, Caatinga, Amazônia Central, Cinturão Verde da Cidade de São Paulo (parte integrante da RB da Mata Atlântica) e a Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço. Todas juntas abrangem cerca de 15% do território brasileiro, sendo mais da metade da soma das áreas das demais RBs da Rede Mundial.


Fontes

ICMBio - Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade / Ministério do Meio Ambiente
http://www.icmbio.gov.br/portal/

Biodiversitas
http://www.biodiversitas.org.br/rbse/reservas.asp

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