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Edson Arantes do Nascimento

Pelé


Cronologia
Nasceu: 23 de outubro de 1940
Filiação: João Ramos do Nascimento (Dondinho) e Maria Celeste
Natural de Três Corações


Atividades
Jogador de futebol
Empresário
Ministro dos Esportes -1995 a 1998


Trajetória de vida
Dizem que "filho de peixe, peixinho é"... Com o tricordiano Pelé, não foi diferente. Seu pai, o popular Dondinho, ficou conhecido como um dos melhores cabeceadores de seu tempo. Dondinho jogou como centroavante pelo Fluminense, até que uma lesão o afastou do futebol profissional. Pelé herdou de seu pai a paixão pelo "esporte bretão" e ultrapassou todas as expectativas - além de ser um exímio cabeceador como Dondinho, Pelé não tinha dificuldades em estufar as redes adversárias: fosse com a perna direita ou esquerda; de longe ou de perto; fosse o gol "de placa", ele era sempre destaque nos jogos de que participava. Um jogador impecável em todos os fundamentos.


Pelé recebeu dos pais, Dondinho e Maria Celeste, educação e estrutura familiar. Sua mãe dedicava a ele e a toda a família muita atenção e amor. O que pouca gente sabe é o significado da palavra Pelé, o apelido que o tornou mundialmente conhecido, e que não é um codinome íntimo. Ele era carinhosamente chamado por sua família de Dico. Este permaneceu por toda a vida para seus pais e avós. O apelido "Pelé" veio de sua torcida pelo goleiro José Lino da Conceição Faustino, chamado de Bilé. O garoto Edson gritava: "Defende, Pilé!".


Quando Pelé estava prestes a completar 5 anos de idade, sua família se mudou para Bauru, no interior de São Paulo. O sotaque mineiro de Edson transformou o 'Pilé' em 'Pelé'. No começo, o garoto tinha horror ao apelido e brigava com quem o chamasse assim. Foi aí que o apelido pegou. A rotina em Bauru não era fácil - para ajudar no sustento da casa, o jovem Pelé começou cedo na labuta: trabalhou como engraxate, entregador de pastel e ajudante de sapateiro.


Mas foi em Bauru que a trajetória estelar de Pelé começou. Depois de atuar nas categorias de base do Bauru Atlético Clube, Pelé se transferiu para o Santos, com apenas 15 anos, levado por Waldemar de Brito, craque que disputou a Copa de 1934. O ano era 1956, e o então garoto prodígio, poucos meses depois de vestir a camisa do "Peixe", chegaria à Seleção Brasileira, aos 16 anos. A partir daí, os caminhos que conduziram os dribles do maior atleta do século 20 foram de conquistas, emoções e puro deslumbre dos torcedores de todo o mundo. Pelé, certa vez, confessou: "Tenho três corações", referindo-se à sua cidade natal (Três Corações), a Bauru e a Santos.


A Carreira de Pelé
A carreira futebolística de Pelé começou cedo. O Rei do Futebol jogou em algumas equipes amadoras. A primeira em que Pelé atuou foi um time fundado e batizado por ele próprio: o "Sete de Setembro". Para conseguir o material esportivo, Pelé e seus amigos decidiram vender amendoim na entrada dos cinemas de Bauru. O que dificultava a venda era a captação da matéria-prima. A "turma" do Sete de Setembro decidiu pegar o produto dos vagões da Estrada de Ferro Sorocabana, que ficavam estacionados na cidade. Quando eram percebidos pelos guardas, a correria era certa!


Tanto esforço foi compensado: a equipe do Sete de Setembro se tornou atração de Bauru, e Pelé recebeu seu primeiro cachê como jogador: 4.500 réis. O feito foi conquistado na partida em que o Sete enfrentou o Ipiranguinha.


Aos onze anos, Pelé jogou no "Ameriquinha", também de Bauru. Com essa equipe, ele conquistou o campeonato infantil da cidade. Depois da experiência no "Ameriquinha", Pelé chegou ao Baquinho, time bauruense. Foi no Baquinho, que Pelé chamou a atenção por seu talento. Em 1955, o Baquinho sagrou-se campeão municipal e conquistou o direito de jogar com a equipe do Flamengo, nas categorias de 15 a 18 anos, na capital paulista.


Pelé já chamava a atenção quando, em 1956, o técnico da equipe carioca do Bangu, Elba de Pádua Lima, numa viagem pelo interior de São Paulo em busca de novos talentos, quis levar o jogador para o Rio de Janeiro. Dona Maria Celeste, porém, não viu com bons olhos a ida do filho para a "Cidade Maravilhosa". "Isso é coisa de louco. O Dico ainda é um menino de calças curtas. Não pode ir morar sozinho numa cidade grande", protestou a mãe zelosa.


Mas a oposição de Dona Celeste não foi suficiente para segurar seu filho em Bauru. Waldemar de Brito, um antigo jogador da Seleção Brasileira de futebol, constatou a habilidade de Pelé e o convidou a integrar o time que estava montando. Aos quinze anos, ainda em 1956, Waldemar levou Pelé para um teste no time profissional do Santos Futebol Clube. Naquele dia, Waldemar disse aos diretores do "Peixe": "Este garoto ainda será o maior jogador de futebol do mundo.", profetizou.


O primeiro show de Pelé aconteceu a sete de setembro de 1956 (ironia do destino, pois essa data batizou o primeiro time de Pelé), quando substituiu o centroavante Del Vecchio. Ele entrou em campo para marcar o sexto dos sete gols santistas na vitória por 7 x 1. Ele marcou aos 36 minutos do primeiro tempo, numa jogada armada por Raimundinho e Tite. Pelé recebeu um passe dentro da área, e, embora estivesse cercado por zagueiros, chutou a gol, mandando a bola por baixo do corpo do goleiro Zaluar. Este se tornou famoso como o primeiro goleiro a sofrer um gol do astro Pelé. Dali, a viagem até o topo foi rápida. Em seu primeiro jogo não-amistoso pelo Santos, ele marcou quatro gols. Na temporada seguinte, já era regularmente escalado como titular e foi o artilheiro do Campeonato Paulista, com 32 gols.


Por dez anos, enquanto Pelé jogava no Santos, o Corinthians não venceu uma única partida contra os santistas. O primeiro jogo vencido pela equipe do Parque São Jorge após esse período aconteceu em 6 de março de 1968, com um placar final de 2 x 0.


Pouco tempo depois da primeira temporada de Pelé pelo Santos, Sylvio Pirilo, técnico da Seleção Brasileira, convocou-o. Pelé tinha dezesseis anos quando jogou pela primeira vez pelo Brasil, contra a Argentina, e acabou marcando o gol brasileiro na derrota por 2 x 1. Então veio a Copa do Mundo de 58: sua velocidade atordoante e seus petardos fizeram cair o queixo de muitos. Tudo o que ele tinha a fazer era entrar em campo para a torcida explodir em alegres batucadas e cantos ressoantes.


O apelido "O Rei" foi-lhe dado pela imprensa francesa em 1961, após jogar poucas partidas pelo Santos na Europa. Pelé disputou quatro Copas do Mundo: Suécia, 1958; Chile, 1962; Inglaterra, 1966; e México, 1970. Ele marcou 12 gols em 14 partidas em mundiais. O Rei Pelé foi o único jogador da história a conquistar três Copas do Mundo pelo Brasil, em 1958, 1962 e 1970.


Os grandes feitos de Pelé
Pelé foi um jogador extraordinário. Nunca se viu um atleta fazer com a bola o que o Rei fazia. Uma vez, ele chegou a interromper uma guerra na Nigéria. Uma trégua de 48 horas foi assinada para que os países envolvidos pudessem assistir a Pelé jogar alguns amistosos.


Ao se despedir da Seleção Brasileira em 18 de julho de 1971, duzentas mil pessoas choraram no Maracanã, quando ele deu sua histórica camisa 10 a um menino de dez anos.


Edson Arantes do Nascimento marcou 1.281 gols, em 1.363 partidas profissionais - o que provavelmente é o recorde mundial de todos os tempos no futebol - com uma média de 0,93 gols por jogo. Em 1959, ele estabeleceu o recorde de gols em uma temporada do Campeonato Paulista: 126 gols. Em 21 de novembro de 1969, ele marcou seu famoso milésimo gol em uma cobrança de pênalti, aos 34 minutos, num jogo contra o Vasco da Gama, dedicando o feito "às criancinhas pobres do Brasil!".


Pelé também participou da Taça Libertadores da América de 1960 a 1963, principal disputa do continente Sul-Americano, durante os quais o grande Peñarol do Uruguai enfrentou o legendário Santos nas finais. O Peñarol venceu em 1960. Em 1961, o Santos descontou a derrota e conquistou a Libertadores nos dois anos seguintes.


Pelé definiu o papel do jogador de meio-campo criador de jogadas. Ele liderou alguns dos melhores jogadores brasileiros de todos os tempos: Vavá, Didi, Garrincha e outros. Muitos afirmam que Pelé teria sido o melhor em qualquer posição em que houvesse jogado. Ele chegou a insistir com o técnico do Santos que lhe permitisse jogar como goleiro.


Em 19 de janeiro de 1964, ele substituiu o goleiro santista, Gilmar, que havia sido expulso, na semifinal da Copa do Brasil. Por cinco minutos, após haver marcado três gols, Pelé jogou com a camisa 1 e realizou duas defesas espetaculares, garantindo a vaga do "Peixe" na final.


A despedida do Santos
Pelé jogou seus últimos 21 minutos pelo Santos Futebol Clube num jogo realizado em 3 de outubro de 1974. O Santos venceu a Ponte Preta por 2 x 0, com um gol de Cláudio Adão e um contra de Geraldo. Nesse jogo, aos 21 minutos do primeiro tempo, Pelé, inesperadamente, pegou a bola com as mãos, ajoelhou-se no meio do gramado e ergueu os braços.


Esse foi o final da carreira de Pelé com a camisa do Santos. Em seguida, O Rei do Futebol foi jogar nos Estados Unidos pelo New York Cosmos, numa tentativa de popularizar o esporte naquele país.



Homenagem/Título/Prêmios
Títulos
Campeão Paulista (1956, 1958, 1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968, 1969 e 1973) pelo Santos;
Campeão da Taça Brasil (1961, 1962, 1963, 1964 e 1965) pelo Santos;
Campeão do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (1968) pelo Santos;)
Campeão do Torneio Rio-São Paulo (1959, 1962, 1964 e 1966) pelo Santos;
Campeão da Taça Brasil (1961, 1962, 1963, 1964 e 1965) pelo Santos;
Campeão do Torneio Tereza Herrera (1959) pelo Santos;
Campeão da Taça Libertadores da América (1962 e 1963) pelo Santos;
Campeão Mundial Interclubes (1962 e 1963) pelo Santos;
Campeão Norte-Americano (1977) pelo Cosmos;
Campeão Sul-Americano (1959) pela Seleção do Exército;
Campeão Brasileiro de Seleções (1959) pela Seleção Paulista;
Campeão da Taça Roca (1957 e 1963)
Tricampeão da Copa do Mundo (1958, 1962 e 1970) pela Seleção Brasileira.
Atleta do Século: 15 de maio 1981 (eleição do jornal francês L' Equipe)
Principal Esportista do Século XX: 1997 (eleição da publicação francesa DuPont)
Fato Esportivo do Século: eleição da agência de notícias Associated Press
Atleta do Século: eleição da agência de notícias Reuters
Jogador de Futebol do Século: eleição realizada pela Unicef


Homenagem
Homenagem do Clube Atlético Juventus, clube da capital paulista: 29 de agosto de 2006. O Juventus homenageou o Rei com um busto colocado na entrada de sua sede. A homenagem foi pelo gol histórico que Pelé marcou na Rua Javari, em 2 de agosto de 1959. O gol fez parte do jogo entre Santos e Juventus, em que o time da Vila Belmiro venceu por 4 x 0.


Livros sobre Pelé

De Edson a Pelé: a infância do Rei em Bauru.Luiz Carlos Cordeiro. São Paulo:Cia Melhoramentos de São Paulo.

Pelé, a autobiografia. Luiz Carlos Cordeiro. Sextante.


Filme
"Pelé Eterno" - Documentário de Aníbal Massaini - 2004

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