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Chico Xavier

© Leo Drummond Pedro Leopoldo - Casa de Chico Xavier - Leo Drummond Casa de Chico Xavier

Francisco Cândido Xavier


Cronologia
Nasceu: 2 de abril de 1910
Faleceu: 30 de junho de 2002, Uberaba
Filiação: João Cândido Xavier e Maria João de Deus
Natural de Pedro Leopoldo


Formação
Curso primário - escola pública de Pedro Leopoldo - 1923


Atividades
Funcionário da Fazenda Modelo do Ministério da Agricultura - 1933
Funcionário público - 1935
Inicia suas atividades mediúnicas em Uberaba - 1959


Trajetória de vida
Aos cinco anos, Chico Xavier tornou-se órfão de mãe. Seu pai se viu obrigado a entregar alguns dos seus nove filhos aos cuidados de pessoas amigas, e Chico ficou com sua madrinha: mulher nervosa que o maltratava cruelmente. Nessa época (1915), teve sua primeira experiência mediúnica, dialogando com parentes e conhecidos mortos. Nos seus momentos de angústia, um anjo de Deus, que fora sua mãe na Terra, assistia-o, quando, desarvorado, orava nos fundos do quintal. Chico ouvia do anjo: "Tenha paciência, meu filho! Você precisa crescer mais forte para o trabalho".


Algum tempo depois, terminou o martírio de Chico. Seu pai, João Cândido, casou-se novamente, e sua esposa, Cidália Batista, alma boa e caridosa, recolheu carinhosamente todos os seus filhos que estavam espalhados. Chico seguiu com suas visões e diálogos com os espíritos. João Cândido, um operário pobre e inculto, acreditando que seu filho estivesse com problemas mentais, quis interná-lo. O padre e missionário italiano, Sebastião Scarzelli, não permitiu que isso acontecesse. A capacidade de ver e ouvir espíritos, porém, fez com que o pequeno Francisco fosse considerado "louco" não só por sua família, mas por toda Pedro Leopoldo. Essa aptidão mediúnica causava mal-estar.


Cidália decidiu matricular as crianças no colégio. Sem recursos, resolveu cultivar uma horta e, com o dinheiro da venda das verduras e legumes, compraria material escolar. Chico era encarregado de comercializar os produtos. Com a saída do pai para o trabalho e das crianças para a escola, a madrasta era obrigada, algumas vezes, a deixar a casa sozinha, já que precisava buscar lenha.


Foi então que surgiu um problema para os Xavier: uma vizinha, aproveitando-se da ausência de todos, passou a colher as verduras e, sem elas, não haveria dinheiro para as despesas da escola. Preocupada, Cidália, que não queria ofender a amiga, solicitou a Chico que pedisse um conselho ao espírito de sua mãe, Maria João de Deus.


À tardinha, o menino foi ao quintal e rezou, como fazia sempre quando queria conversar com a mãe, contando-lhe o problema. Ela lhe disse que não deviam brigar com os vizinhos e lhe deu uma sugestão: toda vez que sua madrasta se ausentasse, que desse as chaves à vizinha, para que ela tomasse conta da casa. Dessa forma, a mulher se tornou responsável pelo lar da família Xavier, e não tocou mais nas hortaliças.


Passados os problemas, o menino não viu sua mãe com tanta frequência, mas começou a ter sonhos. À noite, levantava-se agitado e conversava com locutores invisíveis. De manhã, contava as peripécias de pessoas mortas, coisas que ninguém podia compreender!


O pai resolveu levá-lo ao vigário de Matozinhos, que, após ouvi-lo, recomendou que o garoto não lesse mais jornais, revistas e livros. O vigário disse a Chico que ninguém volta a conversar depois da morte e que era o demônio que lhe estava perturbando. O menino chorava nos braços de sua madrasta.


Ao conversar com sua mãe, triste por não ser compreendido por ninguém, escutou dela que precisava modificar seus pensamentos, que não deveria ser uma criança indisciplinada, para não ganhar antipatia dos outros. Deveria aprender a se calar e que, quando se lembrasse de alguma lição ou experiência recebidas em sonho, que ficasse em silêncio. Precisava aprender a obediência para que Deus, um dia, concedesse-lhe a confiança dos outros. E durante sete anos consecutivos, de 1920 a 1927, ele não teve mais qualquer contato com sua mãe.


Integrado na comunidade católica, Chico obedecia às obrigações que lhe eram indicadas pela Igreja. Confessava-se, comungava, comparecia pontualmente à missa e acompanhava as procissões.


Quem descobriu a mediunidade de Chico Xavier foi sua primeira e única professora, Dona Rosália. Ela fazia passeios campestres com os alunos, que deveriam, no dia seguinte, levar-lhe uma composição, descrevendo o passeio. A de Chico tirava sempre o primeiro lugar.


Certa vez, desconfiada, Dona Rosália decidiu fazer o passeio mais cedo e, na volta, pediu que os alunos fizessem a redação em sua presença. Chico, novamente, tira o primeiro lugar! A redação era uma verdadeira página literária sobre o amanhecer e continha conclusões evangélicas. Rosália mostrou aos amigos íntimos o texto de Chico e houve unanimidade em reconhecer que aquilo, se não fora copiado, era então dos espíritos.


Para ajudar no sustento da família, o pequeno Chico, então com 9 anos, começou a trabalhar na fábrica de tecidos de Pedro Leopoldo, como tecelão. A longa jornada de trabalho fragilizou sua saúde, sobretudo os pulmões (ele chegava à fábrica às 15 horas e trabalhava até à 1 hora da manhã. Dormia até às 6 horas e ia para a escola. Saía às 11 horas, almoçava, dormia e retornava à pesada rotina).


A família crescia. A madrasta deu a Chico mais cinco irmãos. Com a saúde prejudicada, Chico Xavier tentou outra atividade. Trabalhou como ajudante no Bar do Dove. Depois de dois anos, foi para o armazém de seu padrinho, José Felizardo Sobrinho, onde exerceu a função de balconista.


As perturbações noturnas continuaram. Depois de dormir, caía em transe profundo. Em 1927, uma de suas irmãs ficou muito doente. Um casal de médiuns se reuniu aos Xavier, para a primeira sessão espírita na casa da família. Na mesa, dois livros: "O Evangelho Segundo o Espiritismo" e "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec. Pela mediunidade de Dona Carmem - mulher que foi ao encontro da família de Chico Xavier - sua mãe manifestou-se: "Meu filho, eis que nos achamos juntos novamente. Os livros à nossa frente são dois tesouros de luz. Estude-os, cumpra com seus deveres e, em breve, a bondade divina permitir-nos-á mostrar a você seus novos caminhos".


Em junho daquele ano foi cogitada a fundação de um núcleo doutrinário. Foi construído o Centro Espírita Luiz Gonzaga, sediado na residência de João Cândido Xavier, que se fez presidente da instituição e contava com muitos frequentadores. As reuniões se realizavam às segundas e sextas-feiras. A nova sede do Grupo Espírita Luiz Gonzaga foi construída no local onde se erguia, antigamente, a casa de Maria João de Deus, mãe de Chico.


Ainda em 1927, mais precisamente no dia 8 de julho, Chico Xavier fez a primeira atuação do serviço mediúnico, em público. Seu primeiro livro psicografado foi publicado em 1932. Chico passou a receber as primeiras poesias de "Parnaso de Além-Túmulo", que foi lançado em julho desse mesmo ano.


Ao entrar para o funcionalismo público, em 1933, como datilógrafo, na Fazenda Modelo do Ministério da Agricultura, Chico começa a demonstrar sua admiração pela natureza. Distante seis quilômetros da cidade, em contato com a natureza, ama até as pedras e os montes.


Chico Xavier vê em tudo poesia e oração, trata as árvores como irmãs e compreende como poucos a alma do todo. Vê em tudo vida, verdade e luz, beleza e amor e, acima de tudo, a presença de Deus!


Até 1950, Chico Xavier havia recebido, através de sua psicografia, mais de 50 livros. Vivia no apogeu de triunfos mediúnicos. Era conhecido no Brasil e no mundo inteiro.


"Parnaso de Além-Túmulo", por si só, valia pelo mais legítimo dos documentos, validando-lhe o instrumental mediúnico. A publicação ainda é considerada pelos espíritas como o mais completo e seguro livro que o espiritismo tem tido para revelar as verdades, inclusive o intercâmbio das idéias entre o mundo carnal e o mundo espiritual.


Além disso, Chico Xavier recebera romances, inúmeros livros, versando assuntos filosóficos, científicos e, sobretudo, realçando o espírito da letra dos Evangelhos, escrevendo e traduzindo, de forma clara e precisa, as lições consoladoras e imortais do Livro da vida.


Em 5 de janeiro de 1959, Chico Xavier mudou-se para Uberaba, sob a orientação de benfeitores espirituais, iniciando nessa mesma data as atividades mediúnicas, em reunião pública da Comunhão Espírita Cristã.


Chico deu início à famosa peregrinação. Aos sábados, saindo da "Comunhão Espírita-Cristã", o médium visitava alguns lares carentes, levando-lhes a alegria de sua presença amiga, acompanhado por grande número de pessoas. Sob a luz das estrelas e de um lampião que seguia à frente, iluminando as escuras ruas da periferia, ia contando fatos de grande beleza espiritual.


A cidade de Uberaba, desde a sua chegada, transformou-se num pólo de atração de inúmeros visitantes das mais variadas regiões do Brasil, e até mesmo do exterior. Ainda hoje há um número considerável de turistas que visitam a cidade do Triângulo Mineiro para conhecer a vida e a obra do maior médium brasileiro.


O trabalho de Chico Xavier sempre consistiu na divulgação doutrinária e em tarefas assistenciais, aliadas ao evangélico serviço do esclarecimento e reconforto pessoais àqueles que o procuravam.


Chico Xavier se aposentou como funcionário público e sobrevivia somente dos proventos de sua aposentadoria. Do ponto de vista espiritual, ele se tornou um homem rico: multiplicou os talentos que sua fé lhe confiou, através de seu trabalho, de sua perseverança e da sua humildade. Com a saúde debilitada, Chico Xavier confirmou a sua condição de autêntico missionário, uma vez que, impossibilitado de comparecer às reuniões do Grupo Espírita da Prece, reunia as forças que lhe restavam para continuar, em casa, a tarefa da psicografia.


Por conta dos problemas de saúde, no final da vida ele parou de psicografar mensagens e se afastou da atividade religiosa.


O médium faleceu em Uberaba, na noite de 30 de junho de 2002, aos 92 anos de idade. Ele estava com vários problemas de saúde e teve uma parada cardíaca. Chico completaria 75 anos de atividade médium no dia 8 de julho daquele ano.


Os direitos autorais de seus livros publicados (cerca de 340 títulos) são cedidos, gratuitamente, às editoras espíritas ou a quaisquer outras entidades. O médium escreveu mais de 400 livros e chegou a vender mais de 20 milhões de exemplares, distribuídos em vários países do mundo.


Principais obras
Parnaso de Além Túmulo, 1932
Emmanuel, 1938
Há Dois Mil Anos, 1939
50 anos depois, 1940
Nosso Lar, 1944
Obreiros da Vida Eterna,1946
Pão Nosso, 1950
Pai Nosso, 1952
Ação e Reação, 1957
E a Vida Continua, 1968
Chico Xavier Pede Licença, 1972
Caminhos do Amor,1983
Escultores de Almas,1987
Moradias de Luz, 1990
Palavras de Chico Xavier, 1995
Canteiros de Ideias, 1999


Título
Mineiro do Século - 15 de novembro de 2000 (promoção Rede Globo Minas. A escolha foi feita através do voto popular, e Chico Xavier recebeu mais de 700 mil votos).


Mensagens
"Berço e túmulo são simples marcos de uma condição para outra".
Chico Xavier/ Emmanuel

"Somos responsáveis por nossa tragédia e por nossa glória"
Chico Xavier/ Emmanuel

'O bem que praticares, em algum lugar, é teu advogado em toda parte.'
Chico Xavier


Poema psicografado


Amor e Humildade

Nós viveremos, universo em fora,

Trazendo dentro d'alma a vida acesa
No ritmo da luz da Natureza,
Que é a eterna vibração da eterna autora.
A dor, somente a dor nos aprimora,
Nos caminhos da prova e da aspereza,
Elevando a nossa alma na grandeza
Da grande claridade redentora.
Somos os lutadores peregrinos,
Sonhando pela estrada dos destinos,
Um castelo de paz, ventura e glórias.
Sabemos do passado envolto em ruínas
Que a luz do amor e as rudes disciplinas,
São as chaves das últimas vitórias.

Raul de Leoni (soneto psicografado em 1936)



Livros sobre Chico Xavier

As vidas de Chico Xavier
Marcelo Souto Maior
Editora Planeta do Brasil


Lindos casos de Chico Xavier
Ramiro Gama
Editora Lake


Chico Xavier - inédito: psicografias ainda não publicadas
Eduardo Carvalho Monteiro
Editora Madras


Filme
Chico Xavier - O Filme
Ano: 2010
Diretor: Daniel Filho

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