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© Maria Lucia Dornas Bandeira do Estado de Minas Gerais - Maria Lucia Dornas Bandeira do Estado de Minas Gerais

A Bandeira


Que bandeira se desdobra?
Com que figura ou legenda?
Coisas da Maçonaria -
do paganismo ou da Igreja?
A Santíssima Trindade?
Um gênio a quebrar algemas?
                                     Cecília Meireles


A bandeira do Estado de Minas Gerais foi oficializada pela Lei nº. 2.793, de 8 de janeiro de 1963, e sancionada pelo governador José de Magalhães Pinto.


O Triângulo
O triângulo da bandeira de Minas Gerais estava na bandeira idealizada pelos inconfidentes mineiros. Existem duas correntes de pensamento para explicar a forma geométrica triangular. Com base em depoimentos de Joaquim José da Silva Xavier - o Tiradentes - nos Autos da Devassa, o triângulo é uma referência à Santíssima Trindade.


"Assentou-se mais na dita conversação, que José Alvares MacieI faria a pólvora, e estabeleceria algumas manufaturas pelo tempo adiante, que o vigário da Vila de S. José capacitaria gente para entrar na sedição, e motim, e o mesmo havia de fazer ele respondente por onde pudesse, que o Coronel Ignácio José de Alvarenga daria gente da companhia, e o Padre José da Silva de Oliveira Rolim do Serro Frio, no que convieram os sobreditos: e falando ele respondente, em que a nova República que se estabelecesse devia ter bandeira disse que como Portugal tinha nas suas armas as cinco chagas, deviam as da nova República ter um triângulo, significando as três pessoas da Santíssima Trindade; ao que o Coronel Ignácio José de Alvarenga disse que não, e que as armas para a bandeira da nova República deviam ser um índio desatando as correntes com uma letra latina, da qual ele respondente se não lembra, e que tudo ficasse sopito, e em suspenso até se lançar a derrama, se achassem que com ela ficava o povo disposto para seguir à sedição, e motim; estando ele respondente, e os sobreditos nesta conversação chegou o Desembargador Tomás Antônio Gonzaga, e com a sua vinda todos se calaram, e se foram embora."


Existem os que acreditam ser o triângulo uma conexão com a maçonaria e dentro dos ideais iluministas - Liberdade, Igualdade e Fraternidade -, que contagiou o mundo ocidental no século 18. Lembrando que não existe nenhuma comprovação histórica que os inconfidentes pertenciam à maçonaria.


Hoje o desenho do triângulo é definido pela Lei nº 2.793, de 8 de janeiro de 1963 . Diz o art. 2º: "A Bandeira do Estado de Minas Gerais tem os seguintes desenho e forma: um retângulo em branco com 20 (vinte) módulos de comprimento e 14 (quatorze) módulos de largura; ao centro, um triângulo eqüilátero em vermelho com 8 (oito) módulos de cada lado, tendo no lado superior esquerdo a palavra 'libertas', no lado superior direito as palavras 'quae sera' e na base a palavra 'tamen', as quais palavras são em tipo romano, com letras de 2/3 de módulo em altura e separadas do triângulo por 1/3 do módulo, formando no conjunto a frase 'Libertas quae será tamen', que é a divisa da Inconfidência Mineira".


A cor
Alguns pesquisadores acreditam que a cor original do triângulo era verde. Depois de adotada na República como bandeira de Minas Gerais, o triângulo passou para a cor vermelha, por ser símbolo universal das revoluções.


A inscrição
Os inconfidentes e os poetas Cláudio Manoel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga e José Ignácio de Alvarenga Peixoto cultuavam a antiguidade clássica e seus poetas, daí a escolha por Alvarenga Peixoto do lema da bandeira - "Libertas quae sera tamen" - ter sido escolhido da primeira égloga de Públio Virgílio Marão (70-19 a.C) que faz ela parte do diálogo entre Meliboeus a Tityrus.

Traduzida como Liberdade ainda que tardia, na verdade a frase foi mutilada, e, para os latinistas, é errada a sua tradução. A frase correta no texto original de Virgílio é: "Libertas, quae sera tamen, respexit inertem". As opções de tradução são:

"A Liberdade, que embora tardia, contudo, olhou favoravelmente para mim, inerte."

"A Liberdade que, mesmo tardia, olhou, contudo, inerte para mim."

"A Liberdade que, embora tardia, contudo olhou favoravelmente para mim,
que nada fiz."

"A Liberdade que tardia, todavia, apiedou-se de mim, na minha inércia."

O que, provavelmente, ocorreu foi uma liberdade poética por parte dos inconfidentes; como bons latinistas, não teriam incorrido em um erro tão grosseiro.

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