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20. Benedicto Valladares Ribeiro

Benedicto Valladares

Benedicto Valladares Ribeiro


Cronologia
Nasceu: 4 de dezembro de 1892
Faleceu: 2 de março de 1973
Natural: Pará de Minas/MG
Filiação: Domingo Justino Ribeiro e Antônia Valladares Ribeiro


Formação

Estudos secundários – Colégio Dom Viçoso – Belo Horizonte
Bacharel em Odontologia – Escola Livre de Belo Horizonte – 1914
Bacharel em Direito – Universidade do Brasil, Rio de Janeiro – 1920


Atividades

Advogado
Chefe de Polícia
Vereador em Pará de Minas – 1923
Prefeito de Pará de Minas – 1930
Deputado Federal Constituinte –1933
Interventor no Estado de Minas Gerais – 1933
Governador de Minas Gerais – 1935 a 1945
Deputado federal constituinte – 1946
Deputado federal – 1950
Senador – 1955 a 1971


Trajetória de vida
Sua vida política se iniciou em Pará de Minas como vereador; foi nesse período que apoiou a Aliança Liberal formada por Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba que sustentava a candidatura de Getúlio Vargas à Presidência do Brasil em oposição à política paulista. Quando o movimento revolucionário levou o gaúcho Getúlio Vargas ao poder, Benedicto Valladares ocupava o cargo de prefeito em Pará de Minas.


Fiel aliado político do governador Olegário Maciel cooperou com o governo mineiro contra os paulistas no Movimento de 1932. A morte de Olegário Maciel em pleno mandato abalou a política mineira e intensificou a disputada questão sucessória. Gustavo Capanema, governador interino, reivindicava sua efetivação no cargo; já Virgílio de Melo Franco pleiteava com Vargas a nomeação como interventor federal no Estado. Gustavo era apoiado pelo governador gaúcho Flores da Cunha, e o ministro Oswaldo Aranha dava seu aval a Virgílio de Melo Franco. Mas Getúlio Vargas optou por um terceiro nome – Benedicto Valladares, politicamente inexpressivo e sem nenhuma vinculação aos nomes que distavam o comando do Estado.


A tônica principal da estratégia política de Valadares é a fidelidade quase que absoluta a Vargas. Em oposição a Antônio Carlos, que tratava de usar sua força no estado para chegar à presidência, assim como a Gustavo Capanema e Virgílio de Melo Franco, que ousavam pretender a um poder político autônomo, Valladares se apresenta, desde o primeiro momento, como executor fiel da vontade de Vargas, e é assim que surge como interventor em Minas Gerais. A sua carta de apresentação ao Presidente são os serviços prestados no combate à revolução paulista de 1932, e Valladares em nenhum momento externa suas motivações para o desempenho que teve, como chefe de polícia às ordens do Coronel Barcelos, depois General. É bastante dizer que estes serviços lhe valem uma carta de recomendação do General, com a qual os favores de Vargas são conquistados” (Simon Schwartzman).


Benedicto Valladares se tornou um dos maiores colaboradores de Getúlio Vargas, sendo-lhe fiel em todas as situações. No ano de 1935, foi eleito pelos deputados constituintes estaduais governador constitucional do Estado. Em novembro de 1937, Getúlio Vargas instaura o Estado Novo, e as eleições são canceladas. Em Minas Gerais, Benedicto Valladares continuou como chefe de governo até 1945, quando Getúlio Vargas foi deposto.


Tornou-se um político poderoso e ganhou fama pela sua habilidade nas negociações. ”Ao mesmo tempo, seu jeito simples foi responsável pelo surgimento de um rico anedotário sobre sua pessoa” (Fundação Getúlio Vargas – Centro de Pesquisa e Planejamento).


Coligado a outros interventores, Benedicto fundou o Partido Social Democrático (PSD), do qual presidente por vários anos.


Apoiou a Revolução de 1964 e, com a extinção dos partidos em 1966, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena). Em 1971, aos 79 anos, retirou-se da vida pública, quando ocupava o cargo de senador.


Realizações do governo de Benedicto Valladares:
Construção do Minas Tênis Clube – Belo Horizonte 
Construção da Penitenciária Agrícola de Neves – Ribeirão das Neves
Construção da Cidade Industrial – Contagem
Transferência para Belo Horizonte da sede do Banco Mineiro da Produção, posteriormente transformado em Banco Mineiro da Produção
Reorganização do sistema bancário do Estado
Remodelação da estrutura administrativa do Estado
Criação do Serviço de Fomento à Produção do Algodão
Criação do Conselho de Expansão Econômica do Estado
Criação do Departamento Estadual de Estatísticas
Implantação de escolas técnicas e industriais


Homenagem

Em sua homenagem, seu nome foi dado:
Cidade de Governador Valadares/MG
Avenida Benedito Valadares, Bonfim/MG
Avenida Benedito Valadares, Sacramento/MG
Avenida Benedito Valadares, Caratinga/MG
Avenida Benedito Valadares, Lagoa da Prata/MG
Praça Benedito Valadares, Divinópolis/MG
Praça Benedito Valadares, Lavras/MG
Rua Benedito Valadares, Pará de Minas/MG
Rua Benedito Valadares, Ouro Preto/MG
Rua Benedito Valadares, Açucena/MG
Rua Benedito Valadares, Piumhi/MG
Rua Benedito Valadares, Lavras/MG
Rua Governador Valadares, Ataléia/MG
Rua Governador Valadares, Capelinha/MG


Obras

Espiridião. Civilização Brasileira. Rio de Janeiro,1951. Romance.
A Lua Caiu. Livraria José Olympio, 1962.
Tempos Idos e Vividos – Memórias. Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira,1966.
Na Esteira dos Tempos – cursos. Brasília, Senado Federal, 1966.


Fragmentos da obra Esperidião

“_ Olhe, Sá Maria, como meu filho é bonitinho.
 
_ Benza-o Deus, onde é que ele nasceu?

_ Nós viemos do arraial do Mendanha de Diamantina; eu trouxe meu filho em faixas.

_Maus negócios?

_Não, foi a danada da bexiga.

_ Já foi batizado?

_ Como não? Ele se chama Esperidião, nome do santo do dia.

Esperidião cresceu respirando o ar livre das montanhas, subindo morros, vadeando rios, embrenhando-se nos matos.”


“A história daquela ponte é a da maioria das pontes de Minas Gerais. Foi pinguela de pau à-toa, amarrada com cipó-de-são-joão, para dar passagem à outra barranca do rio. Depois, o aluvião do ouro prendeu o homem ao solo, e os ranchos, construídos no sopé do morro, onde a enchente não alcança, exigem pinguela de madeira de lei.

As vigas, encaixadas nas pontas das estacas de braúna bem fincadas, substituem a madeira branca. O guarda-mão é de cabiúna trabalhada e a pinguela adquire estilo. Poderia durar a eternidade da braúna dentro d’água, não fora o crescimento do povoado, com casa de telha e adôbo e a capela já bem começada no lato do morro...”.


Fragmento da obra A Lua Caiu

“O Presidente ouvia absorto, o olhar distante, acompanhando o pensamento que se perdia no tempo. Tinha treze anos apenas e estudava em Ouro Preto em companhia dos irmãos mais velhos.

Só, em casa, na república dos gaúchos, em noite fatídica, a curiosidade o levou pelas ruas frias das cidade. Subiu uma escada de pedra e pode vislumbrar, na sala espaçosa da pensão da rua do Pilar, o corpo de um jovem que jazia sem vida, em cima de uma mesa forrada de crepe e cercada de c´rios acessos??. Receoso de ser pressentido pela multidão que enchia a sala demorou-se pouco na observação daquele quadro doloroso e seguiu, de olhos molhados, desoprimindo o coração.

Foi atraído pela estátua de Tiradentes que ficou a contemplar por longo tempo. A sua cabeça de criança já começava a compreender a beleza daquela morte. Fez comparação entre as duas, a inutilidade de uma, a grandeza da outra, e desejou acabar assim mártir de seus nobres propósitos.

Estes pensamentos já eram do Presidente, despertados pelas recordações, ouvindo a valsa triste, Saudades de Ouro Preto.”

Obs: O presidente citado é Getúlio Vargas


Fragmento da obra Tempos Idos e Vividos – Memórias.

“Entrei na sala em que se encontrava o Presidente sem prestar atenção se o Lodi ficaria ou não surpreso.

Muito amável, o Presidente iniciou a audiência:
_ Deputado Valladares, tenho gostado de conversar com o senhor sobre política. Hoje vou-lhe dizer uma coisa, em caráter reservado, que ainda não falei a ninguém. Não posso nomear o Gustavo Capanema nem o Virgílio de Mello e Franco interventor em Minas Gerais. Se nomeio o Capanema, descontento o Oswaldo, o Afrânio. Que pode pedir exoneração do Ministério; se nomeio o Virgílio, desagrado ao Flores. De maneira que resolvi nomear outro interventor e o senhor vai prestar-me auxílio, dando informações sobre os políticos mineiros. Vamos começar pela bancada...

_ Muito bem, “seu” Valladares, tudo o que o senhor disse a respeito dos políticos mineiro está de acordo com o que penso deles. Preciso agora de informações a respeito do senhor e não vou pedir a ninguém; o senhor mesmo é quem as vai dar.

_Presidente a meu respeito pouco tenho que dizer. Sou bacharel em direito pela Universidade do Brasil. Apenas diplomado, fui advogar na zona oeste do Estado, fixando residência em minha cidade natal Pará de Minas. Seguindo a vocação de minha família, que é uma das maiores do Estado e deu grandes homens públicos, no Império e na República (sou sobrinho –neto do Conselheiro Martinho Campos), ingressei na política.

Presidente do Diretório do Partido Progressista, que combatia a situação dominante, chefiada por advogado e grande industrial, fui eleito vereador, com diversos outros, dentre os quais o da cidade. Meu partido deu vitória ao seu nome para Presidente da República. Participei da Revolução de 1930, sendo o único em Minas Gerais que tomou a prefeitura em ouvir o governo. Mantido no cargo pelo Presidente Olegário Maciel, fui, por sua indicação, incluído na chapa do partido para deputado federal. Pela pergunta parece que o senhor está pensando em meu nome para interventor, não faça isto, nesta hora o senhor não deve nomear o político obscuro para este alto cargo.

_Não, preciso é de um moço inteligente e leal. O senhor vai ser meu interventor, está convidado. Agora vamos guardar reserva sobre o assunto porque vai dar barulho na política mineira. O senhor demorou muito comigo, naturalmente os jornalistas vão lhe perguntar o que houve. Vamos combinar uma resposta.

_Não tenho motivo nenhum a apresentar, só disser que vim pedir ao senhor a oficialização de um ginásio em minha terra.


_ É ... diga isto”.
“_ Valladares você é um monstro, disse Alckmin _ Vai ser interventor e não nos contou nada.

_ Meu nome está na lista, mas certamente não serei escolhido. Acabava de falar quando entrou um contínuo:

_  O Palácio do Catete está chamando o senhor.

Sai deixando os dois rindo.
No Palácio, o Presidente me disse: _ O Virgílio e o Capanema, desconfiados que eu ia nomeá-lo, fizeram um acordo para impedir que seu nome venha na lista. Mandei chamá-lo para dizer que, se seu nome vier, o senhor será interventor, se não vier, o senhor será também, pois quem nomeia interventor sou eu.

Meu nome foi na lista e naquele mesmo dia fui nomeado.”


Fragmento da obra Na Esteira do Tempo. Discursos.
“...O erro único, na série de benemerências, e o fruto da generosidade da pequena população de seu começo, fazendo questão de batizar o município com meu nome.

Consola-nos a certeza de que os homens passam e as cidades ficam.

Existe em Portugal, à beira-mar, perto da cidade do Porto, uma vila que denomina Valladares. Acreditamos que seus habitantes já nem se lembram da razão do nome. Com os anos a mesma coisa acontecerá a Governador Valadares. ... 31 de janeiro de 1958“.


Frases famosas

'Não sou a favor nem contra, antes muito pelo contrário.'
'Temos que engordar porcada magra, pois os gordos são insaciáveis.'
'A viúva chora e esperneia,mas não pede pra ser enterrada junto com o defunto.'
'Mineiro não enlouquece, piora.'


Comentários
“Esperidião interessa, tem um sabor, na intriga, nada desprezível, comporta observações maliciosas e até reflexões agudas sobre assuntos que não imaginávamos cogitasse o ex-interventor.mineiro. os casos são contados com graça e a atmosfera das eleições, tanto a bico de pena como pelo voto secreto, é muito bem reconstituída” (Sérgio Miliet).

“[...] Pode o romancista de Esperidião, superando o romance de costumes, acompanhar uma das mais largas perspectivas do romance moderno. O emprego do romance precisamente, como veículo de indagação sociológica” (Adonias Filho).

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