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O Povo

© Acervo/Prefeitura de Nova Ponte Nova Ponte - Exponova - Acervo/Prefeitura de Nova Ponte Exponova

Talvez por estarem as montanhas mais perto do céu ou pela bagagem cristã trazida pelos portugueses que adotaram Minas como pátria, a questão é que a religiosidade sempre foi elemento muito presente na história deste Estado. O ouro abundante só contribuiu para isso, erguendo-se com opulência os templos para os santos e santas de devoção.


A reverenda começava quando era feito o singelo altar de madeira em agradecimento à sorte na mineração. Evoluía rapidamente para um oratório e uma capela, conforme aumentavam as posses do fiel. O costume de erguer uma construção no mesmo padrão de uma igreja de Portugal resultou em semelhanças como a da capela de São José do Rio das Mortes, em Tiradentes, recordando a de São Francisco de Tibães. O oratório, por sua vez, também criou uma identidade própria na tradição do povo mineiro. Ricos ou pobres, todos queriam ostentar o símbolo de sua devoção e para isso adaptavam-se vários formatos e tamanhos. Há antigos oratórios mineiros para serem carregados no lombo dos animais, transportados em procissões ou até no bolso dos viajantes.


A mão-de-obra escrava influenciou de forma significativa para a formação religiosa de Minas Gerais, trazendo da África (bantos e guineanos) seus próprios costumes, que encontraram na sociedade aurífera um campo fértil para se disseminar. Veio contribuir para isso a forte miscigenação entre portugueses e escravas. De acordo com o historiador Diogo de Vasconcelos, nos primeiros anos do século 18, os registros das antigas paróquias acusavam a proporção de dez nascimentos legítimos para cem ilegítimos. A população mestiça e negra era praticamente maioria. Em 1720, a Capitania de Minas Gerais abrigava cerca de 250 mil habitantes, calculando-se 100 mil brancos, 100 mil mulatos e 50 mil escravos.


Aos mulatos pobres cabiam ocupações como a pintura, a música, a escultura – tidas como menores. Documentos históricos do século 18 falam em festas de rua, danças e cavalhadas com a presença de negros tocando flautas, oboés, órgãos e violinos, numa mistura de música sacra e profana, ou como sugerem os relatos “cousas da alegria”. Essas experiências de sincretismo religioso podem ser observadas até hoje nas festas folclóricas de dezenas de municípios mineiros, em danças como o candombe (origem do candombe) e a cavalhada, por exemplo.


A Minas colonial foi praça de encontro para diversas culturas e religiosidades – o negro, o português, o judeu habitante do norte de Portugal, o baiano e o pernambucano, órfãos das lavouras de cana-de-açúcar, o bandeirante paulista, o sulista com suas tropas de alimentos. Todos estavam de passagem e acabaram deixando heranças. Traços de mineirice que se perpetuam. Da influência estrangeira, a dos ingleses teve grande repercussão na época da implantação das usinas de ferro, principalmente nos municípios de Nova Lima, Itabirito, Caeté, Barão de Cocais, Ouro Preto, São João del-Rei e Santa Bárbara. Porém, as influências dos saxões ficaram mais concentradas nas edificações e na fabricação de móveis, embora há quem diga que o inseparável “uai” do mineiro quando fala deriva da interrogação inglesa "why".


Lendas e superstições são comuns a este povo disperso pela imensidão do Estado. Para isso, a paisagem sempre contribuiu: sejam as terras planas, as colinas ou montanhas de quase 3.000 metros de altitude, como na Serra do Caparaó, os mistérios da fauna e da flora inspiraram o homem de Minas e criaram personagens populares do Brasil.


H
oje, Minas Gerais é o segundo Estado mais populoso do Brasil.A estimativa do Censo Demográfico do IBGE para 2016 foi de 20.997.560 habitantes, com densidade demográfica de 33,41 habitantes por Km2.


O povo mineiro vive em povoados, vilas, cidades pequenas, médias e grandes, espalhadas numa área semelhante à da França. No campo há menos gente desde 1970.Em 1940, quatro entre cinco mineiros moravam no campo.Hoje, o progresso tornou os mineiros muito mais urbanos e quase 75% da população mora nas cidades, em decorrência, sobretudo, do forte processo de industrialização ocorrido na década de 70.


Cercados por serras, os mineiros "são conhecidos como povo montanhês".  Muita coisa da vida mineira se explica pelo fato de Minas ser um estado central. "Isolar Minas do mar foi ideia do governo português para esconder o ouro da província, impedir o contrabando desse metal e evitar a saída dos lucros da mineração para outra parte que não fosse Portugal” (Maria Helena T. Polastri). Isso explica também a formação étnica do povo mineiro, que se deu pela miscigenação dos índios que habitavam a região das minas com os portugueses, os primeiros que para lá acorreram em busca de metais preciosos. Mais tarde, com outros estrangeiros que a eles vieram se juntar. Depois, com os negros e com brasileiros de outros estados (cearenses, baianos, pernambucanos, entre outros), que também iam sendo atraídos pela possibilidade de riqueza.


Assim, “brancos e negros, índios e mestiços, senhores e escravos, sobre o mesmo pedaço de terra e falando a mesma língua, constituíram o território nacional. Em Minas, a civilização urbana se formou estimulada pelos signos da grandiosidade: a fartura de riquezas naturais, a eloquência da luta pela liberdade e a força da fé.” (Guia de Turismo Ecológico de Minas Gerais).


Dessa miscigenação resultou uma sociedade culturalmente muito rica. Com traços físicos muito diversos, esse povo, em geral, tem em comum uma personalidade forte, idealismo, coragem, espírito de liderança, alma sensível e religiosa. A criatividade é uma qualidade histórica, acompanha a trajetória desse povo e está presente na música, na literatura, nas artes plásticas e cênicas, na arquitetura, na culinária, nas manifestações populares e folclóricas.


A imensidão do Estado permite uma caracterização regional das qualidades do mineiro. Para Gustavo Capanema, “no do sul, a calma, a paciência, a serenidade; no da Zona da Mata, a bravura, a dureza, a teimosia, a energia, a pugnacidade; no das montanhas e da mineração, o idealismo, o sonho, a filosofia, o quixotismo”.



Todas estas qualidades conferem a essa gente tão especial um forte referencial - o ser mineiro. Seja o sertanejo das gerais, o barranqueiro do Rio São Francisco, o índio e todo esse povo que conquistou serras e vales, rios e planaltos.

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