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Ocupação do Território

© Henry Yu Ouro Preto - Vista Panorâmica de Ouro Preto - Henry Yu Vista Panorâmica de Ouro Preto

No início, eram as montanhas um obstáculo. Fronteira natural que nem a ganância dos mais empenhados colonizadores conseguiu ultrapassar. Ávidos pelo ouro, os europeus desconheciam as riquezas também ignoradas pelos índios caiapós – nativos no território há 11 mil anos. E, assim, por obra do destino e da natureza, Cataguás, como eram chamadas as Minas Gerais, permanecia adormecida, esquecida, resignada a ser terra sem valor. Intacta com suas matas e montanhas sem-fim.


A região demarcada em Minas compreendia o que hoje corresponde a Cachoeira do Campo, Ouro Preto e Mariana, e assim permaneceu durante todo o século 15, pois a Coroa não designou nenhum fidalgo para ser donatário e avançar com a colonização. Nem ocupação oficial nem clandestina, já que também pirata algum achou interesse em aventurar-se naquelas fronteiras. Pode-se dizer que Minas Gerais só nasceu de fato no século 17, pela ação dos bandeirantes paulistas à caça de índios e minérios.


A partir dessas bandeiras em busca de ouro formaram-se as três rotas de penetração que mais tarde dariam origem a novos núcleos de povoamento. Tratava-se do Caminho Velho de São Paulo, acompanhando a rota do rio Paraíba e atravessando a Serra da Mantiqueira; o Caminho Velho da Bahia – também chamado de Caminho dos Currais, seguindo o rio São Francisco até o Caminho Novo do Rio de Janeiro no vale do rio Paraibuna, abrindo passagem do Rio de Janeiro até as minas de Ouro Preto.


Abertos os caminhos, rapidamente se transformaram em passagens para os homens que buscavam o ouro: imigrantes da Europa, aventureiros de São Paulo, comerciantes do Nordeste e centenas de escravos. A partir da segunda metade do século 17, todos os destinos convergiam para onde houvesse ouro – e esse eldorado era Minas Gerais. Em 1775, a região já era a mais populosa do Brasil: o país tinha então 3.300.000 habitantes, 319.739 em Minas, de acordo com o censo oficial da Corte.


Diferentemente da ocupação dispersa observada nas fazendas de cana-de-açúcar, a urbanização no território mineiro se deu de forma concentrada. Rapidamente os acampamentos à beira dos córregos que tinham ouro se transformavam. No lugar onde era achada a primeira pepita erguia-se um altar para o santo de devoção, segundo a tradição mineira, e fundava-se um arraial. Com o tempo e a necessidade de se organizar a sociedade, todo um contingente de militares, funcionários civis, comerciantes, artesãos e intelectuais se deslocou para o local. A partir dessa fusão de personagens, culturas e papéis sociais, estava montada a vila mineira que depois daria origem às cidades.


Por esse conjunto de características peculiares, que se estendeu durante os séculos 17 e 18, diz-se que Minas Gerais já nasceu urbana, diferentemente dos outros centros populacionais no Brasil que se organizavam inicialmente a partir de uma atividade agrária. Atividade relegada a segundo plano, a agricultura mineira teria expressão a partir do século 19, com o plantio de café, sobretudo na área sudeste do Estado. Já a pecuária surge antes no cenário econômico da região, por volta do século 18, segundo documentos históricos que descrevem as lutas de fazendeiros com tribos indígenas e quilombolas – exércitos de escravos fugidos.


O ouro e o diamante explorados de Minas Gerais conduziram o estilo da colonização no Estado e, além disso, influenciaram diretamente a formação da nacionalidade brasileira sob os aspectos políticos e culturais. Se foi o ouro de Minas que fez o Brasil despontar no mercado mundial e impulsionou a modernização do capitalismo europeu, foi ele também que alimentou a intensa produção cultural no país durante todo o período Imperial e financiou os estudos da elite local, fortalecendo as bases políticas nacionais que culminariam com a Inconfidência Mineira. Sua herança na produção artística e cultural do Brasil pode ser observada na opulência das igrejas e construções da época e na grandiosidade das pinturas e esculturas que caracterizaram o período Barroco e deram reconhecimento internacional para artistas como Antônio Francisco Lisboa - o Aleijadinho.


O Ciclo do Ouro – como se convencionou chamar esse período histórico – não deixou apenas marcas significativas em Minas Gerais, mas traçou uma importante trajetória para toda a nação brasileira. Brancos e negros, índios e mestiços, senhores e escravos, sobre o mesmo pedaço de terra e falando a mesma língua, constituíram o território nacional. Em Minas a civilização urbana se formou estimulada pelos signos da grandiosidade: a fartura de riquezas naturais, a eloquência da luta pela liberdade e a força da fé.


Texto: Turismo Ecológico - Minas Gerais. São Paulo: Empresa das Artes, 2001.

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