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Rio São Francisco

© FZB / Breno Sousa Três Marias - Rio São Francisco - FZB / Breno Sousa Rio São Francisco

Bacia
São Francisco


Nascente
Parque Nacional da Serra da CanastraSão Roque de Minas/ MG


Extensão
2.700 km


Desaguadouro
Divisa dos estados de Alagoas e Sergipe


Principais municípios banhados pelo rio
Em Minas Gerais
Januária
Matias Cardoso
Pirapora
São Romão
Três Marias


Na Bahia
Bom Jesus da Lapa
Juazeiro
Paulo Afonso
Petrolina


Em Alagoas
Penedo


Principais afluentes
Abaeté
Carinhanha
Corrente
Grande
Jequitaí
Paracatu
Paraopeba
Velhas
Verde Grande
Urucuia


Histórico
O rio São Francisco esta ligado ao processo de povoamento e valorização da terra pelos europeus, desde o inicio da colonização. No dia 04 de outubro de 1501, a expedição exploradora de André Gonçalves e Américo Vespúcio, descendo o litoral brasileiro a partir do Rio Grande do Norte, descobriu a foz de um caudaloso rio, ao qual, por se encontrarem no dia de São Francisco, deram o nome de rio São Francisco. Durante todo o século 16, várias expedições exploradoras vasculharam o vale do São Francisco, partindo ora de Olinda, ora de Salvador. A região constituía passagem para o gado e mercadorias diversas que se destinavam aos sertões do Piauí e as demais terras próximas. Surgiram então pequenos centros urbanos. A partir do século 17, iniciou-se o povoamento sistemático do Vale do São Francisco, realizado principalmente por Pernambucanos, Baianos e Paulistas. Na Bacia superior os paulistas descobriram grandes riquezas minerais, sobretudo o ouro.


A região logo se tornou densamente povoada, transformando-se assim, em importante centro consumidor. Com o desenvolvimento da criação de gado no médio Vale São Francisco, completou-se mutuamente a civilização das minas e do couro, efetivando-se a integração econômica de uma área cujo povoamento se fez em diversos pontos. Por esse motivo o rio São Francisco ficou conhecido como o "rio da unidade nacional" pelo traço de união que representou no passado e ainda hoje continua a representar, entre o Sudeste e o Nordeste Brasileiro.


Descrição
O rio São Francisco nasce na Serra da Canastra, Minas Gerais, no município de São Roque de Minas, e uma altitude de aproximadamente 1.200 metros. Percorre 2.700 Km, recebendo vários afluente e tornando-se cada vez mais caudaloso ate desaguar no Oceano Atlântico, entre os Estados de Alagoas e Sergipe. Sua largura varia entre 500 e 1000m e apresenta uma profundidade média de 6m.


Seus trechos principais são classificados em três partes:

Baixo São Francisco
– Trecho de 270 km entre a foz e a cachoeira de Paulo Afonso;

 

Médio São Francisco - parte compreendida entre a cachoeira de Paulo Afonso e a cidade de Pirapora, com cerca de 1.800 km e;

 

Alto São Francisco - Trecho de 630 km, compreendido entre Pirapora e suas cabeceiras. Essa divisão é explicada por diferenças de condições geológicas e climáticas, de revestimento vegetal e das formas de organização realizadas pelo homem.


As áreas mais povoadas da bacia do São Francisco encontram-se nos vales inferior e superior, nos territórios de Alagoas, Sergipe e Minas Gerais. Estima-se que a população do vale que abrange 422 municípios, é de 20 milhões de habitantes, infelizmente com baixos níveis de educação, saúde e saneamento básico.


A bacia média ainda está no conjunto relativamente pouco povoada, o que se explica pela baixa densidade da maior parte de Pernambuco, Bahia e alguns pontos de Minas Gerais. De modo geral, é na Bahia que se encontram os maiores vazios demográficos. No vale superior, as cidades são maiores e mais numerosas.


Cerca de 70% do volume de suas águas são gerados no estado de Minas Gerais, sendo o restante dividido em 20% no trecho que compreende a fronteira de Minas e Bahia ate Juazeiro, e outros 10% entre Juazeiro e a foz. É um rio típico de Planalto, atravessando áreas semiáridas e agropastoris.


Embora corresponda a apenas 7% do território nacional – 630.000km² - a bacia do rio São Francisco ocupa um lugar de destaque: é a mais extensa das bacias exclusivamente brasileiras.


Em Minas Gerais recebe os seguintes afluentes: Pará, Paraopeba, Velhas e Jequitaí, na margem direita; Bambuí, Indaiá, Borrachudo, Abaeté, Paracatu e Urucuia, na margem esquerda.


Na Bahia, recebe os rios Carinhanha, Corrente e Grande na margem direita: Rãns, Santo Onofre, Pará-Mirim, Jacaré a Salitre na margem esquerda.


Em Pernambuco recebe os rios Ponta, Jacaré, Jequi e Pajeú.


Em Sergipe recebe na margem direita os rios Ouro Fino e Betume.


Do percentual de 70% das águas geradas em Minas Gerais, grande parte deve-se afluentes abaixo de Três Marias principalmente no período de chuvas, quando os rios Abaeté, das Velhas, Urucuia e Paracatu, exercem papel relevante ao regime de cheias, quer em termos de quantidade de água ou em termos de variações bruscas registradas em períodos de curta duração.


A área total de drenagem, isto é, a área abrangida pela sua bacia a que canaliza água,para seu leito é de cerca de 641 mil quilômetros quadrados. Toda esta área conta com dois reservatórios – Três Marias e Sobradinho - para regularizar as vazões e amortecer as cheias. Em Minas Gerais a bacia drena 243.000 Km² , o que representa 41% da área do Estado.


O rio São Francisco caracteriza-se por apresentar cheias no verão e estiagens no inverno, sendo que as vazões médias são de 707m³ por segundo em Três Marias, 768 em Pirapora, 1.520 em São Romão, 2.168 em Januária, 2.731 em Juazeiro-BA e 2.980 em Traipu-AL, entretanto essas vazões poder ser cinco vezes maiores em épocas de grande cheias. A água do rio São Francisco é usada basicamente para a geração de energia elétrica, abastecimento industrial e urbano, a navegação. O potencial de energia elétrica, é de cerca de 17.500 MW e as usinas em funcionamento apresentam uma capacidade instalada de 8.500 MW. Quanto à irrigação, estima-se a possibilidade de aproveitamento da ordem de 1,5 milhões de hectares. O Vale também é rico em depósitos minerais, apresentando reservas de Zinco, Chumbo, Cromo, Diamante, Ardósia, Ferro, Ouro, Calcário, Quartzo, Gipsita, Cobre, Manganês, Fosfatos e Argilas, além de petróleo (Alagoas e Sergipe). Alem disso, o rio é navegável numa extensão de 1.600 Km, mais 800 Km em afluentes.


Ictiofauna da Bacia do Rio São Francisco
A literatura registra um total de 155 espécies de peixes para a bacia do São Francisco. Destes, 85 apresentam o corpo coberto por escamas, e 70 revestidos por couro ou placas.Praticamente todos os peixes foram identificados no século 19 por estrangeiros e documentos em revistas cientificas européias e norte-americanas. Somente mais recentemente foi editado o "Manual de Identificação de Peixes da Região de Três Marias" (Britski, SATO e ROSA - 1984, 1ª edição, publicação CODEVASF/CAMARA DOS DEPUTADOS; Brasília), contendo chaves para identificação dos peixes da bacia do rio São Francisco a descrição de 73 espécies coletadas na região de Três Marias. Até o presente, já foram amostrados um total de 100 tipos diferentes de peixes, sendo que 23 deles nunca haviam sido identificados, sendo portanto espécies novas. Varias espécies são exclusivas da bacia originalmente, como o Pacamã e o Pirá. Sobre o Pirá, pode-se afirmar que não existe nada parecido em outra bacia hidrográfica brasileira ou estrangeira. Pode-se com isso, adotar o Pirá como símbolo da ictiofauna da bacia do rio São Francisco.


A população em geral e mesmos pescadores mais experientes normalmente conhecem em torno de 30 espécies de peixes, sendo que os mais comuns recebem as denominações populares de Surubim (Moleque, Loango e Pintado); Dourado (Dourado-Verdadeiro, Tubarana); Curimatã-Pacu (Zuiega, Xira, Bamba, Papa-Terra); Piau-Verdadeiro (Piau-Legítimo, Piapara); Piau-Três-Pintas , Piau-Gordura, Piau - Jejo (Timbore); Piau-Rola, Piau-Branco (Piau-do-Cheiro, Piau-ampineiro , Taquara); Piranha, Pirambeba. (Piranha-Branca, Piranha-Falsa; Cavalo); Corvin (Sofia); Mussum, Mandi-Amarelo, Cascudo-Preto (Acari); Mandiaçy (Caboje); Serrudo (Bozo); Cangati (Vovo); Sarapó (Tuvira, Peixe-Espada); Traíra, Trairão, Dourado-Branco (Tabarana); Piaba-do-Rabo-Amarelo e (Lambari-do-Rabo-Vermelho); Piaba-Facão (Sardinha-de-Água-Doce); Piaba-Rapadura (Maria Zoiúda); Manjuba (Branquinha); Mandí-Branco (Mandí-Chorão) e Peixe Cachorro. Assim, uma determinada espécie pode receber diferentes nomes populares, que são em geral denominações regionais. O que não muda é o nome científico de uma espécie, isto porque é baseado em várias características biológicas definidas como contagem do número de raios nas nadadeiras, quantidade de escamas na linha lateral - aquela com as escamas perfuradas - o número e tipo de dentes, proporções corporais e o número de rastros nas guelras. Os nomes são designados em latim, como por exemplo: o Dourado recebe o nome científico de Salminus brasiliensis (Cuvier, 1817), isto é, a espécie foi identificada pelo Barão de Cuvier em 1817.


Outros exemplos: Matrinchã brycon lundii, Reinhardt, 1874; Curimatá – Pacu – Prochilodus margfravii (Walbaum, 1792); Surubim – Pseudoplatistoma coruscans (Agassiz, 1829).

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