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Murilo Mendes

Murilo Medina Celi Monteiro Mendes


Cronologia
Nasceu: 13 de maio de 1901
Faleceu: 13 de agosto de 1975
Filiação: Onofre Mendes e Eliza M. de Barros Mendes
Natural de Juiz de Fora/MG


Formação

Primeiros estudos em Juiz de Fora e no Colégio Salesiano de Niterói/RJ - 1924-29
Bacharel em odontologia.


Atividades

Dentista
Telegrafista
Auxiliar de guarda-livros
Notário e Inspetor do Ensino Secundário do Distrito Federal.
Escrivão da 4ª Vara de Família do Distrito Federal - 1946.


Trajetória de vida

De 1953 a 1955 percorreu diversos países da Europa, divulgando, em conferências, a cultura brasileira.


Em 1957 se estabeleceu em Roma, onde lecionou Literatura Brasileira. Manteve-se fiel às imagens mineiras, mesclando-as às da Sicília e Espanha, carregadas de história.


Iniciou-se na literatura escrevendo nas revistas modernistas Terra Roxa, Outras Terras e Antropofagia.

 

Principais obras

Poemas (1930)

Restauração da poesia em Cristo (1934)

A poesia em pânico (1937)

A idade do serrote (1938)

O visionário (1941)

Mundo enigma e O discípulo de Emaús (1945)

Liberdade (1947)

Convergências (1970)

Publicação de Retratos-relâmpagos, 1ª série (1973)

 

Homenagem/Título/Prêmio

Prêmio Graça Aranha, pelo livro Poemas.

Recebe o prêmio internacional de poesia Etna-Taormina, em 1972.

 

Poemas

Motivos de Ouro Preto

O canto alternativo das igrejas

Nos leves sinos da levitação

Cruzando-se em cerrado contraponto,

São Francisco de Assis adverte ao Carmo,

São Francisco de Paula à matriz do Pilar.

Devolve o ar ao ouvido o som das campainhas

Dessas humildes mulas pensativas

Que parecem voltar da Palestina.

E esses pianos dir-se-iam pianolas

Tangendo sons remotos, subterrâneos,

Restos de roídas polcas e mazurcas.

Pianos inconfidentes.

Cindem o ar seco, poroso,

Pancadas pacientes de relógio.

Esse vago clarim nos longes do quartel

Atende ao ido apelo de outro tempo:

Erra insatisfeita nos ares

A alma trágica do alferes

Joaquim José da Silva Xavier.

Os amigos chamou, e o eco respondeu.

MELO Neto, João Cabral de (org.). Murilo Mendes - Antologia Poética. Brasília: INL, 1976, p. 104

 

O farrista

Quando o almirante Cabral

Pôs as patas no Brasil

O anjo da guarda dos índios

Estava passeando em Paris.

Quando ele voltou da viagem

O holandês já está aqui.

O anjo respira alegre:

'Não faz mal, isto é boa gente,

Vou arejar outra vez.'

O anjo transpôs a barra,

Diz adeus a Pernambuco,

Faz barulho, vuco-vuco,

Tal e qual o zepelim

Mas deu um vento no anjo,

Ele perdeu a memória...

E não voltou nunca mais.

MENDES, Murilo. História do Brasil. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1991. p. 12

 

 

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