Cultura

Manifestações Culturais Tradicionais

Senac
  • Logo Senac Minas
  • Hotel Grogotó
  •  

15. Catiras e forrós

Mas não se pode falar em música junina sem uma lembrança do cateretê ou catira, ritmo em que se mesclam origens índias e brancas e uma das poucas reminicências culturais que fizeram da catequização cristã sobre os índios brasileiros. Diz a história que o padre José de Anchieta já utilizava a festa de Santa Cruz mas a sua aceitação nos folguedos de junho nos permite dizer que, já no século 17, ela deve ter se integrado às festas juninas, permanecendo até hoje.



Chulas de origem portuguesa e toadas também fazem parte do repertório junino, ao lado do coco nordestino, o xote de origem alemã mas que se abrasileirou, o recortado e a rancheira.


Em tempos mais recentes, o baião, ritmo já conhecido na metade do século 19, recebe um tratamento urbanizado por parte de autores como Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira e Zé Dantas e se incorpora ao repertório das festas de junho. 

 

Do tratamento mais urbano são as marchinhas como "Casório da Maria (Haroldo Lobo e David Nasser), Sonho de Papel (Alberto Ribeiro), Cai Cai Balão (Assis Valente), Pula a Fogueira (Getúlio Marinho e João Bastos Filho), Antônio, Pedro e João (Osvaldo Santiago e Benedito Lacerda), Isto é lá com Santo Antônio (Lamartine Bbao), O sanfoneiro só tocava isso (Haroldo Lobo e Geraldo Medeiros)" e muitas outras que integram uma verdadeira antologia musical junina como, por exemplo, "Festa do Interior".

 

A partir dos anos 40 uma outra palavra começou a se incorporar aos festejos, coreografia e ritmos juninos. É "forró", um termo, aparentemente de origem inglesa e que teria sido usada a partir da Segunda Guerra Mundial. Naquele tempo, nas bases americanas instaladas no Nordeste, era comum a realização de festas dançantes para todos (for all). O "for all" teria virado forró, com o que não concordam outros estudiosos alegando que ele já existia antes da chegada dos americanos ao litoral nordestino.

 

Seja qual a definição certa, forró é, hoje, uma palavra empregada até mesmo para definir a própria festa junina. A ponto de cidades promoverem grandes festejos na época do ano assumirem-se como forrozeiras. Como são os casos de Caruaru (Pernambuco) e Campina Grande (Paraíba) que disputam o título de Capital Mundial do Forró.

 

Alé disso, hoje, com o fenômeno de descaracterização cultural, não se pode dizer que existam ritmos essencilamente juninos. Até rock é tocado em redor das fogueiras, o que não impede, porém, a continuidade das velhas tradicionais cantigas que, por mais que queira destruí-las, se mantêm vivas e fortes.

Enviar link