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O Artesanato em Minas Gerais

Minas Gerais é um dos estados brasileiros mais ricos em tradições culturais e em variedade de materias-primas de excelente qualidade para o artesanato. Com esses atributos, o artesanato mineiro tornou-se mundialmente conhecido e é, atualmente, uma importante fonte de geração de emprego e renda.

 

As peculiaridades físicas, econômicas e culturais de cada região mineira, que tanto marcam seus habitantes, fazem com que o artesanato se manifeste em variados padrões e técnicas, mesmo quando se emprega o mesmo tipo de material ou se confeccionam peças destinadas ao mesmo fim.

 

Utilizando diversos tipos de matérias-primas, como a pedra-sabão, a argila, e fibras vegetais, os artesãos criam belos utensílios domésticos, roupas, calçados e artigos de decoração - produtos rústicos ou requintados, simples ou sofisticados - que estão expostos em lojas especializadas, feiras, centros de artesanato e museus.

 

"Em Minas Gerais, os valores se juntaram e coexistem harmoniosamente - beleza natural, história, arte e artesanato". (Saul Martins)


O Artesão e sua obra
Quem é o artesão e o que o diferencia dos outros trabalhadores? O artesão é aquele que, por criatividade, habilidade própria ou adquirida, executa uma atividade, predominantemente manual, transformando determinda matéria-prima na produção de bens artísticos, de uso ou consumo, e realiza todas as fases do processo produtivo. "Portanto, ele tem uma vião total e global do seu trabalho, que se caracteriza pela não repetição. Já o trabalhador comum dispõe de apenas uma visão parcial de suas atividades, por estar inserido num processo industrial de produção, que tem a repetição como uma de suas características.

 

"O artesão e sua obra são considerados unidades inseparáveis, transmissores e criadores das múltiplas manifestações de arte popular". Ele é o autor e o agente da obra completa. "Seu pensameto, quando nada, é igual a ele mesmo. Seu trabalho é ele próprio; ele tem ainda a força da tradição, que o afirma cada vez mais em seu trabalho e em sua cultura. E a cultura, por sua vez, é a história, o próprio homem, suas invenções, criações, lendas e mitos. 

 

Registros históricos
O apogeu do artesanato mineiro ocorreu no período do barroco. Com a descoberta de ouro na região das minas, surgiu uma nova classe social que, enriquecida pela exploração do minérios, sentiu a necessidade de mostrar sua nova posição na sociedade, investindo na melhoria das residências e na construção das igrejas. Para tanto, trouxe da Europa diversos mestres-artesãos, que, mais tarde, ensinaram aos homens da terra a arte da artesania.

 

De acordo com o professor Saul Martins, o artesanato passou a ser utilizado como "ocupação voluntária", em Minas, desde o século 18. Nessa época os artesãos fabricavam peças do mobiliário e outros utensílios domésticos. Também se responsabilizam pelos remates nas igrejas e nas residências e pela fabricação de peças destinadas aos cultos religiosos e máscaras utilizadas nas representações durante as festas de Santos Reis ou Semana Santa.

 

Mutiplicidade de formas
Fazendo uso do grande número de matérias-primas disponíveis no Estado - fibras vegetais, barro, madeira, bambu, pedras, metais, sucatas e outras - o artesão mineiro confecciona, principalmente, peças decorativas, móveis, utensílios domésticos e roupas. De suas mãos brotam lindos tapetes, luminárias, colchas, panelas, tachos, potes, jogos infantis, mesas, cadeiras, luminárias, blusas, bonecos e tantos outros produtos encontardos no Braisl e até no exterior. 

 

Uma das mais tradicionais técnicas utilizadas pelos artesãos de Minas Gerais é a tecelagem, que foi introduzida pelos colonizadores portugueses. No tear mineiro ou à mão, o tecelão produz peças em taboa (fibra muito encontrada em alagados, de grande resistência, durabilidade e maleabilidade), taquara (nome dado às diversas espécies de bambu), palha de milho, sisal (fibra têxtil resultante das folhas da árvore Agave, de origem mexicana) e algodão. Este tipo de artesanato é muito comum nas regiões Sul, Oeste e Triângulo Mineiro. 

 

Outro destaque é a cestaria de Joaíma e Veredinha, no norte do Estado, feita a partir do bambu encerado com cera de carnaúba. Também são famosas as peças de fibra de bananeira, uma matéria-prima de grande versatilidade obtida com o desgaste das touceiras dos bananais.

 

A cerâmica figurativa é muito bem representada pelo município de Caraí, perto de Teófilo Otoni, onde são produzidos artefatos similares ao do artesanato pernambucano. Em Salinas, Riacho dos Machados, Santana do Itinga, Taiobeiras (no Vale do Jequitinhonha), Montes Claros, Januária, Inhaúma e Janaúba (no Vale do São Francisco), um grande número de artesãos trabalha com cerâmica figurativa e utilitária - uma tradição mineira que origina peças peças muito resistentes e de belo efeito visual, devido às altas temperaturas dos fornos.

 

E praticamente todas as regiões do Estado são produzidos utilitários usando madeira proviniente do reflorestamento, pintada à mão. Nesse caso, a maioria dos artesãos inspira-se nos florões decorativos das igrejas da época do barroco. Os resíduos de madeira das marcenarias tamabém são aproveitados para a produção de peças decorativas. 

 

Vale ressaltar ainda o artesanato produzido em cidades como Tiradentes, Congonhas (pedra-sabão), Ouro Preto (cobre, latão, e pedras variadas) e Araxá (tecelagem, cerâmica, escultura), que contribui para que elas se tornassem contros de atração turística. 

 

Esculturas
A escultura, uma das manifestações mais conhecidas do artesanato mineiro, tem consagrado diversos artífices. Podemos citar como exemplos: GTO (Divinópolis), Tibúrcio (Montes Claros), Valentim (Belo Horizonte), Maria Buçu (Riacho dos Machados), Zé Caboclo ( São João das Missões), Adão e Josefa (Araçuaí), Levi Martins (Diamantina), Artur Pereira (Cachoeira do Brumado), Mundinha (Itamarandiba), Noemisa Batista Santos (Caraí), Eustáquio da Luz (Nova Era), Expedito da Luz (Nova Era), Expedito (Porto Firme), o santeiro de Couto Magalhães, o trançador de Joaíma, o entalhador de São Romão, o figureiro de São Joaquim de Bicas, o artista cego de Almenara e os carranqueiros de Pirapora.  

 

Paneleiras
O Vale do São Francisco é famoso pelo trabalho das paneleiras - artesãs que herdaram a arte de moldar a cerâmica das tribos indígenas que, no passado, habitaram a região. Além das panelas, elas fabricam torradores de café, tachos, cuscuzeiros, candeeiros, tigelas, pratos, farinheiras, pedras de forno, tachos, jarras para flores e outros utensílios de uso doméstico e/ou decorativo.

 

O trabalho das paneleiras é bastante minucioso. Antes de confeccionarem uma peça, elas experimentam a liga do barro. Caso não seja de qualidade, trocam ou melhoram a liga misturando areia, esterco de curral, pó de cacos de telha ou de outros objetos de barro cozido. Em seguida, preparam a argila que será moldada e pintada com anilina ou tintas extraídas do jenipapo e do urucu - plantas encontradas com facilidade na região. Por último, queimam os vasos em fornos ou nas caieiras de assar tijolos.

 

Nem sempre esse processo dá o resultado esperado e as artesãs acabam perdendo a peça sob o calor do forno. Isso ocorre quando o barro está muito forte ou muito fraco, há bolhas de ar nas paredes do objeto ou ele é queimado antes de estar completamente seco.

 

Mas, de acordo com a crendice das paneleiras, outras situações podem atrapalhar o trabalho. Uma delas é tirar o barro ou queimar a louça por ocasião da lua quarto minguante ou nova, pois nesta época ninguém consegue "levantar loiça" e, mesmo que consiga, os objetos com certeza se racharão dentro do forno. Para elas, um olho ruim também pode fazer o barro "virá um bofe qui num há queim alevanta nada".    


Referância
Saul Martins, Folclore brasileiro, Minas Gerais, Funarte, Belo Horizonte, UFMG, p. 49-51.

Saul Martins. Olaria. Artes e ofícios caseiros.


Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte - Belotur

 

Central Mãos de Minas



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Fonte

O artesanato em Minas
Série pesquisando

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