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09. Porque Trabalhar com Folclore na Escola

© Folclore - Roteiro de Pesquisa Esquema Geral - Folclore - Roteiro de Pesquisa Esquema Geral

O Folclore, visto sem a viseira do preconceito, é um forte elemento de formação de cidadania e de nacionalidade. É, ao mesmo tempo, o que nos confirma a condição de seres humanos universais e nos reafirma e nos diferencia como seres brasileiros, italianos, alemães, mexicanos, etc.



Visto além de eventos, os fatos folclóricos de que somos portadores são matéria-prima da melhor qualidade para a nossa formação educacional e comunitária, pois são parte do acervo de conhecimentos e de contribuições que nós herdamos e trazemos para o desenvolvimento de nosso grupo social.



Bem utilizado, o Folclore pode tornar-se importante elemento de criação de autoestima, afirmação da personalidade e consolidação da cidadania. E, de quebra, facilitar o aprendizado da linguagem, do raciocínio lógico, da própria história e de sua comunidade.

 


Todo educador tem que saber que, todos nós, somos portadores de cultura folclórica e o estudante precisa aprender a identificar o folclore onde ele vive e não ter a sensação de que é necessário ir buscá-lo em algum lugar específico, de preferência longe do universo do educador e educando. 

 

Tentaremos, a seguir, apresentar algumas orientações específicas para um melhor e maior aproveitamento do Folclore nas escolas de ensino fundamental e médio, a partir da vivência dos próprios alunos. 

 

O mau hábito que têm os professores de sempre e apenas enviar seus alunos para pesquisar uma dança, um folguedo ou uma festa, longe do contexto dos alunos, embora importante como trabalho escolar, fortalece a ideia de que o aluno-pesquisador não tem nada a ver com o que ele pesquisa. O resultado em geral é terrível. Os alunos copiam enciclopédias medíocres, o professor não lê os trabalhos porque, em geral, já conhece o conteúdo copiado. Pronto. Realizou-se mais uma semana do folclore na escola. Quanta energia desperdiçada! Quanto preconceito foi criado e estimulado! Quanta possibilidade de educação integral se perdeu!

 

Qualquer trabalho de pesquisa escolar sobre Folclore para alcançar os resultados esperados, deve ser antecipado pela pesquisa das manifestações folclóricas dentro de casa e na vizinhança e, só posteriormente, esgotados os temas e abordagens nos níveis familiares e comunitários, os alunos devem partir para a pesquisa fora do seu universo imediato, seja através dos livros, seja através de atividades de campo. Esta medida é importante porque prepara o estudante, que reconhecendo-se portador de folclore, pode melhor, mais profunda e respeitosamnete conhecer ouros portadores, como iguais e deiferentes, mas nunca como estranhos, inferiores ou apenas exóticos.

 

Evidentemente não é possível querer encontrar todos os temas, combinações de temas e aspectos folclóricos dentro da família e/ou comunidade. O campo de ação do Folclore  é tão amplo quanto à capacidade do ser humano criar e propor soluções, alternativas, saberes e fazeres. Por isso, afirmamos que o Folclore é universal, apesar de nós o estudarmos quase sempre "à moda da casa", isto é: o folclore em casa ou na comunidade, ou o Folclore em Minas Gerais (e não folclore mineiro), ou o Folclore em Goiás (e não o folclore goiano). 

 

Ao propormos este roteiro de pesquisa pretendemos fornecer aos educadores alguns caminhos que se seguidos poderão apresentar resultados extraordinários.


Este roteiro foi, antes de tornar-se um texto de orientação, testado e aplicado, com êxito, pelo autor, em escolas de 1º, 2º e 3º graus (hoje ensino médio) de Belo Horizonte/MG. Posteriormente, este roteiro foi usado por vários educadores mineiros e nos mais variados níveis de profundidade, sempre com muitos bons resultados. (Esta é uma das razões porque este trabalho já foi editado, reeditado e reproduzido inúmeras vezes por órgãos públicos e particulares de educação e cultura de Minas Gerais). 

 


Não existem fórmulas ou sistemas exatos e rígidos para a pesquisa folclórica. Observação cuidadosa e registro fidedigno são entretanto, premissas fundamentais para se obter uma consistente pesquisa. Por outro lado, confiamos no bom senso dos educadores, que conhecedores e parceiros de seus educandos, saberão dosar estas orientações, adequando-as ao ritmo, às possibilidades e potencialidades de seus alunos. 

 


Uma pesquisa folclórica deve ser sempre uma atividade prazerosa, uma possibilidade de crescimento de alunos, pesquisadores, professores, familiares e comunidade; só por isto deveria fazer parte do dia a dia da escola.

 

Devido a esta possibilidade, repugnamos a prática do folclore apenas como evento ocasional, obrigatório e de datas marcadas ("mês de agosto") na vida das escolas.

 

Esta visão estereotipada, entretanto, somente será alterada quando os educadores convencerem que:

1. Educação -  É a troca de saberes e fazeres entre professores e alunos, algo que só ocorre (e teima existir) no plural, numa relação entre iguais entre professor e aluno;

 

2. A Cultura - é o ponto de partida e a matéria-prima de uma prática educativa integral e transformadora.

 

 


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