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Adélia Prado

Adélia Luzia Prado Freitas

 

Cronologia
Nasceu: 13 de dezembro de 1935
Filiação: João do Prado Filho e Ana Clotilde Corrêa
Natural de Divinópolis /MG


Formação
Curso de Magistério - Escola Normal Mário Cassassanta - 1951
Bacharel em Filosofia - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Divinópolis

 

Atividades
Professora no Ginásio Estadual Luiz de Mello Viana Sobrinho - 1955

 

Professora de Educação Religiosa, Moral e Cívica, Filosofia da Educação, Relações Humanas e Introdução à Filosofia no Instituto Nossa Senhora do Sagrado Coração, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Divinópolis, Fundação Geraldo Corrêa - Hospital São João de Deus, Escola Estadual São Vicente e Escola Estadual Matias Cyprien.

 

Diretora do grupo teatral amador Cara e Coragem, na montagem de O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna - 1980.

 

Chefe da Divisão Cultural da Secretaria Municipal de Educação e da Cultura de Divinópolis - 1983 a 1988

 

Trajetória de vida
Em 1958, casou-se com José Assunção de Freitas com quem tem cinco filhos.

 

A partir dos 40 anos, dedicou-se à poesia valorizando o cotidiano doméstico. Adélia inspira-se nos moradores de Divinópolis para compor os personagens de seus poemas e gosta de escrever o que já viveu e vive.


*Confira a entrevista de Adélia Prado ao descubraminas.com.


Principais obras
Bagagem (1976)

 

O coração disparado (1978)

Mulheres e Mulheres (1978)

Palavra de Mulher (1979)

Solte os cachorros (1979)

Cacos para um vitral (1980)

Terra de Santa Cruz (1981)

Os componentes da banda (1984)

Cantos Mineiros (1984)

O Pelicano (1987)

A faca no peito (1988)

Poesia Reunida (1991)

Oráculos de maio (1999)

O homem da mão seca (1994)

Manuscritos de Felipa (1999)

Prosa Reunida (1999)

Filandras (2001)

 

Prêmio
Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro pela obra O coração disparado - 1978

 

Poemas

 Com licença poética

 Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta,
anunciou: vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa me casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza
e ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos - dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria, sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

 


Parâmetro

Deus é mais belo que eu.
E não é jovem.
Isto sim, é consolo.

 

Casamento

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como 'este foi difícil'
'prateou no ar dando rabanadas'
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.

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