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Origens da festa de Corpus Christi

© Sérgio Freitas Tiradentes - Quadro de Santo Antônio - Sérgio Freitas Quadro de Santo Antônio

No século 11, vários grupos como os Cátaras, Valdenses, Albigenses e os secularistas mundanos negavam insistentemente Mistério Eucarístico. Estes grupos eram considerados  hereges. Dentre eles, ressaltamos o teólogo francês Berengário de Tours e a Seita dos Cátaros.

Inúmeras manifestações de fé ao Santíssimo Sacramento ocorreram na Europa. Veja algumas delas:

1) Primeira procissão em homenagem ao Corpo de Deus
Em 1246, Santa Juliana de Cornillon-Mont em Liège, na Bélgica, fez a primeira procissão, em homenagem ao Corpo de Deus, com a Comunidade de Religiosas  a que pertencia.

2) Corpus Christi celebrado em todo o Ocidente
Em 1264, o Papa Urbano implantou e divulgou a Festa de Corpus Christi por toda Igreja Universal do Ocidente. O Papa incumbiu a São Tomás de Aquino a organização da festa. Para isto, São Tomás compôs o Tantum Ergo Sacramentum (Tão Divino Sinal).

Esta música é cantada até hoje pelos corais nas cidades históricas mineiras após a Benção do Santíssimo Sacramento.

São Tomás mandou a orientação para todos os chefes de Bispados do mundo ocidental – estes deveriam usar no dia da Festa de Corpus Christi os melhores paramentos, vasos e a ourivesaria e prataria sacra (turíbulo, navetas, cálices, patenas, custódia). Além disso, todos os fiéis deveriam vestir as melhores roupas para homenagear o Santíssimo Sacramento.

3) Carne e Sangue
Em Lanciano, cidade italiana, nos anos de 700, havia um Mosteiro de São Legoziano, onde moravam os monges de São Basílio.Entre eles, havia um monge que tinha eternas dúvidas sobre o Mistério da Eucaristia.

Numa manhã, quando estava celebrando a missa, na hora da Consagração surgiu em seus pensamentos a eterna dúvida sobre o Mistério. Qual foi seu espanto, quando a Hóstia que estava na patena foi se transformando em um pedaço de carne e o vinho  que estava dentro do cálice, transformou-se em sangue.

Em êxtase chorou, virou para os fiéis e disse:
“Ó bem-aventuradas testemunhas diante de quem, para confundir a minha incredulidade, o Santo Deus quis desvendar-se neste Santíssimo Sacramento e tornar-se visível aos vossos olhos. Vinde irmãos e admirai o nosso Deus que se aproximou de nós. Eis aqui, a Carne e o Sangue do nosso Cristo muito amado!”

Assustados, os fiéis se aproximaram do altar e rezaram, pedindo a Deus bênçãos e graças. Logo a notícia correu por toda a região.

Estas relíquias foram colocadas,  em recipiente de marfim, dentro de uma tenda portátil, doada por famílias de melhor poder econômico.

Com o advento da ciência moderna, em 1574, as relíquias foram rigorosamente testadas em laboratório, comprovando que tais objetos tinham todas as características de um pedaço de carne e gotas de sangue.

Em 1713, passaram a carne para uma custódia e o sangue foi colocado em um cálice de cristal.

Em 1970, os Frades menores Conventuais, decidiram mandar fazer, novamente, os exames de laboratório destas relíquias em dois médicos de idoneidade moral confiável: Dr. Odoardo Linoli, Chefe de Serviço dos Hospitais Reunidos de Arezzo e livre docente de Anatomia e Histologia Patológica e de Química e Microscopia Clínica e o professor Ruggero Bertelli, Professor Emérito de Anatomia Humana Normal na Universidade de Siena.

No dia 4 de março de 1971, os professores publicaram o relatório científico. Dentre as observações feitas, eles citam:
“Confirmando que se tratava de carne e sangue de uma pessoa viva, vivendo atualmente, pois que esse sangue é o mesmo que tivesse sido retirado, naquele mesmo dia”. “É um fenômeno extraordinário,  a conservação da Carne e do Sangue, deixados em estado natural por 12 séculos e expostos à ação de agentes atmosféricos e biológicos.”

Em telegrama aos frades, os médicos escreveram “E o Verbo se fez Carne”.

Estas relíquias podem ser vistas e observadas na Igreja do Milagre, desde 1252, chamada de São Francisco, na cidade de Lanciano, Itália. Mantêm até hoje as mesmas características. A Carne conserva uma coloração escura e do lado oposto, quando é iluminada, toma uma cor rósea. O sangue possui cinco fragmentos coagulados,  a cor varia de amarelo ao ocre. A carne e sangue possuem formas e tamanhos diferentes.

4) Desafio e fé
Outro personagem importante desde à primeira celebração de Corpus Christi é Santo Antônio de Pádua, falecido em 1231. Ele foi um grande pregador.Tinha muita devoção e respeito ao Santíssimo Sacramento.

Numa época de sua vida, pregando em Toulouse, na França, falando sobre o Mistério da Eucaristia, um ateu chamado Bonillo, duvidou e desafiou Santo Antônio dizendo:
- Se realmente Jesus está vivo na hóstia consagrada, minha mula ajoelhará em frente à Custódia, onde está o Santíssimo. Assim, acreditarei no Mistério da Eucaristia e em tudo que você disser.
Santo Antônio, respondeu:
Vamos então prender a sua mula durante três dias sem comer. No quarto dia, vamos oferecê-la o fardo de feno, perto da Custódia.Veremos o resultado.

O ateu aprovou a proposta.

No final dos três dias, soltaram a mula, conforme combinado. O animal se aproximou do monte de capim e olhou para a Custódia.Deixou de lado o capim e ajoelhou diante da Hóstia Consagrada.

O ateu abaixou a cabeça e pediu perdão pelas heresias proferidas e converteu-se. Os demais presentes aumentaram a fé. Santo Antônio seguiu seu caminho pregando a Fé em Deus. Este fato está registrado na Legenda Rigaldina, do século 14.

5) Cristo nos quatro cantos do mundo
No século 15, os alemães construíram quatro altares, em locais estratégicos, na região por onde passava a procissão. Os pontos correspondem aos quatro pontos cardeais, simbolizando a Universalidade da Igreja e que a palavra de Cristo deveria ser pregada nos quatro cantos da Terra.

Nestes altares ornamentados, a procissão pára, acontece a benção do Santíssimo e cânticos de louvor, enquanto o Ostensório é incensado. Até hoje as colônias alemãs do sul do Brasil mantém este costume.

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