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Frei Santa Rita Durão

Frei José de Santa Rita Durão


Cronologia

Nasceu: 1722

Faleceu: 1784, em Lisboa.
Natural de: Distrito de Santa Rita Durão, Mariana/MG

Filiação: Paulo Rodrigues Durão e Ana Garcez de Morais


Formação

1745 – ordenação como presbítero religioso da Ordem de Santo Agostinho.


Atividades

Professor de Teologia em Braga.

Catedrático de Teologia em Coimbra.

Bibliotecário na Biblioteca Pública Lancisiana, Roma.

Sócio da Academia Litúrgica Pontifícia, Coimbra.

Escritor.


Trajetória de Vida

Quando menino, José estudou com os jesuítas no Rio de Janeiro. Em 1731, foi para Portugal continuar os estudos em Filosofia e Teologia. Devido a desentendimentos com o Bispo de Leiria, D. João Cosme da Cunha, teve que deixar Portugal. Em 1762, viajou pela Espanha, Itália e França, retornando a Portugal no ano de 1777.


E
m 1781, Frei Santa Rita Durão publicou seu poema épico Caramuru, composto de dez cantos que totalizam 834 oitavas e mais de seis decassílabos. Tendo os Lusíadas como inspiração, Frei Santa Rita criou uma obra sobre a chegada de Diogo Álvares Correia - o Caramuru - à costa da Bahia. “Santa Rita revela uma inclinação para o maravilhoso e exótico, sobretudo na celebração da exuberância da natureza tropical. Ao lado desse pendor ufanista, que seria valorizado pelos românticos do século 19, ressalta do Caramuru uma cuidadosa atenção às minúcias históricas, e mesmo etnográficas, detendo-se especialmente no relacionamento de Diogo Álvares com os indígenas, cujos valores, costumes, ritos e técnicas são descritos em pormenor”. (Dicionário do Brasil Colonial) 


Principais obras
Caramuru
Pastoral
Sermão contra os jesuítas.


Homenagens
Patrono da cadeira de nº 9 da Academia Brasileira de Letras.
Dá nome ao Distrito de Santa Rita Durão, Mariana (MG).
Nome a ruas em Mariana (MG), Belo Horizonte(MG) e São Miguel Paulista(SP).  


Fragmentos


Canto VI


XXXVI

É fama então que a multidão formosa
As damas, que Diogo pretendiam,
Vendo avançar-se a nau na via undosa,
E que a esperança de o alcançar perdiam,
Entre as ondas com ânsia furiosa,
Nadando o esposo pelo mar seguiam,
E nem tanta água que flutua vaga
Ardor que o peito tem, banhando apaga.


XXXVII
Copiosa multidão da nau francesa
Corre a ver o espetáculo assombrada;
E, ignorando a ocasião de estranha empresa,
Pasma da turba feminil que nada. 
Uma, que às mais precede em gentileza,
Não vinha menos bela do que irada:
Era Moema, que de inveja geme,
E já vizinha à nau se apega ao leme.

XXXVIII

'Bárbaro (a bela diz), tigre e não homem
Porém o tigre, por cruel que brame,
Acha forças amor que enfim o domem;
Só a ti não domou, por mais que eu te ame.
Fúrias, raios, coriscos, que o ar consomem,
Como não consumis aquele infame? 
Mas pagar tanto amor com tédio e asco...
Ah! que corisco és tu... raio... penhasco!


XXXIX
Bem puderes, cruel, ter sido esquivo,
Quando eu a fé rendia ao teu engano;
Nem me ofenderas a escutar-me altivo,
Que é favor, dado a tempo, um desengano;
Porém, deixando o coração cativo
Com fazer-te a meus rogos sempre humano,
Fugiste-me, traidor, e desta sorte
Paga meu fino amor tão crua morte?


XL
Tão dura ingratidão menos sentira,
E esse fado cruel doce me fora,
Se a meu despeito triunfar não vira
Essa indigna, essa infame, essa traidora!
Por serva, por escrava, te seguira,
Se não temera de chamar senhora
A vil Paraguassu, que, sem que o creia,
Sobre ser-me inferior é néscia e feia.


XLI
Enfim, tens coração de ver-me aflita,
Flutuar moribunda entre estas ondas;
Nem o passado amor teu peito incita
A um ai somente com que aos meus respondas!
Bárbaro, se esta fé teu peito irrita,
(Disse, vendo-o fugir), ah! não te escondas
Dispara sobre mim teu cruel raio...
E indo a dizer o mais, cai num desmaio.


XLIII

Perde o lume dos olhos, pasma e trema,
Pálida a cor, o aspecto moribundo,
Com mão já sem vigor, soltando o leme,
Entre as salsas escumas desce ao fundo.
Mas na onda do mar, que irado freme,
Tornando a aparecer desde o profundo:
'Ah!  Diogo cruel!' disse com mágoa,
E, sem mais vista ser, sorveu-se n’água.


XLIII
Choraram da Bahia as ninfas belas
Que, nadando, a Moema acompanhavam;
E, vendo que sem dor navegam delas,
branca praia com furor tornavam.
Nem pode o claro herói sem pena vê-las,
Com tantas provas que de amor lhe davam;
Nem mais lhe lembra o nome de Moema,
Sem que ou amante a chore, ou grato gema.


Canto VII – O mais importante e rico vegetal


XXVI

O mais rico e importante vegetal

É a doce cana, donde o açúcar brota,

Em pouco às nossas canas comparável;

Mas nas do milho proporção se nota:

Com manobra expedita e praticável,

Espremido em moenda, o suco brota,

Que acaso a antiguidade imaginava,

Quando o néctar e ambrósia celebrava.

 


Canto VII - Vêem-se cobras terríveis, monstruosas


LVI 

Vêem-se cobras terríveis, monstruosas,

Que afugentam côa vista a gente fraca;

As jibóias, que cigem volumosas

Na cauda um touro, quando o dente o ataca;

Voa entre outras forças horrorosas,

Batendo a aguda cauda a jararaca,

Com veneno, a quem fere tão presente,

Que logo em convulsão morrer se sente.

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