Cultura

Manifestações Culturais Tradicionais

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Ciclo Natalino

O Ciclo de Manifestações Culturais Típicas Natalinas começa em novembro e vai até 06 de janeiro. São comemorações da Igreja Católica para homenagear o Menino Jesus. Nele, são realizadas a Novena de Natal e a Oração das Sete Antífonas de Nossa Senhora, que preparam os fiéis para o dia 25 de dezembro, quando, na missa do Galo, deverão lembrar o nascimento de Cristo, na Gruta de Belém. Aí, então, é lembrada, também, a visita dos pastores.


Dia 06 de janeiro, Dia de Santos Reis, comemora-se a visita dos Reis Magos – Gaspar, Baltazar e Melquior – ao Menino Jesus. Seguindo a Estrela Guia, eles chegaram à Gruta de Belém, levando significativos presentes para o Menino Deus - ouro, incenso e mirra.


Diante deste fato histórico, o povo brasileiro herdou dos portugueses inúmeras manifestações folclóricas que foram adaptadas nas diversas regiões culturais brasileiras. Vários tipos de manifestações folclóricas características de época acontecem em cada região. Devem ser observadas as peculiaridades típicas como, por exemplo:
Presépio ou Lapinha
Artesanato Típico para presentes
Culinária Típica
Árvore de Natal artesanal (influência da cultura alemã)
Simpatias do Dia de Santos Reis para se obter sorte e dinheiro
Folguedos como: Pastorinhas, Folia de Reis, Reisado, Reis de Boi com seus personagens - mulinha de ouro, boitatá, boi da manta e vaqueiros.


Folia de Reis e Reisado
São grupos de homens cuja apresentação lembra a visita dos Santos Reis Magos – Gaspar, Melchior e Balthazar – à Gruta de Belém. Este costume chegou ao Brasil no século 19 através dos portugueses. Os personagens que, normalmente, compõem um grupo de Folia de Reis são:
o mestre;
o ponteiro ou comandante, que recebe as esmolas e procura refeição e dormitório para os foliões;
os foliões;
o alferes –  bandeireiro cuja responsabilidade é defender a Bandeira de Santos Reis e entregá-la à dona da casa durante a visita, para que ela a passe em todos os cômodos, móveis e latas de mantimentos, com o objetivo de trazer fartura e afastar todos os males;
o capitão, que é o tirador dos cânticos de folia;
os três Reis Magos;
mascarados ou palhaços - para uns representam Satanás, para outros, os soldados de   Herodes. Por isso, nunca entram nas casas. No sudoeste mineiro, eles são chamados de marungos.


Os instrumentos mais comuns são: chique-chique, cavaquinho, pandeiro, tamborim, sanfona, caixa, viola, rabeca, violão, triângulo e reco-reco.Na região de Curvelo a Caetanópolis, as folias utilizam o cavaquinho para substituir a rabeca, pela dificuldade de arrumar tocadores.


Quanto à indumentária, às vezes, usam uniforme, às vezes não. Usam, então, apenas uma toalha de algodão bordada no pescoço. É o símbolo do folião e o que o identifica junto à comunidade.


Normalmente, as Folias de Reis apresentam-se a partir da noite de 24 de dezembro até o dia 05 de janeiro. Os grupos visitam casas, sítios e fazendas à noite, onde são recebidos com devoção e boa comida. O povo acredita que a folia leva as bênçãos dos céus e a fartura para suas residências. Depois da reza, da distribuição de comida pelos donos da casa e de receberem os donativos, os foliões dançam e cantam em agradecimento, e, depois, continuam suas caminhadas até ao alvorecer. Chegam a visitar até seis casas por noite, dependendo da distância.


Em cada região cultural mineira, observam-se, nos grupos de Folia de Reis, características peculiares como:

Há locais em que aparecem os reis, que são casais devotos que acolhem os foliões após a caminhada e guardam seus instrumentos e a bandeira até a noite seguinte, quando a folia reinicia sua trajetória visitando outras residências. Esses casais recebem o nome de “Reis Festeiros de Chegada”, pois acolhem a folia e seus pertences quando ela termina a trajetória daquela noite. No dia seguinte, o grupo retoma suas atividades na casa vizinha ou na própria casa onde pararam na noite anterior. O casal que financia a comida para a saída da folia é chamado de “Reis Festeiros de Saída”.  Tanto os reis de chegada quanto os de saída usam um cravo ou uma flor qualquer na lapela do paletó.


Os foliões fazem promessa para Santos Reis. O folião que participa uma vez da Folia de Reis tem, por tradição, que participar durante sete anos seguidos. Como costume, caso o folião venha a falecer, um membro da família mais próximo deve acabar de cumprir a promessa. As máscaras dos Reis Magos são de tamanha originalidade. Cada região tem seu artesão qualificado e respeitado para confeccioná-las. Usam couro de cabrito, papiê marche e outros materiais na confecção dessas máscaras. São verdadeiras obras de arte popular que merecem toda admiração.


Em cada região cultural visitada, observam-se diferentes danças de agradecimento pelo donativo e pela comida. A Catira, por exemplo, é dançada na Região Cultural do Triângulo Mineiro; o Lundu e o Carneiro são dançadas na Região Cultural Mineira Sanfranciscana.


Curioso é quando duas folias se encontram e fazem o desafio nos versos e cantorias. O grupo que perde entrega os instrumentos e donativos ao grupo vencedor.

Os donativos são juntados para a festa do dia 06 de janeiro, quando reúnem a comunidade e outras folias para comemorarem o Dia de Santos Reis.


Em várias cidades ocorrem o Encontro de Folias de Reis que, nem sempre, é no mês de janeiro, conforme se pode observar nas cidades citadas no final do texto.


No Encontro dos Grupos de Folias de Reis de Caetanópolis, destaca-se a presença de foliões da região que vai até Corinto. Ali, sobressaem-se os três Reis Magos, cujas máscaras são bastante criativas e bonitas. Os bastões que os Reis Magos portam têm um significado todo especial: as flores representam as flores do Jardim de Belém; os arcos de vergalhão com as doze tampinhas abertas que estão presas no cume do bastão representam as trombetas dos anjos e as doze tribos de Israel; e o bastão em si representa o bastão de São José. As cores usadas nas capas dos Reis Magos são: o azul, que lembra o rei de origem grega; a branca, que simboliza a paz, lembra o rei do das Índias Orientais; e o vermelho, que lembra o rei de origem africana. Eles dançam o Lundu como desafio, acompanhados da caixa, violões e viola. Tocam cavaquinhos, que substituem as rabecas. Só os homens participam e há um grande número de jovens.


De Pirapora a Januária e na região de Montes Claros, as folias têm a participação de mulheres. Não há as figuras dos Reis Magos. O chefe da folia é chamado de Imperador e o Mestre Guia sabe puxar os cânticos da folia. Usam toalhas bordadas ao longo do pescoço. Quanto aos instrumentos, a rabeca é mais comum nos grupos. Muitas casas costumam receber duas ou três folias para pouso no fim da jornada noturna. No dia seguinte, quando retomam as atividades, os proprietários e vizinhos servem comida aos integrantes, que, então, partem para uma nova jornada. Por tradição, os grupos saem revertendo a ordem de chegada no dia anterior, ou seja, quem chega por último é o que primeiro sai.


Reis de Boi
Reis de Boi é um folguedo que ocorre ao longo do mês de janeiro no Vale do São Francisco e no Vale do Jequitinhonha. O grupo é composto pelo Boi da Manta, pela Mulinha de Ouro, pelo Bicho Tamanduá, o Boitatá e os vaqueiros, que fazem brincadeiras e piruetas pelas ruas, acompanhados dos caixeiros e de um bom criador de versos. A participação de crianças e jovens neste folguedo é bastante significativa.


Há uma integração entre quem dança e quem assiste, pois o grupo, ao passar, dedica vários versinhos e brincadeiras a cada pessoa que lhe concede uma esmola.


Pastorinhas
O grupo de Pastorinhas também é um folguedo. São jovens e crianças que representam a visita dos pastores à Gruta de Belém. Eles visitam as casas levando a mensagem do Natal, dançando e cantando versos que lembram o nascimento do Menino Deus. O número de personagens que compõem o grupo varia de região para região. Mas, são comuns as fileiras de pastoras, a mestra, a cigana, a estrela, a bandeira, o anjo e outros figurantes.

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