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Pintura - Século 20

© Roberta Almeida Belo Horizonte - Obra de Maria Helena Andrés - Roberta Almeida Obra de Maria Helena Andrés

O primeiro acontecimento marcante para as artes plásticas em Minas Gerais, no século 20, foi uma exposição que a conservadora crítica mineira considerou como “bizarra”.  A belorizontina Zina Aita, patrocinada pela Sociedade Mineira de Belas Artes, expôs suas obras, em janeiro de 1920, no Conselho Deliberativo da Capital. A pintora é considerada a precursora do modernismo em Minas. Outro fato de grande importância, na mesma década, foi a visita da caravana modernista. Olívia Penteado, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Godofredo Telles, Mário de Andrade e Blaise Cendrars visitaram Minas Gerais em busca das raízes da brasilidade.


O fluminense Aníbal Mattos foi convidado pelo Presidente do Estado, Chrispim Jacques Bias Fortes, em 1917, para ser professor da Escola Normal Modelo. Na primeira metade do século, Aníbal Mattos foi fundamental para as artes mineiras. Entusiasta, com um nato espírito empreendedor, organizou a exposição de Zina Aita, que foi a primeira dos muitos eventos artísticos que realizou, na capital, na década de 20. Foi também o organizador da Escola Prática de Belas Artes, que teve uma existência efêmera, mas que foi reestruturada em 1932, passando a ter subsídio estadual. Aníbal também foi o idealizador da Sociedade Mineira de Belas Artes, que organizava as pioneiras exposições de pinturas chamadas Exposições Gerais.


Em 1936, aconteceu um evento controvertido chamado Salão Bar Brasil. O pintor Delpino Junior  era o líder do grupo que demonstrava uma clara reação à hegemonia de Aníbal no cenário das artes. O Salão foi heterogêneo, reuniu artistas acadêmicos e os que tinham uma produção de tendência modernista.


A pedido do grupo que promoveu o Salão Bar Brasil, a prefeitura encampou os salões de arte de Belo Horizonte. A capital passava a contar com dois salões: os Salões da Prefeitura e as Exposições Gerais promovidas pela Sociedade Mineira de Belas Artes. Não havia uma grave dissensão entre os dois grupos, inclusive Aníbal Mattos foi jurado dos dois salões. As cidades históricas surgem nas telas como um dos temas preferidos.


Os principais pintores do período foram: Aníbal Mattos, Ferdinando Júnior, Alberto Delpino, Joaquim Gasparino, José Peret, Genesco Murta, Renato Augusto de Lima, Honório Esteves, José Joaquim das Neves, Aurélia Rubião, Luiz Alfredo. Nas artes gráficas, sobressaíram: Érico de Paula, Monsã e Delpino Junior.


As principais exposições do período foram:


1917, set. - 1ª Exposição Geral de Belas Artes, organizada por Aníbal Mattos.

1920, jan / fev - Exposição de Zina Aita, organizada por Aníbal Mattos.

1936, set – 12ª Exposição Geral de Belas Artes, organizada Sociedade Mineira de Belas Artes.

Salão Bar Brasil.

1937, set – 1º Salão de Arte da Capital.


Durante o  período da prefeitura de Juscelino Kubitschek  os salões foram reestruturados. Em 1943, eles voltaram a acontecer, dentro da filosofia de modernizar as ações culturais.


Um fato que marcou a história das artes mineiras para sempre e foi decisivo para que Minas ingressasse definitivamente na modernidade foi a criação, em 1944, do Curso de Belas Artes por Alberto Veiga Guignard. Belo Horizonte, que vivia uma nova época com seus 240.000 habitantes, deixava de ser uma cidade administrativa para ser tornar um pólo industrial. Juscelino Kubitschek, prefeito da cidade desde 1940, já havia planejado a Pampulha que, neste período, estava em final de construção. Atento à necessidade de ampliar o panorama cultural de Belo Horizonte e do Estado, o arrojado prefeito convida o artista plástico Guignard para organizar e lecionar no Curso de Belas artes, que, em 1962 passou a se chamar Guignard. A escola funcionava em sistema de ateliê livre e funcionava em prédio da prefeitura no Parque Municipal. Por isso, ficou conhecida como “Escolinha do Parque”.


'Em 1944,Guignard chegou a Belo Horizonte convidado pelo então prefeito Juscelino Kubitscheck, para dirigir a Escola de Belas Artes.Senti o impacto de sua presença como uma renovação no panorama artístico de Minas e uma ruptura com o academismo.Procurei me inscrever em seu curso.Foi necessário um descondicionamento dos conceitos e fórmulas herdadas do academismo, para que eu pudesse ter acesso a minha própria individualidade. Meu objetivo era libertar-me do passado acadêmico e encontrar a linguagem adequada ao meu tempo. Guignard estimulava a coisa nova e a partir desse incentivo descobríamos nosso estilo individual. A convivência com os colegas e a poesia do Parque Municipal me estimulavam a criação e me despertavam novas indagações sobre a arte.' (Maria Helena Andrés)


Ainda em 1944, dois eventos são relevantes para a arte mineira. Em fevereiro, Niemeyer e Carlton Sprague-Smith realizaram conferências sobre arquitetura moderna e acontece a 1ª Exposição de Arquitetura Moderna em Belo Horizonte. Em maio, Oswald de Andrade fez a conferência “O caminho percorrido”, que abordava o movimento modernista e a 2ª Guerra Mundial.


Através de Guignard, uma nova geração de artistas surgiu em Minas Gerais: Sara Ávila, Bax, Ione Fonseca, Mario Silésio, Wilde Lacerda, Maria Helena Andrés, Mary Vieira, Amílcar de Castro.


Essa primeira “geração Guignard” participou de movimentos importantes. Sara Ávila foi um das integrantes do Grupo Austral, adepto do movimento surgido na Europa intitulado “Phases”. O grupo seguiu a vertente do neofigurativo, do surrealista e do fantástico.  Em 1964, o grupo organizou uma exposição que foi exibida em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Maria Helena Andrés, Mário Silésio e Ione Fonseca seguiram o caminho do abstracionismo.


Dando continuidade ao ensino das artes no Estado, foi criada, em 1968, a Escola de Belas Artes da UFMG.


A partir da década de 50, importantes Salões começaram a ser realizados em Belo Horizonte, os quais contribuíram para consagrar a geração de 40 e deu novas oportunidades para revelar novos talentos. Foram eles:


- Salão Municipal de Belas Artes de Belo Horizonte.

- Salão Global de Inverno.

- Salão do Artista Plástico Mineiro.

- Salão Nacional de Arte Contemporânea.

- Salão de Artes Plásticas. 

 Alguns eventos especiais foram:

1954 - Guignard e seus alunos.

1970 - Do corpo à terra - Parque Municipal.

1972 - Geração Guignard de 1943 a 1972.

1981 - Alunos de Guignard.

1994 - Guignard: 50 anos de uma escola de artes.

1996 - Consolidação da Modernidade.


Após a década de 60, o modernismo já estava plenamente consolidado em Minas. Todas as décadas seguintes revelaram novos talentos, que, hoje, compõem um quadro de alta qualidade técnica, ousadia, abrangendo estilos e técnicas variados como o figurativo, abstrato, pesquisa de materiais, instalações, desenhos, litografias, serigrafias, aquarelas, gravuras e objetos. Muitos desses artistas já participaram em diversas bienais de São Paulo e exposições internacionais, mostrando ao mundo a habilidade e capacidade criadora do artista mineiro.


A arte contemporânea mineira conta com nomes de grande expressão. Entre eles estão: Fernando Lucchesi, Marco Túlio Resende, Eymard Brandão, Carlos Wolney, Carlos Bracher, Fani Bracher, Carlos Muniz, Juçara Costa, Léo Brizola, Léo Pilo, Liliane Dardot, Hélio Faria, Isaura Pena, Mabe Bethônico, Noêmia Motta, José Alberto Nemer, Rodelnágio, Sânzio Menezes, Sema Andrade, Selma Weissmann, Terezinha Soares, Thaís Helt, Cláudia Renault, Arlindo Daibert, Mônica Sartori, Rivane Neuenschwander, Ivan Marquetti, Miguel Gontijo e Oscar Araripe.

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© Oscar Araripe Tiradentes repintado - Oscar Araripe Tiradentes repintado