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Arquitetura Religiosa - Século 20

Em todas as culturas o espaço sagrado sempre teve uma importância vital para celebrações e abrigo dos fiéis. No cristianismo, desde o momento em que se tornou religião oficial do estado, aconteceu uma notável harmonia entre arte e igreja que esteve, por séculos, comprometida com a propagação da fé cristã. Era a arquitetura atrelada às necessidades da liturgia. A Igreja sempre esteve na vanguarda da arte, apoiando movimentos inovadores como o gótico, a renascença, uma das maiores revoluções artísticas da humanidade, o barroco, o rococó, o neoclássico. Mas, nas primeiras décadas do século 20, a Igreja não conseguiu assimilar uma nova estética. Pela primeira vez, arte e Igreja estarão separadas. Submetida, ao longo tempo, ao Código de Direito Canônico, a nova linguagem trouxe questionamentos e dúvidas. A nova estética estaria dentre os cânones? Representava perigo para a tradições, para o verdadeiro e autêntico espírito da liturgia?


Na Europa, as primeiras tentativas de ruptura com o neogótico e o ecletismo começam a ocorrer na década de 20, trazendo mal-entendidos e rejeição. No Brasil, o rompimento com os dois estilos acontece na década de 40, com a construção da igreja de São Francisco de Assis, projetada por Niemeyer, no bairro da Pampulha, em Belo Horizonte, que se tornou não apenas um marco para a arquitetura moderna brasileira, mas, também, para a arquitetura mundial. Iniciava-se uma nova fase na arquitetura religiosa. A arquitetura esteve presente ao longo do desenvolvimento cultural e tecnológico da humanidade.


O Concílio do Vaticano II, aberto oficialmente no dia 11 de outubro de 1962 e encerrado em dezembro de 1965, trouxe uma grande renovação para a Igreja Católica, como mais espaço para a participação do leigo, renovação espiritual. A celebração eucarística abandona a língua "canônica" latina e passa a ser realizada nas línguas de cada localidade e o celebrante passa a celebrar os ofícios de frente para a audiência. A recomendação quanto aos templos é que evitassem todos os excessos de decoração e pompa.


Com os ares de renovação da Igreja Católica, a arquitetura moderna começa a ser melhor compreendida, chegando a sua total aceitação na década de 70, quando muitas igrejas setecentistas foram sacrificadas pela modernidade.


Hoje, a Igreja continua caminhando ao lado da arte. O Papa João Paulo II, em sua carta aos artistas de 1999, diz quanto à arquitetura: "A Igreja precisa de arquitetos, porque tem necessidade de espaços onde congregar o povo cristão e celebrar os mistérios da salvação. Depois das terríveis destruições da última guerra mundial e com o crescimento das cidades, uma nova geração de arquitetos se amalgamou com as exigências do culto cristão, confirmando a capacidade de inspiração que possui o tema religioso relativamente também aos critérios arquitetônicos do nosso tempo. De fato, não raro se construíram templos que são, simultaneamente, lugares de oração e autênticas obras de arte."


Em Minas Gerais, são bons exemplos de construções religiosas modernas:


- Igreja de São Francisco de Assis - Pampulha, Belo Horizonte - projeto Oscar Niemeyer, 1945.


- Igreja de Santa Rita - Cataguases - projeto de Edgar Magalhães do Valle, pedra fundamental lançada em 1944


- Igreja Nova das Romarias na Serra da Piedade - Caeté. Ainda em final de construção, é um templo projetado para se encaixar na montanha.


- Igreja de Santana do Pé do Morro - Ouro Branco - projeto Éolo Maia, 1982


- Capela Nossa Senhora de Lourdes - Ouro Preto - projeto Éolo Maia, 1991


Em nome da modernidade, muitas obras de gosto duvidoso têm sido realizadas, o que leva os fiéis ao saudosismo dos antigos templos e a uma avaliação crítica de muitos arquitetos. "Hoje para não fazerem referências a imagens, estão construindo uma arquitetura bancária, normal. Isto tira a espiritualidade". Flávio Carsalade

 

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© Sérgio Freitas Belo Horizonte - Igreja São Francisco de Assis - Pampulha - Sérgio Freitas Igreja São Francisco de Assis - Pampulha
© Sérgio Freitas Belo Horizonte - Igreja São Francisco de Assis - Sérgio Freitas Igreja São Francisco de Assis
© Sérgio Freitas Belo Horizonte - Igreja de São Francisco de Assis ( Pampulha ) - Sérgio Freitas Igreja de São Francisco de Assis ( Pampulha )
© Sérgio Freitas Belo Horizonte - Igreja de São Francisco de Assis ( Pampulha ) - Sérgio Freitas Igreja de São Francisco de Assis ( Pampulha )
© Sérgio Freitas Belo Horizonte - Interior da Igreja de São Francisco de Assis ( Pampulha ) - Sérgio Freitas Interior da Igreja de São Francisco de Assis ( Pampulha )