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Arquitetura Civil - Século 19

Em 1808, a família real portuguesa se instala no Rio de Janeiro fugindo das invasões napoleônicas, o que acaba por motivar, em 1815, a elevação do Brasil à categoria de Reino Unido a Portugal e Algarves.


A vinda de artistas franceses, fato que se denominou 'Missão Artística Francesa', estava entre as medidas inovadoras de D.João VI para com a 'colônia-reino'. A chegada dos novos artistas traz novos ares culturais para o Brasil e faz com que toda a produção e artistas da colônia passem a ser menosprezados. Assim, a estética neoclássica vai sendo imposta pela Coroa Portuguesa, recebendo, em seguida, inclusive o aval do Império.


A arquitetura civil no Brasil é dominada, então, pelo neoclássico já na primeira metade do século 19 e pelo ecletismo na Segunda. Foi o arquiteto Jean de Montigny quem introduziu oficialmente a arquitetura neoclássica no país, mas as primeiras experiências nesse estilo já haviam acontecido através de Antônio José Landi. Cinqüenta anos antes da chegada do arquiteto francês, este arquiteto italiano, em plena sintonia com o que se passava na Europa, já havia projetado obras em estilo neoclássico na distante Capitania do Grão-Pará.


Os projetos de Montigny eram carregados de um classicismo rigoroso, purista e de linhas severas, que podem ser notados na Casa França Brasil, antiga Praça do Comércio, no pórtico da Escola de Belas Artes e na Chácara da Gávea, hoje, de propriedade da PUC/RJ. O estilo Montigny deixou influências profundas em seus alunos e em outros arquitetos. 'O apuro nas proporções é que valoriza essa grande fase do Neoclassicismo rigoroso no Brasil, fácil de ser observado no jogo dos grandes planos e superfícies retangulares.' ( Walter Zanini)


O Neoclássico
Em Minas Gerais, o neoclássico não teve campo para se desenvolver, ficando restrito praticamente à arquitetura civil. A fachada da antiga Casa de Câmara e Cadeia, em Ouro Preto, hoje Museu da Inconfidência, é o primeiro projeto arquitetônico onde se pode sentir as linhas neoclássicas. São raras as obras em que se pode observar uma pura estrutura neoclássica. O estilo, aqui, deixou leves marcas em casas, fazendas, prédios públicos e igrejas, nos quais é possível sentir um gosto pelas formas neoclássicas através de janelas de arco pleno, frontões triangulares e colunas de ordens gregas. Construções que podem ser citadas como exemplos são: o Espaço Mascarenhas e o Museu Mariano Procópio, em Juiz de Fora; a Prefeitura Municipal de Lima Duarte; o Museu Municipal de Tombos; e a fachada da Matriz de Nossa Senhora do Pilar, em Nova Lima.


'Sendo o neoclássico um estilo definido no tempo e no formalismo, é pena que a designação seja tão errônea e comumente aplicada em trabalhos escritos em nosso país, usando-se àquela classificação para edifícios ecléticos no final do século 19 e já 'acadêmicos' do século 20, que não merecem e nem podem ser considerados como neoclássicos, dentro da periodização e da tipologia dos estilos na arte ocidental. ' (Walter Zanini)


O Ecletismo
No final do século 19, uma nova estética arquitetônica começa a se impor na Europa - o Ecletismo. Este estilo foi prontamente adotado pela burguesia, já que bem atendia aos seus desejos e necessidades - modernidade, progresso, conforto, melhoria no padrão de vida. Graças às exigências da classe burguesa, a arquitetura residencial evoluiu na parte técnica com a planta, e principalmente as instalações sanitárias recebem tratamentos inovadores. Os equipamentos e serviços urbanos como hotéis de maior porte, grandes lojas, escritórios, bolsas de valores, bancos, teatros, sedes de governos, repartições públicas foram construções privilegiadas pelo novo estilo, que se tornou um grande modismo. A arquitetura passava a ser, naquele momento, um instrumento de demonstração de poder de uma classe social.


Para atender a tantas aspirações e exigências para a satisfação das necessidades da classe burguesa, o ecletismo adotou os mais variados elementos decorativos, sem preconceitos de épocas e de culturas. Os mais variados estilemas foram utilizados: florões, ordens gregas, cariátides, talantes, máscaras, folhas de acanto, cartelas, rosáceas e capitéis variadíssimos, chegando a insólitas combinações.


O pau-a-pique é substituído pelo tijolo cozido, as telhas coloniais pelas francesas, o beiral pelas platibandas decoradas comumente com balaustradas, esculturas ou 'compoteiras'. A revolução industrial proporcionou grandes avanços à arquitetura. Novas tecnologias eram colocadas à disposição de construtores e arquitetos. As peças metálicas usadas na estrutura e no acabamento são de grande importância e, assim, começava a união entre indústria e arte. As peças metálicas podem ser observadas em gradis, sacadas, etc.


O ecletismo está presente em inúmeras construções por todo o Estado de Minas Gerais. Compreende o período que vai do final da década de 80 do século 19 à década de 40 do século 20. O estilo coincide com a revigoração econômica do Estado no final do século 19. Minas estava inserida na atividade cafeeira exportadora. A pecuária ganha um espaço importante. Fábricas de pequeno e médio porte são instaladas como tecelagens, laticínios, cerâmica e metalurgia. A expansão das ferrovias contribui para o desenvolvimento de muitas cidades. Muitos distritos são elevados à cidade e surgem novas localidades. A economia, estagnada há varias décadas, volta a crescer. Várias cidades já nascem com a marca do ecletismo. O melhor exemplo foi a construção da nova capital do Estado, Belo Horizonte, que acabou se tornando uma grande referência arquitetônica para todo o Estado.


O crescimento do Estado não se dá de forma ordenada. São ilhas de desenvolvimento. As cidades que possuem estações ferroviárias recebem as novidades mais rapidamente. Além das novidades que chegam através dos trilhos, chegam também os imigrantes. Estes exerceram uma grande influência no sistema construtivo e decorativo. No século 19, o construtor italiano substituiu o português Os italianos também dominaram a mão-de-obra na área decorativa e foram, por exemplo, mestres na técnica do estuque que era de grande importância para o ecletismo.


O ecletismo se tornou, assim, um estilo muito popular e sua presença é marcante no cenário urbano mineiro. A arquitetura mineira do final do século 19 e princípio do 20, foi, sem dúvida alguma, eclética em todas as regiões do Estado, seja nas construções civis, religiosas, públicas, ou particulares.


Partido da observação das construções, pode-se identificar quatro momentos.


Ecletismo moderado
Este primeiro momento vai da década de 80 do século 19 ao final da década de 10 do século 20. Caracteriza-se por um ecletismo de linhas suaves, mas ainda preso ao gosto neoclássico. E nem se nota o abuso de estilemas. Alguns bons exemplos são:


- Loja Maçônica - Barbacena - 1897
- Escola Torquato de Almeida - Pará de Minas - 1914
- Armazéns de Café - Manhuaçu
- Escola Estadual Estevão Pinto - Mar de Espanha - 1909
- Prédio da Companhia Cataguases-Leopoldina - São João Nepomuceno 1908
- Museu Municipal - Tombos
- Câmara Municipal - Bom Sucesso - 1891
- Casa de Elói Mendes - Elói Mendes - 1882
- Prédio Prefeitura - Muzambinho - 1909
- Casa de Delfim Moreira - Santa Rita do Sapucaí - Final do século 19
- Museu Chácara Dona Catarina - Final do século 19- Cataguases
- Centro Odontológico Municipal - Carmo do Paraíba -1910


As estações ferroviárias

Um caso à parte na arquitetura do século 19 foram as estações ferroviárias, que tiveram suas construções influenciadas pela arquitetura inglesa. As singelas estações são formas simplificadas e adaptadas das estações ferroviárias inglesas, já que o transporte ferroviário brasileiro no século 19 estava nas mãos das companhias inglesas.


Essas estações se caracterizam pela planta baixa retangular sem divisões, telhado de duas águas que termina em uma marquesa, ou seja um alpendre sustentado por mãos francesas, comuns na arquitetura das estações ferroviárias. É comum os telhados terem lambrequins feitos em metal como acabamento. As mãos francesas para sustentação das marquesas nas estações mais importantes eram belos trabalhos importados.


A mais bonita estação ferroviária de Minas é a de São João del-Rei. Inaugurada em 28 de agosto de 1881, ela possui um belíssimo acabamento trabalhado em ferro. Infelizmente, a maioria das estações mineiras do século 19 está abandonada. Alguns municípios, sensíveis à preservação desse patrimônio tão querido para a memória do Estado, têm transformado essas estações em centros culturais ou secretarias municipais. São exemplos:

- Rio Acima, que transformou sua estação em Secretaria Municipal de Cultura;

- Santo Antônio do Monte, cuja estação hoje abriga a Secretaria de Fomento do Desenvolvimento e Meio Ambiente.

 

 

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© Sérgio Freitas Tiradentes - Estação Ferroviária - Sérgio Freitas Estação Ferroviária
© Maria Lucia Dornas Belo Horizonte - Palácio da Liberdade - Maria Lucia Dornas Palácio da Liberdade