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Sob uma ótica mais atenta, as primeiras manifestações culturais de Minas Gerais estão nas paredes de suas cavernas e nas cerâmicas decoradas encontradas em seus sítios arqueológicos. Pinturas rupestres datadas de cerca de 10 mil anos de idade, por exemplo, estão em centenas de cavernas e abrigos nas regiões de Lagoa Santa, Serra do Cipó, Vale do Peruaçu, Cocais e outras localidades.


Mas, ao longo de sua história, Minas se revelou um estado profícuo em manifestações artísticas. Já nos primeiros anos de povoamento das principais áreas de mineração foram erguidas as primeiras construções religiosas, demonstrando apuro e qualidade. Hoje, infelizmente, essas construções são raras. As que nos restam são testemunhos valiosos de um processo de desenvolvimento artístico que nunca mais foi interrompido. Aqui, fala-se de uma arte cristã ocidental, herança dos nossos colonizadores.


As áreas de mineração que obtiveram sucesso, acabaram desenvolvendo um grande número de construções e obras: residências, edifícios públicos, pontes, chafarizes, pinturas, esculturas e templos religiosos, esses, sem nenhuma dúvida, o grande destaque. A estrutura urbana gerada pela atividade mineradora foi um forte fator motivacional para o desenvolvimento das diversas manifestações artísticas que hoje denominamos de ARTE COLONIAL MINEIRA.


A decoração dos templos na primeira metade do século 18 foi marcada pelo estilo barroco, e, a segunda, pelo rococó. Nos primeiros tempos, as obras eram executadas por artistas portugueses que vieram para a Capitania de Minas atraídos pela grande quantidade de construções que a mineração então financiava. Mas, na segunda metade do século, surge a primeira geração de artistas mineiros, os primeiros filhos da terra que, cheios de talento, nos deixaram obras admiráveis. Foram eles: Antônio Francisco Lisboa, o  Aleijadinho; Manoel da Costa Ataíde, o Mestre Ataide; João Nepomuceno Correia e Castro; Joaquim Gonçalves da Rocha; José Gervásio de Souza; Manuel Vitor de Jesus e muitos outros que permanecem no anonimato por falta de documentação que lhes ateste a autoria.


Na Capitania de Minas, as artes plásticas não foram as únicas que se desenvolveram. A música e literatura também foram de grande expressividade. A literatura foi o primeiro gênero a ter reconhecimento nacional.  O movimento que ficou conhecido como Arcádia Mineira era formando por um grupo de poetas que também tiveram participação na Inconfidência Mineira e se sobressaíram na literatura brasileira no período colonial. Algumas obras tornaram-se clássicos da nossa literatura, como “Marília de Dirceu”, a grande obra de Antônio Tomas Gonzaga, e o épico “Vila Rica”, de Cláudio Manuel da Costa. Outros autores importantes foram Alvarenga Peixoto, Silva Alvarenga, José Basílio da Gama, Frei Santa Rita Durão e Francisco de Melo Franco. Já a música mineira, no período colonial, infelizmente pouco conhecida do grande público e necessitando ainda de muita pesquisa e divulgação, teve excelentes compositores e uma produção muito maior do que se pode imaginar. José Emérico Lobo de Mesquita, nascido na Vila do Príncipe do Serro Frio, ativo em Diamantina e Rio de Janeiro, é considerado o maior de todos.


Nossas antigas vilas do ouro, hoje conhecidas como Cidades Históricas, possuem um extraordinário acervo que pode ser contemplado e ou pesquisado através de visitas aos museus, às capelas e igrejas erguidas pelas irmandades leigas e Ordens Terceiras, e também através de  um bom passeio à pé pelas ruas de uma cidade histórica, quando se pode apreciar todo o casario colonial.


Mais tarde, o ouro se esgotou. A rica região tornou-se tão pobre que muitos a abandonaram e foram em busca sustento em outras terras. Não havia mais dinheiro para erguer graciosas capelas, nem para pintar anjinhos de cabelos encaracolados sorrindo marotos para os fiéis do alto de um forro. Não havia mais fachadas para a pedra sabão, em forma de Madona, decorar. Uma obra arrebatadora encerrou este período tão decisivo para a cultura mineira: a do mestre Antônio Francisco Lisboa no Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas - o grande exemplo do gênio do artista. São 64 figuras em cedro mostrando a paixão de Cristo e os 12 profetas excepcionalmente trabalhados em pedra sabão. Encerra-se, assim, na Capitania das Minas, o período da Arte Colonial Mineira.


O SÉCULO 19
O século 19 não foi de grandes nomes ou de grande expressividade para a Província que ainda buscava sua nova posição econômica. As artes tiveram um papel discreto, principalmente as artes plásticas. A literatura foi a atividade que melhor se expressou e os destaques foram: Bernardo Guimarães, Júlio Ribeiro, Joaquim Felício dos Santos e Augusto de Lima.


A arquitetura religiosa foi fortemente marcada pela adoção do estilo neogótico, que substituiu, então, as construções coloniais. Nenhum nome se destacou. As imagens sacras e os vitrais eram importados principalmente da França. Não houve, naquele momento, espaço para o artista mineiro.  No final do século 19, o ecletismo se tornou o estilo dominante. O grande exemplo foi a construção de Belo Horizonte, iniciada em 1894. Estrangeiros e brasileiros foram responsáveis por projetos e ornamentações, mas não havia mineiros na equipe.


SÉCULO 20
O século 20 começou apático nas artes, mas seria por muito pouco tempo, pois Minas Gerais foi  pródiga em intelectuais, escritores e artistas plásticos. O destaque, ao iniciar o século, é para o poeta simbolista Alphonsus de Guimaraens, autor de Kyriale, Dona Mística e outros.  A partir da década de 20, há um revigoramento cultural que se inicia com uma exposição modernista da artista plástica belorizontina, Zina Aita, em 1920. Dois anos depois, Zina participou da Semana de 1922, em São Paulo. As publicações jornalísticas que traziam poesias dos modernistas chegaram a irritar os conservadores mineiros.


No cinema nacional, Humberto Mauro foi o grande precursor. Em 1925, lançava seu primeiro filme: Valadião, o Cratera. Depois, viriam grandes sucessos: Na Primavera da Vida, Ganga Bruta, Braza Dormida e Symphonia de Cataguases.


Em 1928, Carlos Drummond de Andrade escandalizou os leitores brasileiros com o poema No meio do Caminho, publicado na Revista Antropofágica. De  Minas para o Brasil, um dos maiores poetas nacionais de todos os tempos.


Em 1936, o artista Genesco Murta organizou a primeira exposição coletiva de arte moderna, em Belo Horizonte. Aníbal Mattos agitava o ambiente cultural na capital, organizando exposições. Fundou a Sociedade Mineira de Belas Artes e dirigiu a Escola de Belas Artes de Minas Gerais.


A década de 30 foi a era da informação. Entraram em operação as emissoras de rádio: Mineira (1931), Guarani (1936) e Inconfidência (1936). Novos jornais começaram a circular: Diário do Comércio (1932), a Folha de Minas (1934), o Diário (1935) e a Revista Alterosa (1938). Esses jornais inauguravam um novo tipo de imprensa, com informações objetivas e uma  linguagem mais ágil.


Foi também  na  década de 30 a revelação do grande  escritor  João Guimarães Rosa, que ganhou o  prêmio  de poesia da Academia Brasileira de Letras pela coletânea  de poemas Magma. “Vivo no infinito; o momento não conta. Vou lhe revelar um segredo: creio já ter vivido uma vez. Nesta vida também fui brasileiro e me chamava João Guimarães Rosa.” Começa, então, a fabulosa carreira de escritor que revelaria ao mundo o sertão, o universo e a alma mineira. ”Minas está presente nessa obra, que exprime sua terra e sua gente, seu modo de ver e ser. Feliz a região que tem artista que a traduza com tal profundidade”. (Iglésias, Francisco).


A primeira Exposição de Arte Moderna de Minas Gerais, reunindo Anita Malfati, Tarsila do Amaral,  Alfredo Volpi, Portinari, Di Cavalcanti e Lasar Segall, foi apresentada em Belo Horizonte no ano de 1944. Nesse mesmo ano, o prefeito Juscelino Kubitschek assinava um decreto criando o Curso de Belas Artes, organizado e desenvolvido por Alberto da Veiga Guignard que formou uma importantíssima geração de artistas plásticos como: Amílcar de Castro, Chanina, Maria Helena Andrés, Bax, Sara Ávila, Yara Tupinambá, Wilde Lacerda.


Na literatura, as décadas de 40 e 50 projetaram: Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende, Helio Pellegrino, Autran Dourado, Murilo Rubião, Silviano Santiago, Afonso Ávila, Lúcia Machado de Almeida.


Em 1955, uma  espetacular  inovação chega a Minas, a televisão!  A partir de então, ela faria parte da vida dos mineiros. Inaugura-se a TV Itacolomi - o terceiro canal de televisão do Brasil - com um elenco de atores mineiros.Época de grandes mudanças no cenário político brasileiro, a década de 60 revelou o Clube da Esquina com Milton Nascimento, Fernando Brant, Lô e Márcio Borges, Beto Guedes, Toninho Horta. Na literatura, era a vez de Roberto Drummond, Olavo Romano e Oswaldo França Junior revelarem todo seu potencial. O Festival de Inverno de Ouro Preto foi a grande concepção da UFMG para inovar o panorama cultural mineiro em 1967. E o Brasil se deleitava com o humor ferino das charges do Henfil, que criticava ferozmente a ditadura militar.


As últimas décadas foram marcadas pelo surgimento de grupos como: Uakti, um marco na música instrumental brasileira, Skank, Pato Fu, Virna Lisi e o internacional Sepultura.


Nas artes plásticas têm que ser citados os nomes de Marcos Benjamim, Fernando Lucchesi, Marco Túlio Resende, Ana Horta, Mônica Sartori e Carlos Bracher, que já representaram Minas na Bienal de São Paulo. Éolo Maia, Sylvio Podestá e Gustavo Penna dominam o cenário na área da arquitetura, com o que há de melhor na arquitetura de vanguarda.


Festivais de música, dança, teatro e outras modalidades são constantemente organizados em todo o Estado, divulgando a cultura mineira e promovendo novas produções, novos talentos. Belo Horizonte, por exemplo, vem se revelando um interessante centro cultural através de uma diversificada produção artística. Grupos de expressão com premiação em festivais internacionais - como o Corpo (dança), Galpão (teatro), Giramundo (teatro de bonecos) e Coral Ars Nova, dentre outros -, proporcionam uma efervescência nas artes cênicas e colocam a capital mineira numa posição privilegiada na produção de espetáculos. Um evento cultural de destaque é o Festival Internacional de Teatro de Rua e Palco – FIT, realizado anualmente em Belo Horizonte.

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© Maria Lucia Dornas Diamantina - Painel da série "7 vezes Chica" Marcial Ávila - Maria Lucia Dornas Painel da série "7 vezes Chica" Marcial Ávila
© Henry Yu Ouro Preto - São Francisco de Paula- Aleijadinho - Henry Yu São Francisco de Paula- Aleijadinho
© Henry Yu Santa Bárbara - Matriz de S. Antônio - Pintura Mestre Ataíde - Henry Yu Matriz de S. Antônio - Pintura Mestre Ataíde
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© Sérgio Freitas Tiradentes - Imagem de Sant´Ana Mestra - Matriz de Santo Antônio - Sérgio Freitas Imagem de Sant´Ana Mestra - Matriz de Santo Antônio
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© Henry Yu Sabará - Detalhe Arco-cruzeiro Igreja N.S.do Ó - Henry Yu Detalhe Arco-cruzeiro Igreja N.S.do Ó
© Alexandre C. Mota Congonhas - Pôr do sol com profetas de Aleijadinho - Alexandre C. Mota Pôr do sol com profetas de Aleijadinho
© Alexandre C. Mota Congonhas - Profeta de Aleijadinho - Alexandre C. Mota Profeta de Aleijadinho
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© Roberta Almeida Belo Horizonte - Maria Helena Andrés - Tapeçaria - Roberta Almeida Maria Helena Andrés - Tapeçaria
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