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Sylvia Klein - Outubro 2016

  • Cantora lírica Sylvia Klein - Arquivo Pessoal/Sylvia Klein
  • Caffeine Trio: Carolina Rennó, Sylvia Klein e Renata Vanucci - Arquivo Pessoal/Sylvia Klein
  • Caffeíne Trio em Belo Horizonte - Samuel Macedo
  • Apresentação Sylvia Klein e Wagner Sander - Arquivo Pessoal/Sylvia Klein



Em outubro, o Descubraminas bate um papo com a cantora lírica mais famosa de Minas Gerais. Com repertório notável, a premiada artista domina gêneros e estilos variados e fala sobre sua carreira entre Belo Horizonte e Berlim.


“A cultura mineira está inserida em mim porque nasci aqui e tudo o que interpreto leva essa assinatura: Minas Gerais!”


Por Roberta Almeida

Descubraminas - Você nasceu em Coronel Fabriciano e passou parte da sua juventude em João Monlevade. Como foi sua infância e adolescência no interior mineiro? Quando e como foi seu primeiro contato com o canto lírico?

Sylvia Klein - A infância foi simples, brincando muito nas árvores do quintal com a imaginação borbulhando e a vida cheia de invencionices. Chegando à adolescência, segui o mesmo caminho, cheia de muita curiosidade e inquietude.

Meu primeiro contato com o canto, além das muitas apresentações na infância, na escola, como coroação de Nossa Senhora, foi quando entrei para o Coral Monlevade, aos 13 anos, em João Monlevade, onde eu morava, regido pelo meu primeiro mestre Luciano Mendes Lima.


DM - Em ‘La Serva Padrona’ (1998), você ficou nacionalmente conhecida ao dar vida à criada Serpina. Como foi participar do primeiro filme de ópera brasileiro?

SK - Na época, eu realmente não entendi a dimensão desse desdobramento. Era mais uma ópera fantástica, mas virava o primeiro e único, até então, filme de ópera do Brasil!

Foi incrível participar dessa ópera tão linda e lúdica, com cenários, figurinos e objetos de cena maravilhosamente criados e construídos. O figurino foi criado por Wanda Sgarbi e foi todo arrematado com fios de cobre, tingidos a mão...

Usei uma tiara de ouro que era da diretora Carla Camurati, o cenário criado por Renato Theobaldo era absolutamente encantador e muitos dos objetos de cena pesquisados e feitos por Celestino foram inspirados em livros que retratavam como seriam as cozinhas renascentistas. Enfim, hoje tenho consciência que participei de uma obra-prima!


DM - Cantora de gêneros e estilos variados, você sempre se destacou pelas participações em concertos e produções de cantatas, missas e oratórios. De que maneira a cultura mineira interfere em seu trabalho?

SK - A cultura mineira está inserida em mim porque nasci aqui e tudo o que interpreto leva essa assinatura: Minas Gerais!


DM - Em belos recitais, você e o pianista Wagner Sander divulgam, principalmente, a música brasileira. Como funciona essa mistura de estilos clássicos e populares?

SK -
Na realidade, temos em nossa história vários concertos que fazem parte de nosso vastíssimo repertório e que, de vez em quando, os trazemos à tona. Fizemos um que se chamava ‘Música Erudita Brasileira’ em que apresentávamos compositores brasileiros ainda não muito conhecidos pelo grande público, como Lorenzo Fernandes, Waldemar Henrique, Cláudio Santoro, Ronaldo Miranda e o muito conhecido Villa Lobos.

Um outro de nossos concertos temáticos é de sambas, que virou o CD ‘Samba de Casaca’. Nossa versão mais lírica de sambas que foram rearranjados especialmente para o piano de Wagner Sander e para minha voz por Antonio Celso, um excelente compositor mineiro, amigo nosso.

Então o que posso dizer é que não misturamos muito, não. Os concertos são sempre temáticos! Temos outros, por exemplo, que são: Canções Francesas do Pós Guerra, outro de Lieder alemão, outro de Árias de Ópera e o último que apresentamos foi o Canção do Submundo com canções do Cabaret Alemão feitas por Kurt Weill e Berthold Brecht.


DM - Radicada em Berlim, quais projetos você desenvolve na Alemanha?

SK -
Na Alemanha, eu faço mais concertos, principalmente de música brasileira, onde canto esses compositores dos quais falei acima, ainda desconhecidos do grande público brasileiro, quiçá do estrangeiro (Lorenzo Fernandes, Claudio Santoro, Waldemar Henrique, Ronaldo Miranda e o grande Villa Lobos). Canto em concertos e participo de performances multimídia com músicos inquietos como eu, onde misturamos várias linguagens artísticas!


DM - Formado por você, Renata Vanucci e Carolina Rennó, o Caffeine Trio reúne a diversidade de ritmos musicais e novas leituras de sucessos nacionais e internacionais, além de investir em um figurino com forte apelo estético. De onde veio a ideia de montar o grupo?

SK - Eu sempre gostei e ouvi muito a música dos trios norte-americanos que surgiram nos anos 30. Gostava muito do canto em close harmony, que é o estilo de compor com uma harmonia bem fechada e esses trios femininos faziam de uma maneira que eu ficava absolutamente feliz em ouvir. Fiquei muito tempo remoendo essa ideia de montar um trio que cantava nesse formato.

Em 2008, chamei uma amiga cantora que estudava com meu marido e começamos a ouvir várias cantoras. Optei pela Renata Vanucci e daí começamos primeiramente a estudar canções que foram cantadas pelas Andrew Sisters que é um desses trios que eu adoro e pela Carmem Miranda.

Depois vieram arranjos novos feitos para o Caffeine Trio por um amigo músico e arranjador, o Avelar Júnior. No mesmo ano, eu me mudei para Berlin e, em 2012, retomamos, depois de um convite de um amigo para nos apresentarmos no festival I Love Jazz aqui em BH já com outra cantora no Caffeine Trio, a Carô Rennó. O trio segue de vento em popa...


DM - De Marku Ribas a Beatles, o trio lança, ainda esse ano, seu primeiro CD e o DVD deve chegar ao mercado em 2017. Qual a expectativa para o registro efetivo desse trabalho?

SK -
As melhores possíveis. Tanto um quanto outro estão lindos. Aguardem!!!



Papo de Mineiro

DM - Quem é ou foi verdadeiramente mineiro?
SK -
Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade e Adélia Prado.

DM - Aquela música que tem a alma de Minas?
SK -
A música do Clube da Esquina.

DM - Adoro um bom prato de...
SK -
Arroz com feijão.

DM - Para quem visita Minas, o que você diz ser imperdível?
SK -
Ouro Preto e Tiradentes.

DM - Em uma viagem, o que você sempre leva na bagagem para presentear?
SK -
Doce de leite e goiabada.

DM - Qual artista melhor representa Minas Gerais?
SK -
Ary Barroso.

DM - A paisagem que te inspira...
SK -
Do alto das montanhas de Minas.

DM - Atlético, Cruzeiro ou América?
SK -
Nenhum.


DM - Fim de semana na cidade grande ou na roça?
SK -
Roça com cachoeira para nadar.

DM - Quando estou fora morro de saudades de...
SK -
Minha família.

DM - Minas Gerais é...
SK -
Encantadora.

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