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Henrique Portugal - Setembro 2016

  • Henrique Portugal, tecladista do Skank, conversa com o Descubraminas - Weber Pádua
  • Henrique Portugal é tecladista da banda mineira Skank - Weber Pádua


Em setembro, o Descubraminas bate um papo com Henrique Portugal, tecladista do Skank. O músico mineiro fala sobre as fases da banda, hits inesquecíveis e muito mais... Confira!


“Acho que todo ser humano tem que ter o seu lugar, a sua casa. No meu caso, a minha casa é Belo Horizonte.”


Por Roberta Almeida

Descubraminas - Como foi sua infância e adolescência em Belo Horizonte? Quando descobriu que tinha uma veia musical?

Henrique Portugal -
Veia musical é de família, meu pai toca, tenho tia formada em piano e tia formada em violino... Comecei a tocar com 5 anos de idade. Cresci em Santa Tereza, bairro que sempre promoveu eventos culturais, serestas na praça e festivais e, na adolescência, passamos por essa fase de montar banda.

Eu acho que a música deve passar por sua vida, assim como jogar bola na rua, pegar um violão para tocar sem compromisso, tudo acontecendo de uma forma natural.


DM - O Skank (Samuel Rosa - guitarra e voz, Henrique Portugal - teclados, Lelo Zaneti - baixo e Haroldo Ferretti - bateria) nasceu em 1991 e logo atravessou as montanhas de Minas para ganhar o Brasil. Quais são as principais lembranças desse início de carreira?

HP -
Às vezes, as pessoas não têm muita noção do que acontece antes da coisa aparecer estruturada e formatada, o que é um pensamento normal, devido ao dia a dia de cada um. Nesse começo, eu já tinha trabalhado com o Samuel em outra banda. O Skank a gente já começou de uma forma muito bem pensada.

Já tínhamos a ideia de que queríamos montar a banda para gravar o disco, para tocar em Belo Horizonte ou no interior de Minas e seguimos em frente, observando, a partir dali, o que íamos conseguir. Então, nesse momento da criação da banda, já tínhamos uma coisa mais centrada e organizada, diferentemente de quando você monta uma banda na adolescência, que a ideia é mais brincar, tocar na noite e se divertir.

Lembro de que nessa época a música pop não era tão relevante, pois o sertanejo de Zezé Di Camargo e Luciano, Leandro e Leonardo, entre outros, liderava as paradas de sucesso. Depois a maré virou, fomos contratados pela Sony, o mercado brasileiro de música foi mudando também e as coisas começaram a acontecer.

Fato é que quando a gente tem alguma aptidão e gosta de determinado segmento, mesmo que esse segmento não esteja na moda ou no ápice, o importante é acreditar no sonho, se organizar e se estruturar, fazendo da melhor maneira possível a sua parte.


DM - Em 1994, vocês lançaram o emblemático “Calango” - nome que homenageia um tradicional ritmo mineiro - e músicas como “Jackie Tequila”, “Pacato Cidadão” e “Te Ver” tornaram-se verdadeiros hits. O que esse trabalho significou para o grupo?

HP -
Significou o reconhecimento nacional, pois com o primeiro álbum, que tem “In(Dig)Nação”, “Let Me Try Again” e “Tanto (I Want You)”, ficamos conhecidos em Minas Gerais. Já o “Calango”, foi um álbum reconhecido no Brasil todo.

Assim, começamos a rodar todo o País, de Norte a Sul, mais músicas apareceram em novelas. Foi o álbum que deixou praticamente seis músicas tocando a todo instante nas rádios de todo país.


DM - Já no começo dos anos 2000, “Vou Deixar” foi o ringtone com o maior número de downloads no país e no lançamento do disco “Carrossel” todo o conteúdo do álbum foi disponibilizado em um aparelho de telefone celular. Quais as vantagens dessa adaptação aos novos formatos de comercialização do mercado fonográfico?

HP -
A percepção das coisas e das pessoas vai mudando com as gerações. Hoje em dia, a internet mudou muito a forma como as pessoas escutam a música. Antes, a gente só escutava música em casa, no rádio ou em shows. Com as novas plataformas, como o celular, você escuta música em qualquer lugar, tem acesso a todas as músicas que você gosta instantaneamente.

Essa mudança na forma como as pessoas escutam as músicas faz com que os artistas saibam um pouco disso para entenderem como a música deles está sendo recebida. Nós, inclusive, tivemos muito mais coisas depois disso. Então é importante que o artista não simplesmente faça a sua música, mas perceba como a sua música está sendo consumida.

Não basta apenas aprender, tem que ver como o mundo está mudando perante aquela informação ou aquela formação que você está adquirindo. Atualmente, eu falo que não gasto mais tempo convencendo as pessoas, eu gasto tempo tentando entender como as pessoas estão escutando a nossa música e em quais momentos: se é correndo, se é dentro de casa, no carro ou se elas estão querendo mais shows.


DM - Este ano, “Garota Nacional” completa 20 anos. Você tem algum apego ou orgulho de canções que marcaram a trajetória do grupo? Existe aquela que você mais gosta de tocar?

HP -
Pedir para escolher qual música a gente mais gosta de tocar é a mesma coisa de perguntar qual filho a gente acha mais bonito. (Risos) Todas têm a sua história, o seu momento, a sua importância, algumas ficaram mais conhecidas, outras têm uma mensagem mais pessoal.

“Garota Nacional” é nosso hit internacional. Tenho um amigo que mora no Chile e ele disse que lá todo mundo que está chegando aos seus 40 anos conhece “Garota Nacional”. Então todas têm sua importância, mas “Vou deixar” foi uma música muito legal de tocar.

Para mim, especialmente, a música “Esquecimento” tem um significado muito forte e “É Proibido Fumar” é bem importante também, pois foi a primeira música que começou a mostrar ao Brasil quem era o Skank.


DM - A turnê “Velocia” está a todo vapor e vocês acabaram de se apresentar nos Estados Unidos. De que forma os fãs internacionais recebem a banda?

HP -
Nos Estados Unidos acontece uma coisa meio à parte porque lá tem muito brasileiro, especialmente mineiros, então nos três shows que fizemos lá tinha gente com a camisa do Cruzeiro na plateia.

Recentemente, também tivemos uma apresentação em Assunção, no Paraguai, e todo mundo foi muito legal. Impressionante como os paraguaios conhecem o repertório do Skank. A América Latina, de uma forma geral, conhece a música brasileira e nos recebe muito bem. Nós é que não conhecemos as músicas deles.


DM - Qual é o maior desafio para continuar a desenvolver trabalhos que preservam a fidelidade do público?

HP -
O que eu vejo é que a gente sempre procura se manter ativo e apresentando novidades, mas a novidade não pode ser uma coisa que vá contra nossos princípios simplesmente para apresentar uma novidade; é importante que faça sentido.

Somos uma banda que tem mais de 20 anos de estrada, existe uma geração que amadureceu junto com a gente e os filhos dessas pessoas que já estão indo aos nossos shows. Então é importante mostrar que a gente continua atual, mas entendendo que não temos mais 20 anos.

Quer dizer, continuamos conversando com a juventude, mas de uma forma diferente, observando, por exemplo, quais inovações tecnológicas servem pra gente, quais meios o nosso público está utilizando para nos ouvir e acho que essa sabedoria você só adquire com o tempo.


DM - Por várias cidades mineiras, o Skank se apresentou e passou por inúmeras fases, experimentando, inclusive, gêneros diferenciados, sem nunca perder a mineiridade. Como é representar Minas Gerais com o trabalho que desenvolvem?

HP -
Eu acho que o mineiro tem algumas características que são assinatura. Tem aquela história de que as montanhas nos protegem e de que a gente é mais introspectivo, não é barulhento, mas acho que a gente tem que perder isso um pouco. O mineiro tem que aprender a falar mais, a mostrar mais o que ele sabe fazer.

Eu participo de um projeto nas áreas de cultura e entretenimento e a gente sempre discute como pode revolucionar ou atualizar essas áreas. A primeira coisa que falo com eles é que a gente tem que aprender a fazer barulho, mas não fazer barulho por fazer e, sim, de uma maneira organizada.

O que eu aprendi é que a vida nos dá muitas coisas, então a gente tem que dar de volta para a sociedade uma contribuição e essa contribuição, no meu caso, é tentar ajudar as pessoas que estão começando. Se eu consegui ter êxito na música, o que procuro fazer é ajudar quem está começando a também obter êxito nos seus projetos e que isso seja compartilhado adiante.


Papo de Mineiro

DM - Quem é ou foi verdadeiramente mineiro?
HP -
Meu avô, Henrique Furtado Portugal.

DM - Aquela música que tem a alma de Minas?
HP -
"Dois Rios", do Skank.

DM - Adoro um bom prato de...
HP -
Macarrão do Bolão.

DM - Para quem visita Minas, o que você diz ser imperdível?
HP -
Hoje em dia, o Inhotim.

DM - Em uma viagem, o que você sempre leva na bagagem para presentear?
HP -
Em uma viagem que fiz sozinho para Buenos Aires, um alemão me ensinou o seguinte: o melhor presente que você pode dar para uma pessoa é você abrir mão de uma coisa que gosta muito. Então o que eu gosto de levar para dar de presente é algo que seja importante para mim, seja um CD, uma camisa nova do Cruzeiro, uma camisa do Skank, um livro que eu goste.

DM - Qual artista melhor representa Minas Gerais?
HP -
Milton Nascimento.

DM - A paisagem que te inspira...
HP -
Serra do Curral.

DM - Atlético, Cruzeiro ou América?
HP -
Em primeiro lugar, o Cruzeiro; em segundo, o Cruzeiro, e, em terceiro, o Cruzeiro.

DM - Fim de semana na cidade grande ou na roça?
HP -
Atualmente estou bem asfalto.

DM - Quando estou fora morro de saudades de...
HP -
Acho que todo ser humano tem que ter o seu lugar, a sua casa. No meu caso, a minha casa é Belo Horizonte.

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